sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meu coração dispara!

Ele não era meu. E nunca fora de verdade. Até porque algo assim tão possessivo nunca é tão válido. Eu só queria que ele estivesse comigo. Até porque sinto de novo o medo de deixar a cidade que é próxima, por uma outra muito distante. Eu lhe confessei me ser uma inspiração. Atitudes, gestos, palavras. Tudo me era reconhecível, antes mesmo de tornar-se amável. E quando tornou-se amável? Eu também não sei. Mas esqueci, é claro, de que nunca é tão fácil... Não diante da escolha que tomei ao querer partir pra longe. E quase esqueci seu rosto. E quase esqueci sua voz. Mas os dias que passamos juntos compensaram os dias que não o vi. Passamos mais dias, outros dias, juntos e separados. Não pelo querer, querer não nos faltou. E que me padece a alma. Eu me perdi no beco, eu me perdi em Gaudí, eu me perdi na chuva. Mas eu já sabia que seria assim... Encontrá-lo para perdê-lo, e me perder junto, ou separado...

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