quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eu hoje andei a pé...

Me libertei, me senti viva. Eram meus pés tocando o chão úmido depois de um dia chuvoso. O caminho que parecia longo foi suficiente para eu conseguir voar ao longe e voltar. Estava me sentindo um pássaro preso, enjaulado. Acorrentada às rodas que eu mesma inventei de comprar. Eu pude deixar de olhar os carros, olhar o semáforo, olhar a lombada, olhar o retrovisor. Reparei então na grama, que mudou de cor com a chuva; reparei nos muros, com novos grafites; reparei nas pessoas, talvez as de sempre, mas que me pareciam muito diferentes; reparei o cheiro do mundo, que é outro quando não estou cercada pela fumaça dos carros; senti o frio me cerrar a pele, de uma maneira muito agradável. E então cheguei em casa. O mais triste é saber que minha libertação foi momentânea, que amanhã volto a ter rodas, e não pés. Mas é o preço que se paga pela compressão do tempo-espaço. E ainda me questiono se vivo mais por economizar tempo, ou se vivo menos, por perder tanto do meu tempo que teimei em economizar...

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