sábado, 31 de dezembro de 2011

À Marina Mello, minha amiga secreta.

(Para ler ao som de: Estela Cassilatti - Al)

Das águas ela surge em tons de vermelho, rosa e rubi. Destoa de tudo, combina com tudo. É mais que marinheira de várias viagens. Por ela mergulhe, por ela se afogue, e dela não se despeça. Limpidez não lhe cabe, ela é de água turva, de fervor, de sílabas, de calor. Arrebata os mares, as marés, as tormentas. Mas nunca quererá desvendar esse mundo sozinha. Então de proa à popa acompanhe-a, desvende-a, desmistifique-a. Será sim um desafio mas não a desafie. Seu olhar te jogará ao longe. Meio sol, meio lua, nada a define. Sereia indômita. De paixão inesgotável e vontade inquebrantável. Expressionista, impressionista, não importam os pés de profundidade, ela sempre surpreende. Se maquia, mas não se mascara, dona de uma só cara.


Revelação do Amigo Secreto, terceira edição

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Secaram-se todas as palavras que tinha dentro de mim.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sempre tem um dia

Hoje estou com raiva. Fazia tempo que não sentia isso de um jeito instalado na boca do estômago. Hoje sinto que não confio em ninguém, e nem quero confiar. A dúvida é o que me resta à cama. Estou com raiva do ser humano, das pessoas que eu conheço, da falta de honestidade, da falta de vontade, da falta de tempo. Estou com raiva de estar sentindo raiva, e isso vira um ciclo sem fim. Mas que agora eu não quero deixar de sentir. Estou com raiva de fazer questão das coisas, me esforçar pra não precisar que as pessoas sintam o mesmo, e continuar me frustrando com isso. Agora isso já é burrice. O ser humano não merece, e só. Ele é egoísta, insípido, usurpador, manipulador, compulsivo, sórdido, ignorante, ignóbil, insuficiente. E eu tenho raiva.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Blogueiro Secreto

Mais um final de ano, mais uma troca de belas palavras. Ano passado já participei dessa deliciosa aventura de desvendar alguém através do mundo cibernético. E tal qual sinto que o fiz bem feito, o fizeram pra mim também. Estou falando do amigo secreto dos blogueiros... Se você tem blog e quer participar, só entrar no blog e ver como é:

Ano passado eu tirei a Melissa (Mel que não é mel melado!)... Tá aí o meu presente pra ela:

Quem me tirou foi a Natália...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Eu só queria estar ali

Talvez a luz .Talvez a rouquidão. Talvez a boca entreaberta. Mas definitivamente, paixão. Não é jogo de áses maiores, nem é música valsada. É encanto puro e derretido. É entranha. É completo. É samba e suor. Ele é amarelo, é marrom. E sei que esse pêndulo não está em tempo de parar. É relógio que não marca as horas. O tempo nos respeita, e nós respeitamos o tempo. Não tem plano, não tem regra, não se explica, não se conta, não se define. Mesmo que se pudesse tudo isso, eu continuaria não fazendo. Não sou eu, não é ele, nem somos nós. É por si só. E todas as vezes que parti, o fiz leve. Não foi pesado, mas também não saciado.

sábado, 22 de outubro de 2011

2011

Em janeiro eu amava um. Em fevereiro lamentei mas deixei de amar. Em março foi o segundo. Em abril o segundo me largou. Em abril mesmo conheci o terceiro. E passaram maio, junho e julho. Em agosto ele me amava. Agosto mesmo passei a amá-lo também. Em setembro as coisas complicaram. No meio de outubro eu desisti. O quarto eu odiei. No final de outubro veio o quinto, que é o mesmo de dois anos e meio atrás. Mas no fim, amo mesmo aquele que eu não numerei.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Marinheiro só

Hoje conheci um marinheiro, Martin Gonzalez. Me lembro de uma cor azul e uma chama quente no meio do mar... Conversamos pouco e durante nossa conversa sobressaía apenas o cheiro de alfazema. Seu toque me era leve. Os tambores rufavam ao nosso lado. Ele fala pausada. Eu voz tremida. Eu pisava sobre o mar, não sei como, mas nos mantínhamos em pé. Ele me disse para continuar, seguir em frente. Mas que nunca deveria esquecer o diálogo com olhos nos olhos. Ele, mantinha os olhos fechados, pensava muito. Contou-me sobre a necessidade da água. E disse que perto ou longe dela, ele estaria ao meu lado...

domingo, 16 de outubro de 2011

Viagem

Hoje não venho lamentar. Venho porque meu coração está grande. Inflado por um sentimento que não sei definir. Não tem nada a ver com amor. É felicidade, amplitude, reconhecimento, esperança... Tudo junto. Me senti fazendo parte de um mundo gigantesco que está para que nós possamos desfrutá-lo. Me senti reconfortada. Por saber que tenho ainda muito tempo para poder aproveitar. Mais ainda por saber que os meus maiores sonhos estão intrinsecamente ligados à necessidade de desvendar seus pormenores. Talvez, feliz ou infelizmente, por isso eu tenha tanta garantia de que as coisas são passageiras. E que tendo conhecimento disso, tenho trabalhado para me libertar rápido das coisas que me prendo e me apego. Não é isso uma coisa ruim. É só que quero poder sonhar. Cultivando amizades que me façam sim voltar. Mas pra voltar, eu preciso ir....

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Para você

Esse foi um email que mandei pra alguém e foi sincero...


"Assunto: oi


Eu não sei. Mas foi em você que eu pensei quando quis conversar online com alguém.
E de repente o fato de eu não usar mais msn, e de você não ter mais facebook me fez temer por qualquer amizade que eu tenha e possa perder assim.
Como essas coisas efêmeras virtuais.
Não que a nossa relação seja de amizade. Apenas tenho você como alguém que posso conversar, sempre coisas produtivas.

Sinceramente, não imagino qual a possibilidade de você usar esse email. Mas vai que um dia você resolve abrir e ler, tem um email meu.
Acho que seria no mínimo engraçado.

Na verdade eu mais queria falar, e saber que alguém estaria lendo as coisas que eu só queria falar, simples assim.

Hoje eu estou me sentindo triste. E os dias que eu assumo isso, são muito difíceis.
As pessoas não me aceitam enquanto uma pessoa triste. E acho que esse será sempre um fardo da minha vida.
Não me sinto livre pra chorar. E na verdade, nem tenho motivos.

Ou talvez tenha todos os motivos. E eu acredite tanto nos outros, que já não me sinto capaz de ser triste.
E então todas as minhas tristezas são dissipadas por essa crença.

É só que eu me sinto tão disposta a amar, e não encontro alguém que aceite o tipo de amor que eu sinto.
Às vezes tenho vontade de partir, e só. De botar uma mochila nas costas, e viajar. Como se sempre tivesse algum lugar, alguém novo, que eu pudesse conhecer.
Por quem eu pudesse me encantar.

Faz uns dias já que ando me sentindo assim.

Acho que preciso estar só um pouco. Conhecer minhas dores e lamentá-las verdadeiramente.
Talvez eu nunca tenha recebido um apelido verdadeiro por que nada me descreve. Meu nome não descreve.
Meu nome nunca existiu. Ele nasceu comigo. E eu que tenho que criar o significado dele.

Obrigada.
Por ser a pessoa que eu quis conversar.
E por eu poder ser livre pra falar.
Você lendo ou não, um dia eu te conto..."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Não esqueci

Chama turva. Pálida, cálida. Sempre rosa poética. Murcha e despetalada. Sempre despetalada. Pelas dores, pelos amores, pelos clichês. O clichê do clichê. A tontura e a turbidez. A loucura e a embriaguez. A tortura da vez. É gozar por não amar. É gozar. É desgostar. A moda do anti social. A moda do anti capital. A moda do anti animal. A moda do anti sexual. Perde e cai. Cai. Chuva caiada, pasmada. Lenta brisa que nos embala. Que nos contorce. Que me distorce. Usa-me. Usurpa-me. Tenta-me. Lamba-me. E canse de mim. Porque eu já cansei de você. Derreta, queime. A chama é turva, disso eu não esqueci.

Por não ser sincero

Eu duvido. Mais de mim do que dele. E por mais que eu não queira, entristeço. Numa melancolia resguardada que sobrevive às sombras daquilo que eu chamo esperança. É algo que não quero ter, mas costumo precisar. E guardo pra mim as palavras que deveriam pertencer a ele, mas que não conseguem me deixar. Eu gostaria de poder amá-lo mais. Mas não posso. Às vezes só queria mostrar que me importo com ele. Acho que não faço isso muito bem. E deixo escorrer pelas minhas mãos as verdades que não são assim tão sinceras. E é por não ser sincero, que duvido.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Morra

E é apenas isso. Morra. Às vezes preciso ser má. Preciso retalhar. Preciso sempre dilacerar. Morra porque é efêmero. Morra, porque pra quem fica passa. Morra porque é sutil. Se dói, morra. Se não dói, morra também. Morra amarrado, morra sufocado, morra enforcado, morra afogado, morra machucado, morra atropelado, morra atravessado, morra esfaqueado, morra baleado, morra pisoteado, morra suicidado, morra trancafiado. Apenas morra. Morra muitas vezes pra perder o sentido. Se não tem sentido, não tem como sentir.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ele por mim

Ele é um sorriso perene que custei a memorizar o nome. Ele é sempre um conhecimento longínquo, na verdade como muitos outros, mas esse ele me encanta. Ele é aquele que não sabe de mim, e eu não me faço saber. Me delicio nas horas em que estamos juntos sem estar. Estamos juntos porque eu estou com ele, mas sei que nunca ao contrário. Ele que trilhou três dias por caminhos tortuosos foi parar no meu mesmo fim. E dele arranquei mais um sorriso perene, depois de um olhar assustado que foi dado em vão. Deleite foi passar mera hora com ele gastando meu sorriso abobalhado em troca de seu sorriso perene, mesmo sabendo que esses sorrisos nunca vão verdadeiramente se encontrar.

Ela por mim

Ela. Não tenho palavra mais sublime para descrevê-la, simplesmente ela. Ela guarda consigo todos os nossos segredos, todas as nossas cartas, todas as nossas confissões. Ficaram guardadas na cortina empoeirada que nos impedia de saber se era dia ou noite. E assim ficamos mais do que três dias, depois também me perdi nas contas. O tempo que parecia imutável, na verdade se desenrolou por entre os lençóis e os papéis que largamos pelo apartamento. As fundações nós que construímos. Arduamente. E então, tudo aquilo nos pertencia. Foi por isso que nos perdemos. Uma a outra. Há quem saiba melhor que tínhamos tudo que desejávamos, apenas não nos demos conta disso. Ela, era tudo o que eu desejava, disso eu tenho certeza até hoje. Aquele perfume carérrimo e todo fresco dela não sai de mim, não sai das minhas roupas, antes dela. Sua voz falha nunca me falhou na memória. O seu estilo de gargalhar depois de tragar fumaça pelo nariz, nunca vira fumaça nas minhas lembranças. Ela é ela. E sumiu por uns tempos. Mas eu fui atrás...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eu não quero

Eu não quero. Não por você mas por mim. Na verdade por mim. Por você também. Mas muito por mim. Eu não quero. Na verdade não quero por você. Não quero por você porque não você por mim. E não quero muito por mim. É bastante por mim. Porque eu até quero por você. Talvez é você quem não queira por mim. Ou eu que quero que você não queira. Mas não por mim. Não queira por você. Não queira por outra pessoa é só o que eu não quero. Então é por mim que não quero. Porque eu não quero. Mas se você não quisesse, eu com certeza não ia querer. E mesmo se eu quisesse, quando você não quisesse, eu passaria a não querer. Eu quero ainda. Mas não quero tanto assim. Eu quero ainda por você e queria poder não querer por você. Eu não quero, e é por mim. Ponto.

Se você vai por muito tempo

Tenho eu medo de quando partir, que as pessoas nunca saibam a absoluta e sincera verdade da minha alma.
Eu, quando decido ou não o momento de partir, nunca fico feliz por completo. Sempre se instala em mim, uma vontade enorme em ficar. Mas por fim, eu não costumo me incomodar com a partida. Não me é inteiramente dolorosa nem triste.
E desejo, única e exclusivamente, que sintam o mesmo, que não sejam inteiros dor nem tristeza. Porque eu, Pétilin, sou um ser que borbulha, que cintila. E só sei disso, porque todos que me viram ou não partir, já me disseram.
Pois então, quando não puderem mais compartilhar comigo horas de sorriso e de risadas, nunca lamentem por inteiro. Pois eu não estarei fazendo isso.
Em minha memória e em minha alma sempre borbulhará e cintilará todos os sorrisos que sorriram comigo. E então, quando o vento me soprar pro alto, tenha certeza que lembro sim de você, que lembro sim de nós, e que nunca esquecerei.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu gosto

Das coisas que pairam no ar
Da paixão que avassala
Do perfume que inebria
Da sua barba nada rala

Do ruído do seu sono
Do momento inesgotado
De sentir suar as mãos
De amar e por de lado

De valsar à meia noite
De sambar em noite e meia
De perder a direção
De querer a alma cheia

Furtacor

Ele é assim, um sonho em furtacor. Cintila, mistura e às vezes perde o brilho. Vago. Rápido. Esguio. Por vezes opaco, dessaturado, desconcentrado, desbotado. Me é paixão que fervilha, mas certa hora esfria. Congela. Amanhece o dia, mas só vive quando é céu alaranjado. Ama, irrita, encanta, incomoda. É um vai-e-vem que quase cansa, é preguiça. Depois quem samba?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu estaria mentindo...

...pra mim mesma se dissesse que não sinto a sua falta. Eu sinto falta da sensação de te amar enlouquecidamente e errar mil vezes por amar tanto. Eu sinto falta das horas em que me atravessei em pensamentos e planejamentos para ir te encontrar. Momentos em que fiz as contas da cerveja pra poder comprar uma passagem. Ou das horas que quase vendi minha alma por uma conta de celular. Era o único jeito de tê-lo mais perto de mim. Das horas que gastamos sentados à varanda, depois do almoço, antes da minha partida, tragando a sensação de estarmos juntos e não podendo acreditar nisso. Ou quando à primeira vez deixamos que o MASP guardasse nosso segredo de intensa vontade e paixão. E então quando dançamos enlouquecidamente pelas noites da Gambiarra, variando junto do samba ao rock. Ou então quando te esperei sentada no chão do seu quarto, tocando melancolicamente seu violão, só porque você me pediu pra esperar. Mas foi por ter te amado tanto, por querer tanto, que não te pude ter. E é por isso que hoje eu acerto ao amar, por que eu amo muito e não deixo a loucura me levar. Mas agora, só agora, eu me sinto enlouquecer de novo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O silêncio que eu não guardo

Meus lábios secos, entreabertos, se fecham rapidamente ao mínimo vacilo de vibração das minhas sofridas cordas vocais. Estas estão arranhadas, fadigadas, e agora já aceitam o silêncio. É o samba que as silencia. O samba diz tudo que precisa sem precisar falar nada. O samba começa no sorriso, balança o pescoço, encolhe o ombro, movimenta as mãos, instiga a cintura, agita o quadril, balança o joelho e descontrola os pés. Mas a boca, a boca o samba cala. E o silêncio que eu guardo é música que entoa dentro de mim. Porque o samba cala e silencia a boca, mas minha paixão é bossa nova. Porque vibra o coração que canta e se mistura com minha voz. Que é nova e revoluciona, e me faz cantar. E então, o silêncio eu já não guardo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Liberdade do eu

O meu mundo hoje nublou. Mas sei que era por respeito ao que eu sentia muito lá no fundo. Porque o meu mundo real, este, abriu o sol pela tarde, quando eu vi que amor rima com dor só quando eu quero a poesia melancólica. Porque o meu amor de hoje rima só com amor, e assim me é suficiente. A nebulosidade respeitosa aquietou a tempestade da noite anterior, e sei que a vida é assim: Tormentas e calmarias. Hoje, eu amo e assumo. E sofro, assumo também. Mas nego ser sofrimento de amor... "Que seja bom enquanto dure porque eu estou amando." É exatamente isso. Ele sublimou uma sensação. E com ele eu sambo, eu não minto, eu verdadeiro, eu o que eu quiser. Com ele nós, com ele nós e outros, com ele eu, com ele ele. "É o amor do nós com a liberdade do eu." E a liberdade do eu, é minha busca de agora...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sensação

Meu coração hoje veio na boca. E eu senti aquela sensação que andei ziguezagueando por entre as nuvens para escapar dela. Mas a sensação me consumiu. Eu já não a quero faz tempo, e continuo não querendo, mas não tenho controle. É por isso que eu fujo, é por isso que eu corro, é por isso que eu poetizo. Para sempre levar para fora de mim as histórias que me consomem. É isto, basta. Se não a quero, não vou tê-la. E não tente me fazer pertencer. Não serei escrava, prisioneira ou serva. Se fugir este tempo todo, não adiantou, vou mesmo é encarar. Que me venham as consequências...

Candy

Era uma vez, Candy e Dan. As coisas estavam quentes naquele ano. A seiva derretia nas árvores. Ele escalava sacadas. Ele escalava tudo, fazia qualquer coisa por ela. Ah, Danny querido. Milhares de pássaros minúsculos enfeitavam o cabelo dela. Tudo era dourado. Uma noite, a cama pegou fogo. Ele era lindo e ótimo criminoso. A gente vivia de luz e de chocolate. Era tarde de extravagante deleite. Danny, o aventureiro. Candy desapareceu. Os últimos raios de sol do dia passeiam feito tubarões. Eu queria tentar do seu jeito desta vez. Você entrou na minha vida rapidinho, e eu gostei. A gente se retorcia na lama de nossa alegria. Minhas coxas ficaram molhadas com liberdade. Então, houve um intervalo. E toda a Terra estremeceu. É o que interessa, é o que a gente quer. Com você dentro de mim, reconheço minha morte. Talvez a gente nunca mais durma. O monstro da piscina. É da natureza do cão... Com gatos, galinhas e feijão. Onde quer que eu olhasse... Às vezes, eu te odeio. Sexta-feira. Eu não falei para valer. Mãe do azul, anjo da tempestade. Você apontou para o céu. Demanda. Oferta. Aquela se chama Sirius, ou Estrela do Cão. Ha ha! Maldito, Ha! Você é maldito Dan. Um vaso de flores ao lado da cama. Machuquei sua cabeça na cabeceira da cama. Mas o bebê morreu pela manhã. Nós demos um nome a ele. O nome dele era Thomas. Coitado desse pequeno deus. O coração dele bate feito um tambor de vudu.

- do filme "Candy"

sexta-feira, 8 de julho de 2011

É diferente.

A diferença é que eu sempre vou te perdoar.
Mas não só você. Eu vou acreditar que esqueci. E que você esqueceu.
E esse perdão vai me silenciar. Porque é assim.
Porque eu não sou daqui. Porque eu não sou de lá.
E é isso que vai te confortar. Porque a vontade foi maior, e a festa se fez jus.
Ela será como eu com o meu ele. Meu ele sempre foi certo. Meu ele nunca a quis. Meu ele é meu, é por isso que eu volto.
É por isso que voltamos. Porque mentimos e acreditamos.
E a verdade, é que foi a sua mão que eu segurei, é que foi a sua mão que eu quis segurar, é que foi o seu nome que eu falei que esperava enquanto escorava no poste. E agora aqui, sou eu que faz direito, é você que faz direito, e somos todos de uma turma só. Mas sou que faço arquitetura, é você que faz medicina. E a diferença, é que eu sempre vou te perdoar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sal a gosto

Ele fumaça, ele riso, ele perdido. Eu querer, eu areia, eu perdida. É sal a gosto o tempero que em nós fervilha. Tenho para ele o sorriso escancarado, o passo requebrado e a brincadeira espirituosa. Ele tem pra mim nossos segredos e lembranças, o imaginário chapéu branco e uma pétala de rosa. Da rosa que eu despetalei e joguei em nossos corpos e copos sempre cheios. Eu cerveja, ele wiskhy, nós cigarros. Ah madrugadas... Essas passam tantas e se perdem. Ele eu reencontro sempre, e sempre me garanto. Agora aguardo, o encontro desencontrado que marcamos juntos. O mar, a cidade e toda música que nos cercará, tem a responsabilidade de nos silenciar...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Obrigada

Eu esperei nada de hoje. Nada é ainda pouco. Eu esperei absolutamente nada de hoje. E foi sincero, e não foi por medo, e foi maduro. E então eu me surpreendi. Eu, me surpreendi. Eu, que taxo o ser humano como mediocremente previsível. Errei na mediocridade, errei na previsibilidade. Ainda bem... Porque então eu descobri amigos. Foi justamente esse "mas é um outro nível de amizade" que eu conquistei. Eles, vocês, que estavam hoje lá comigo, são meus amigos. Muito obrigada. Tudo o que eu faço, tudo o que eu fiz, tudo o que eu ainda sou capaz de fazer, consigo porque fui, sou e espero continuar sendo amiga de vocês. Faço hoje 20 anos, choro como quem faz 10, e amo como quem faz 30. Obrigada.

domingo, 26 de junho de 2011

"Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir"

Tenho em minha alma o pedaço livre da alma que lhe pertence. E se respiro por uma noite por entre a sua barba, no aconchego dos seus braços, no aperto da minha cama, é porque sei que ainda sou quando não estou ao seu lado. Tenho em minha boca a repetição do seu nome, mas é só para gastá-lo, e deixar que o vento o possua. Porque vou partir, porque quero partir, porque tenho que partir. Nas poucas e intensas vezes que o amei e não falei, foi por ter essa única certeza, de que não o amaria para sofrer. E me dilacerei horas e mais horas na vontade sua que se fez minha, e nos une em nossa, e evapora. Mas é no inverno que clichê eu mais me aqueço. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas não há de demorar. Só não consigo lamentar, porque ainda é bom.



(Título retirado do poema Ausência, de Vinícius de Moraes. Poema que inspirou este aqui)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eu hoje andei a pé...

Me libertei, me senti viva. Eram meus pés tocando o chão úmido depois de um dia chuvoso. O caminho que parecia longo foi suficiente para eu conseguir voar ao longe e voltar. Estava me sentindo um pássaro preso, enjaulado. Acorrentada às rodas que eu mesma inventei de comprar. Eu pude deixar de olhar os carros, olhar o semáforo, olhar a lombada, olhar o retrovisor. Reparei então na grama, que mudou de cor com a chuva; reparei nos muros, com novos grafites; reparei nas pessoas, talvez as de sempre, mas que me pareciam muito diferentes; reparei o cheiro do mundo, que é outro quando não estou cercada pela fumaça dos carros; senti o frio me cerrar a pele, de uma maneira muito agradável. E então cheguei em casa. O mais triste é saber que minha libertação foi momentânea, que amanhã volto a ter rodas, e não pés. Mas é o preço que se paga pela compressão do tempo-espaço. E ainda me questiono se vivo mais por economizar tempo, ou se vivo menos, por perder tanto do meu tempo que teimei em economizar...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ancoro-me na calmaria

À parte a bela poética das minhas histórias de coração livre, sinto agora a amargura na boca que me vem do coração. Não são saudades, são lamentos dos amores que tive. Tão intensos... Tão fugazes... Não sei se eu que petrifico os momentos em que o sangue me vinha mais quente. Seja pela beleza, seja pela feiúra. Fato que sinto uma fadiga ao lembrar de todos e de cada um deles. E dessa fadiga vem-me a preguiça, de novas intensidades, novas fugacidades. Permito-me, então, permanecer perene. É sempre a minha solução. Depois da tormenta a calmaria. Mas ancoro-me, num mar intrínseco, longínquo e particular. Não espero que me entendam. Bastar-me-á se respeitarem...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Faz falta o que falta

Ele foi muito do meu sorriso. E até agora invejo a mim mesma por ter tido tanto daquele sentimento. Continuo sem saber quando foi, como foi, e porque foi que tudo se esvaiu. Eu não perdi o controle, mas eu o perdi. Nossas trocas de olhares antes tão afetuosas hoje são carregadas de lamento. Meu sorriso agora é um forçado meia boca que se perde no passo seguinte. Minha maçaneta já não acha graça. Minha chave já não vacila. Minha porta se mantém fechada. E eu tentei novamente. Mas ainda lhe falta sobriedade, me falta admiração, nos falta carinho.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Nego alvo




Ele tem todo um gingado.
Meu baiano alvo.

Brancura com o pé na terra,
com a mão na terra,
com a alma livre.

Ginga valsada, suada, risada.
E solta a magia quando joga na praça.
Meu baiano alvo.

Enxerga o mundo virado,
mas se vira e encaixa no mundo.
No samba eu me junto e sorrio.
Fazemos o mundo girar.

O frio já não é nosso amigo.
Eu giro e me encaixo,
porque é de samba e gingado que vou me esquentar.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Não são eles...

"Não é ele quem eu quero. Na verdade, não é nem ele que eu tenho. Sem grandes possessividades, é apenas a simples liberdade de poder deixá-lo ser algo pra mim. Mas eu não o quero. Sei que ele também não me quer. Mas vivemos nesse impasse de não querer e estar e não estar ao mesmo tempo."

E era isso que eu tinha escrito. Ainda bem que foi só isso que escrevi, porque foi só isso que de importante ocorreu. O depois foi que o impasse do não querer estar não estando, ficou só no não estar. Em seguida - já que nada tarda a acontecer na minha vida - voltou a existir um outro que já era passado.

Mas não é ele quem eu quero. Na verdade, eu sei que quase o tenho. Sem grandes possessividades, é apenas a simples liberdade de poder deixá-lo tornar-se algo pra mim. Na verdade eu acho que não o quero. E nem sei se ele me quer. Mas vivemos nesse impasse de nunca saber e estar e não estar ao mesmo tempo.

Não são eles quem eu quero. E sou eu que estou não estando o tempo inteiro.

sábado, 26 de março de 2011

Puro

Entendo. É éter. Talvez bastante da minha parte, por obrigar-me sê-lo. E sou. Porque fico matutando inconsequências. Porque fico discursando o desapego. E se não o quero, preciso. Não me sinto andorinha, vou e volto e faço eu o meu verão. Eu não quero o que eu prego, mas se prego vou querer. E agora, só agora, eu quero. É o meu jeito errado de tentar fazer o meu jeito certo. Mais do que éter, é meu. Mais do que ser meu, sou eu.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Queria querer de novo

O pior é saber que de alguma forma ainda prezo um certo tipo de carinho por ele. Porque em nenhum momento eu não gostei dele, apenas fui desgostando. Mas também não sei dizer o que é que me faz falta. Acho que é mais o contato, o toque, as tatuagens. Que engraçado... As tatuagens. E agora eu prezo tanto um corpo virgem de desenho, uma mente tranquila de forma verídica. Eu não sei onde eu errei. Não sei nem se houve erro. Simplesmente se desfez, dissipou, vagou ao vento. Nem vento, muito menos vendaval, foi uma brisa que me tirou alguém que eu aprendi a gostar, e desaprendi surpreendentemente rápido. É, queria mesmo querer de novo, querê-lo de novo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Não é possível...

Eu devo mesmo gastar felicidade. Assim, como se fosse uma coisa que quase acaba. Talvez depois renove, mas quase acaba. Hoje é um dia que quase acabou minha felicidade. Porque ontem, ah ontem... Ah festa... Ah noite... Dizer que eu transcendi é absolutamente plausível. Foi de novo aquele prazer inigualável, aquela diversão que não cabe. Eu não cabia em mim ontem, sentia-me gigante, e nada mais me importava. Eu era toda amor, eu era toda luz. Sentia-me o Sol. Eu era mesmo o Sol, e não uma folha marrom boba. Não mesmo...

domingo, 13 de março de 2011

As maravilhas

Entrei num mundo novo. Me senti quase um Marco Polo, só um pouco mais humilde. Começo a desvendar a partir de amanhã uma cultura que andava paralela à minha. Sou sim uma nova pessoa. É uma nova ginga por aprender, novos passos, novos pensamentos, e até mesmo uma renovação da minha alma. Um auto-conhecimento que busquei, encontrei, perdi e enfim encontrei novamente. Aumento meu respeito, meu silêncio e meu aprendizado. É justamente isso, não quero ser mestre, quero ser aprendiz.

sábado, 12 de março de 2011

São eles tantos

Encontrei nele um querer não desesperado. E já não sei de quem falo. Este me fora um pensamento antigo. Porque o ele que quero agora com certeza não é o mesmo. Apesar de ser igualmente não desesperado, o querer por esse anterior é fato que ruiu. Já não me repudio tanto pela volatilidade das coisas, dos sentimentos. Eles são puro éter, e tal caráter me é, agora, louvável. Para assim me obrigar inconscientemente à um Carpe Diem clichê, quase infame mas necessário.

domingo, 6 de março de 2011

Um carnaval que há de ser inesquecível

Eu sentia a chuva batendo de leve em meus pés, mas continuei deitada com a janela aberta. Sentia um prazer com aquele quase formigamento. A brisa fria que entrava no quarto era compensada pelo calor que eu consegui manter dentro de mim. Eu já não combino, eu já não faço promessas e, principalmente, eu não minto, não mais. Com ele eu não consigo isso, não que eu já tenha tentado. Das folias que o carnaval se preza em prometer, essa anda sendo o auge de todas as noites. Vou encontrá-lo, e sei disso. Amélie Poulain e seu destino fabuloso podem ficar pra depois, eu já encontrei os meus melhores detalhes...

quarta-feira, 2 de março de 2011

O beijo que eu não dou

Talvez eu seja a mulher da vida dele, e ele não faça ideia disso. Ou talvez eu me conforte com esse pensamento por me ver sendo a mulher perfeita para o que ele precisa. Mas quem sou pra saber do que ele precisa? Quem sou, além da pessoa que escuta suas verdades quase sussurradas, ou por vezes, quase berradas quando a vontade lhe é incabível? Mais ainda, quem somos nós diante de todos nossos outros amores? Às vezes mais reais, às vezes mais profundos, às vezes mais sinceros. E por vezes nada disso. Nosso amor vai além da cama. Apesar de sermos muito nós mesmos quando resvalados num aconchego íntimo. Nosso amor vai além do fraterno. Cuidamos de nós numa reciprocidade silenciosa. E quem sabe eu não me torne mesmo a mulher da vida dele, quando descobrir até onde vai esse amor não amado, essa dor não doída, esse beijo não dado.

terça-feira, 1 de março de 2011

Voz e violão

Dessa vez não foi foto, riso imaginado ou voz nunca ouvida. Era justamente a voz que embalava todos os seus pensamentos vãos em melodias ritmadas. O balançar da composição, o frevo que batia em seu coração. Estava novamente apaixonada, dessa vez por voz e violão. Ele estava à pele seca sob uma luz amarelada. Sorria. Não a via. E bailava lentamente em cada canção de sua própria autoria. Seu nome era a sonoridade que enchia a boca vil. Seu olhar era clichê de imensidão. Mas sua voz, era clichê de indescritível. Não chega a ser veludo, não chega a ser suave, é e ponto. Apenas voz. E vós, acreditem, são incapazes de imaginar. Apaixonada não desfaço do mistério, mas me deleito no egoísmo do prazer. Aos amantes de mistério, deixe estar. Aos inimigos, também deixe, não há outra saída.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A lua hoje sorriu pra mim

Há tempos que ela não se exibia de forma tão exuberante. Foi como se concordasse perenemente com minhas escolhas e atitudes. Ela aquietou o desespero que se instalava na parte mais intrínseca do meu querer. Porque eu o queria cegamente, e agora eu o quero, ponto, e isso me basta. Já sei que tenho que esperar, e espero, ponto, e isso também me basta. Enquanto eu quiser, enquanto tudo isso me for suficiente, sorrirei de volta para ela. Ela que me aquieta na espera dele.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

É como...

...se da noite pro dia fôssemos amigos, irmãos, amantes, enamorados. Uma profusão de sensações que me enlouquecem. Só posso estar louca...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

À parte da poética

Andei procurando os porquês. Andei questionando meu passado. Encontrei diversas respostas, mas aumentei ainda mais o número de dúvidas. Nunca fui de olhar pra trás. Nunca fui de me arrepender. É só que para enfim acertar preciso peneirar minha história. - Aquela coisa de separar o joio do trigo. - É um trabalho cansativo, nostálgico, doloroso, pesado. Me pesa nas idéias, na mente, nas costas, nas verdades, no coração. Se é assim, realmente necessário, só saberei quando concluir o processo. Mas, concluir o quê? Acertar em quê? Não faço, sinceramente, a menor ideia. Sinto apenas que preciso, dessa introspecção, dessa meditação, desse silêncio e quase talvez de alguma lágrima. Estou precisada de calma, paz, serenidade, mar. Preciso deixar o mar me engolir. Preciso me revolver em sua maré raivosa, em sua ressaca dominical. Para enfim acabar com esses tormentos silenciosos que avassalam o meu âmago, e cansam o meu pensar. Preciso ser jogada à areia como peso morto, sem valor. Como flor pra Iemanjá. Preciso me despetalar, desabrochar. Preciso acordar ao sol, fadigada de mormaço. Preciso despertar ideias, soluções. Preciso disso tudo, nisso tudo, achar a palavra que me falta pra acabar com essa história.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Terra que a todos seduz

Eu me perdi nessa contagem de números. Poderia estar em um lugar, mas estava em outro. E estava enfim com aquele que eu quis anos atrás. Pela primeira vez me senti errando muito pra ter algo que sempre quis. A música, a luz, o lugar, nunca vão sair de minha mente, nunca se apagarão da minha história. Não consigo nem colocar em palavras o que senti. Mas sei que nunca o perderei...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Preciso encontrar o meu...


Garder les yeux encore un peu fermés pour te voir sourire dans le noir, une mousse d'étoiles, on lève les voiles, entends-tu ma voix qui te chante reviens-moi?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Apazigua meu amor, apazigua

É. E não é que Santos me trouxe paz? A família, a casa, a paz, as certezas. Aqui tenho isso e mais um pouco. Passar outro mês nessa cidade não parece ser a pior coisa do mundo. Por hoje só quero casa e aconchego. Mas a farra que me aguarde...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Decifra-me ou devoro-te

Tudo está nisso. Em decifrar-te. Mas não consigo. Enlouqueço. Talvez seja a sobriedade que lhe falte, quem há de saber? Já sussurrei, já falei, já gritei, e nada. Toda ação precisa de uma reação, por isso eu fico esperando. A saudade continua sem machucar, porque as lembranças que tenho de ti são perenes, tranquilas, felizes. Tal como sua presença, com adendo de confuso. Porque enquanto eu engasgo com tantas palavras, sobra-te o silêncio que não sei manter. Inicio os meio sorrisos, os meio olhares. Sempre buscando respostas. Esse "é isso porque é isso", nunca me desceu bem goela à baixo. Mas por enquanto é isso, porque é isso.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Enfim, triste

Meu tempo está confuso. Sinto-me perdendo horas da minha vida. Deixando-as passar vagamente. Enquanto isso estou perdendo todo meu cerne. Meus dias estão arrastados, monótonos e iguais. Sinto que já vivi três meses desde que cheguei em Santos. E o pior é que não passou nem um mês inteiro. Não acredito que as férias passadas tenham sido assim, porque sinto hoje meu corpo dolorido por essa experiência vã. Assumir essas palavras, torná-las reais e conexas, me entristece. Sinto-me verdadeiramente triste.

Honestamente

me sinto perdida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Universo poético-egocêntrico

Às vezes preciso me dilacerar em palavras. Preciso arrancar as roupas e me manter clichê e nua. Mas principalmente nua. Porque às vezes canso de mim, canso de minhas palavras, canso de toda essa rotina mediana, mesmo não querendo nenhuma outra. E de qualquer forma eu preciso dessa vida de mentiras e fingimento e prazeres e boemia e promiscuidade e enganação. Eu preciso de um lado sórdido que seja belo por ser real apenas em poesia. Eu preciso me embrenhar no tortuoso caminho literário que inventei de seguir. Eu preciso me abrir, me descobrir, me reinventar todas as vezes que errar esse caminho. Porque sou eu que estabeleço o certo ou errado nesse meu universo poético-egocêntrico. Sou eu que não gosto, sou eu que desgosto, e até mesmo sou eu que por vezes amo o que escrevo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sonhos e pesadelos

Hoje eu acordei sobressaltada. A impotência sempre foi algo que me perturbou as idéias. Mas invadir meus sonhos e transformá-los em pesadelos? Aí é partir pro pessoal. No sonho um amigo meu da realidade, lutava fielmente ao meu lado, coisa que me deixou muito feliz. Ele, meu amigo, continuava a ter seu jeito engraçado, estabanado e divertido mesmo tendo que enfrentar o pior dos seres maléficos que eu já li sobre. Isso na hora do medo, me tranquilizava imensamente. Eu quase morri várias vezes. Não tive medo de morrer, mas abandonar os outros era algo que me dava um nó na garganta. Mas então essa batalha cessou. Sem vencedores. Eu fiz sumir num carrinho de bebê, algo que o ser maléfico nunca ousaria encostar (não sei porquê), o tal objeto pelo qual estávamos travando embate. Corri falsamente à procura, o ser em meu encalço. Mas quando chegamos na multidão, o ser maléfico se esvaiu. E então, no meio da multidão, onde mais parecia uma praça-ponto-de-encontro, avistei-o. Ele, um cara que mal conheço na vida real, era, pra mim, meu grande confidente nesse sonho. Desesperada, precisava de alguém que acreditasse em mim, que me ajudasse, que me salvasse. Perguntei pra ele se acreditava em seres mitológicos. Ele fez cara de cético. Eu disse que já tinha visto uma phoenix. E me lembrava perfeitamente disso. Ele fez cara de cético. Eu disse que tinha poderes. Ele fez cara de cético. Meu coração apertou, senti que o amava, e que ele não acreditava em mim. Então, como sempre acontece em sonhos, as pessoas, a multidão, começou a se dispersar sabe-se lá porque. Sei que nisso perdi minha bolsa. Opa, partir sem minha bolsa? Jamais. Pedi para ele me esperar, e fui procurar a bolsa. Alguns serezinhos menos importantes, mas malvados, tinham-na jogado no lixo. Recuperei correndo e voltei correndo. Ele continuava me esperando, com cara de cético. E quando íamos pra casa dele (que de um instante pro outro estávamos em um navio), o número da cabine dele não era um número, mas sim um símbolo que eu tinha visto no começo do sonho (porque claro teve coisa antes disso, mas não me lembro) e que era mau agouro. Não deixei ele entrar. Vimos então que na cabine da frente fulana tinha acabado de entrar, amiga dele. Ia entrar na cabine com ela, mas ele me impediu, estava começando a achar tudo bobagem. Eu sabia que tinha que tirá-lo dali. O ser maléfico sabia que eu o amava, e ia matá-lo. Estávamos num corredor de navio. Mas eram só as duas cabines no mesmo segmento do corredor, que era fechado por portas com olho mágico. Fui olhar uma das portas, estava fulana com a mala, como se estivesse indo pra cabine. Na outra porta, também. ARMADILHA! Mas eu não conseguia nos teletransportar dali, ou para os entendedores, não conseguia aparatar. E os falso-fulanas estavam se aproximando. E eu não conseguia fazer nada, não era poderosa o suficiente. E então instalou-se o medo, a impotência, a agonia. Até que acordei, sobressaltada...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ele...

...é minha primeira saudade que não machuca

Amargo meu amor

Fiquei na memória ela. Que não conheço, que desconheço, que mal sei o nome e faço questão de não decorar. Fiquei com ciúme dele. Que já não conheço, que desconheço, que mal lembro o nome e faço questão de não lembrar. Mas me vem na cabeça eles. Que nunca vi, que sempre olhei, que da história eu nada sei e faço questão de não saber. E tento lembrar de nós. Onde pra mim ela também existiu. E é só isso que lembro. Nós e ela também. Foi por isso que não existiu nós.

Parte 2 de 2010

Não sei se sou eu, não sei se é sorte. Mas as pessoas andam me tirando as palavras. A felicidade que estou sentindo nesse exato momento é tanta, que não cabe em mim e estou a transformar em lágrimas. Continuo me sentindo gigante, e não por mim, mas pelas pessoas que conheci. A maioria delas me surpreende, porque, de algum jeito que me encabula, estão mostrando que sou importante, que fui importante, e que querem que continue sendo importante em suas vidas. Passei um bom tempo da minha existência não gostando muito de gente, e nesse tempo que não gostei, também não fui muito bem aceita. Mas hoje, considero sublime. Não sei se a tpm, não sei se a virada do ano. Mas me sinto imensamente feliz por todos os amigos que tive e tenho. É gratificante partilhar lembranças e deixar saudades. Confesso que pela primeira vez quis que um ano não terminasse. Esse ano de 2010 me proporcionou só coisas boas. Não deixei nada passar em branco, vivi cada oportunidade, cada experiência, me senti completa. E então, ao saber que 2011 viria, ao saber que estou indo para o 3º ano da faculdade, ao saber que completarei 20 anos, tive medo. Não sei quando acaba a adolescência, não sei quando me torno mulher. Acho até graça desse pensamento infantil em alguém que acaba de se sentir gigante. Sempre tive pressa, mas não posso voltar a ter 10 anos? Sabendo que não, quero começar o ano dizendo que 2011 é a parte 2 de 2010. Tudo que é bom, merece continuação. Fica na memória tudo que vivi. Não só em 2010... Já que não posso voltar, deixo na lembrança...

(2011 é a parte 2 de 2010)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ontem eu me senti...

GIGANTE!