sábado, 22 de outubro de 2011

2011

Em janeiro eu amava um. Em fevereiro lamentei mas deixei de amar. Em março foi o segundo. Em abril o segundo me largou. Em abril mesmo conheci o terceiro. E passaram maio, junho e julho. Em agosto ele me amava. Agosto mesmo passei a amá-lo também. Em setembro as coisas complicaram. No meio de outubro eu desisti. O quarto eu odiei. No final de outubro veio o quinto, que é o mesmo de dois anos e meio atrás. Mas no fim, amo mesmo aquele que eu não numerei.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Marinheiro só

Hoje conheci um marinheiro, Martin Gonzalez. Me lembro de uma cor azul e uma chama quente no meio do mar... Conversamos pouco e durante nossa conversa sobressaía apenas o cheiro de alfazema. Seu toque me era leve. Os tambores rufavam ao nosso lado. Ele fala pausada. Eu voz tremida. Eu pisava sobre o mar, não sei como, mas nos mantínhamos em pé. Ele me disse para continuar, seguir em frente. Mas que nunca deveria esquecer o diálogo com olhos nos olhos. Ele, mantinha os olhos fechados, pensava muito. Contou-me sobre a necessidade da água. E disse que perto ou longe dela, ele estaria ao meu lado...

domingo, 16 de outubro de 2011

Viagem

Hoje não venho lamentar. Venho porque meu coração está grande. Inflado por um sentimento que não sei definir. Não tem nada a ver com amor. É felicidade, amplitude, reconhecimento, esperança... Tudo junto. Me senti fazendo parte de um mundo gigantesco que está para que nós possamos desfrutá-lo. Me senti reconfortada. Por saber que tenho ainda muito tempo para poder aproveitar. Mais ainda por saber que os meus maiores sonhos estão intrinsecamente ligados à necessidade de desvendar seus pormenores. Talvez, feliz ou infelizmente, por isso eu tenha tanta garantia de que as coisas são passageiras. E que tendo conhecimento disso, tenho trabalhado para me libertar rápido das coisas que me prendo e me apego. Não é isso uma coisa ruim. É só que quero poder sonhar. Cultivando amizades que me façam sim voltar. Mas pra voltar, eu preciso ir....

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Para você

Esse foi um email que mandei pra alguém e foi sincero...


"Assunto: oi


Eu não sei. Mas foi em você que eu pensei quando quis conversar online com alguém.
E de repente o fato de eu não usar mais msn, e de você não ter mais facebook me fez temer por qualquer amizade que eu tenha e possa perder assim.
Como essas coisas efêmeras virtuais.
Não que a nossa relação seja de amizade. Apenas tenho você como alguém que posso conversar, sempre coisas produtivas.

Sinceramente, não imagino qual a possibilidade de você usar esse email. Mas vai que um dia você resolve abrir e ler, tem um email meu.
Acho que seria no mínimo engraçado.

Na verdade eu mais queria falar, e saber que alguém estaria lendo as coisas que eu só queria falar, simples assim.

Hoje eu estou me sentindo triste. E os dias que eu assumo isso, são muito difíceis.
As pessoas não me aceitam enquanto uma pessoa triste. E acho que esse será sempre um fardo da minha vida.
Não me sinto livre pra chorar. E na verdade, nem tenho motivos.

Ou talvez tenha todos os motivos. E eu acredite tanto nos outros, que já não me sinto capaz de ser triste.
E então todas as minhas tristezas são dissipadas por essa crença.

É só que eu me sinto tão disposta a amar, e não encontro alguém que aceite o tipo de amor que eu sinto.
Às vezes tenho vontade de partir, e só. De botar uma mochila nas costas, e viajar. Como se sempre tivesse algum lugar, alguém novo, que eu pudesse conhecer.
Por quem eu pudesse me encantar.

Faz uns dias já que ando me sentindo assim.

Acho que preciso estar só um pouco. Conhecer minhas dores e lamentá-las verdadeiramente.
Talvez eu nunca tenha recebido um apelido verdadeiro por que nada me descreve. Meu nome não descreve.
Meu nome nunca existiu. Ele nasceu comigo. E eu que tenho que criar o significado dele.

Obrigada.
Por ser a pessoa que eu quis conversar.
E por eu poder ser livre pra falar.
Você lendo ou não, um dia eu te conto..."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Não esqueci

Chama turva. Pálida, cálida. Sempre rosa poética. Murcha e despetalada. Sempre despetalada. Pelas dores, pelos amores, pelos clichês. O clichê do clichê. A tontura e a turbidez. A loucura e a embriaguez. A tortura da vez. É gozar por não amar. É gozar. É desgostar. A moda do anti social. A moda do anti capital. A moda do anti animal. A moda do anti sexual. Perde e cai. Cai. Chuva caiada, pasmada. Lenta brisa que nos embala. Que nos contorce. Que me distorce. Usa-me. Usurpa-me. Tenta-me. Lamba-me. E canse de mim. Porque eu já cansei de você. Derreta, queime. A chama é turva, disso eu não esqueci.

Por não ser sincero

Eu duvido. Mais de mim do que dele. E por mais que eu não queira, entristeço. Numa melancolia resguardada que sobrevive às sombras daquilo que eu chamo esperança. É algo que não quero ter, mas costumo precisar. E guardo pra mim as palavras que deveriam pertencer a ele, mas que não conseguem me deixar. Eu gostaria de poder amá-lo mais. Mas não posso. Às vezes só queria mostrar que me importo com ele. Acho que não faço isso muito bem. E deixo escorrer pelas minhas mãos as verdades que não são assim tão sinceras. E é por não ser sincero, que duvido.