quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Morgana

Eu a amo. Faz tempo que sei disso. Faz tempo que esqueci disso também. Não me culpo, não a culpo. Culpar é um verbo que não cabe em nós. Eu tenho em mim uma parte que é ela por inteiro. Eu a fiz caber em mim, mesmo tendo ela um tamanho imensurável. Tamanho tanto que não coube fora de mim e perto de mim. Teve que se esvair, teve que partir. E foi melhor assim. Não existe quando presa, mas quando solta traz uma beleza indizível tal qual sua felicidade. Saudade só confirma nosso amor, nossa amizade. Me mantenho então sem pressa. Se ela não voltar, eu me vou. Vôo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Revelação do Amigo Secreto

Ela daria muito mais de si que dez réis por mel coado. Daria afeto redobrado pra quem garantisse a retaguarda. Valsaria qualquer melodia com um vestido desgastado só pra sair da rotina do engomado. Tudo porque sua juventude permanece tenra mesmo ao fim do verão. Sua simplicidade se concretiza quando na primavera quer apenas ser por si só. Ao mesmo tempo em que sozinha não quer nada. Para encontrar-se ela se perde. Para perder-se ela se encontra. Às vezes senta, às vezes levanta, às vezes corre, às vezes pára. E então espera os outros, espera dos outros. Nunca perde a fala, mas também às vezes cala. Ela sintetiza ao mesmo tempo que prolixa. Ela positiva qualquer verbo, capaz até de verbear vontade. Quer e cresce ao querer. Vai e volta ao viver. De mel melado não tem nada. Ela é mel difícil de achar. Procure nas árvores, procure nos pássaros, procure nos peixes. Nunca encontrará. Ela estará na terra, no céu e no mar. Estará com você se não cansar de procurar.

À Melissa Brienda Sliominas, minha amiga secreta.
Feliz Natal!

Revelação do Amigo Secreto do Blogueiro Secreto

domingo, 12 de dezembro de 2010

A história não contada

Não tem como descrever. Não há palavras para relatar. Esse corredor agora guarda uma história que eu nunca vou conseguir contar. As paredes vão sempre rir das minhas caras e bocas e cara de pau. Até a maçaneta vai se pôr a rir no entra-não-entra da chave para abrir e fechar a porta. Porque é um abrir e fechar que te fecha fora da minha casa. E não é isso que quero. Não é isso que queremos. E você também tem um tem-não-tendo que me diverte. E deixo-te ir para não cansar. Não cansar o carinho e o sorriso que reciprocamente nos embalam. Pela primeira vez meu tempo não é negativo. Quero-te agora intensamente pelos próximos dias que temos e ponto. Eu entendo, você entende, e não achamos solução. Mas é só isso mesmo, então não tem problema. Já que ninguém sabe, eu é que não vou contar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sufoco

Eu estaria sendo egoísta. E na verdade fui. Fingindo ser incapaz de fazê-lo. Acredite, é muito difícil. Há tempos deixei de umbiguismos. Mas hoje à noite era uma certeza. Ah, a volatilidade das coisas... E então me envergonhei. Porque cansei, sinceramente, desse pensamento, desse sentimento. Ao mesmo tempo já não consigo transformar em palavras tudo que precisava lhe dizer, porque tudo que eu precisava lhe dizer, não tem como ser dito. Eu não consigo transformar em palavras, porque não existem palavras. Quando eu fico grunhindo, são as palavras que não existem, mas que fazem todo o sentido assim, desconexas mesmo. Arranjo mil desculpas, teço mil discursos. Nada bom o suficiente. Quero mesmo dizer para você ir, mas dizer sem precisar pensar que te queria aqui. Porque agora que já perdi as palavras, seria um bom momento de permanecer quieta. Me sufoco, mas calo-me.

Só assim!

É um aceitar-te sem limites. É entender que a grama verde toca os pés pelo simples fato de eu me deixar pisar-lhe. É saber que o formato do meu rosto é oval, que minha testa é grande e que minha boca quase sempre sorri triste. É poder sentir as dores mais insustentáveis e extrair delas a poesia que inflama. É calar-me diante do absurdo de tua beleza inalcançável. É tanger a delicada exclusão da qual tu te incluis. É morrer por esperar os grunhidos que me escapam ao querer-te. É romper as delicadas expressões que se firmam para o infinito. É apertar, morder, puxar, querer, tentar, sofrer. É um aceitar-te sem fronteiras. É deixar-te viver. Porque só assim eu vivo também.

domingo, 21 de novembro de 2010

Crise poética.

Que merda.

Não consigo juntar nem duas palavras.

Porra.

domingo, 7 de novembro de 2010

Amargo

Me cansei da poesia. A poesia me cansou. Me cansei das palavras. As palavras me cansaram. O que sempre fiz de melhor, tornou-se algo que agora me faz mal. O fato de escrever de forma poética as coisas que me aconteciam, me fizeram amar minhas histórias. Independente do final que elas tenham tomado, ou de todo real desenrolar dos fatos. Porque então a poesia e as palavras transcendiam e pairavam e dançavam rodopiantes tecendo uma bela cena. Onde cada detalhe se cumpria com primazia. E então toda minha vida parecia aquela pausa na respiração, aquela fala que lhe falta deixando a boca aberta. Me tornando então uma poetisa enrustida que erguia o copo ao ar na alegria de ser une bonne vivent. Mas será que era? Será que fui? Continuarei sendo? Amargo. É isso que sinto agora.

"Vai rolar um adultério"

Ter estilo é segurar o copo com o energético embaixo. Torrar a grana toda em whisky e red bull. Fazer uma trip com uns bróder, ir nas baladas mais caras e chegar nas gatinhas. Não é preciso ter conversa, não é preciso ter cérebro. É preciso ter dinheiro, e isso basta. Mas eu tô cansada desse estilo. Tô cansada dessas baladinhas, dessas conversas vazias. Quero mesmo é continuar com as minhas saídas engraçadas e esquisitas. Onde eu possa ir a um show de metaleiros com sapatilha rosa e bolsa a tira a colo. Porque isso de fato não me incomoda. Onde eu possa sair de uma aula da faculdade e passar dez horas bebendo e conversando. Eu preciso falar do mundo para entedê-lo. Eu preciso contar e ouvir experiências. Quero saber da sua família, me fale de seus tios. Me conte uma história de sua quinta série. Vamos começar falando do passado. Pra então saber que posso confiar em ti minhas histórias idiotas do presente. Porque em algum momento essa conversa passa a ser sobre sexo. Ainda hoje são necessários alguns litros de cerveja pra que isso se torne um pouco mais sincero, mas não deixe de ser cômico. Só que eu quero assim, uma vida real. Quero conhecer pessoas reais, com histórias reais e tudo o mais. Se serão profundas ou não, vou deixando a conversa tomar seu rumo. Mas precisam ser suficientes...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Haicai

É inconstante
Pra quem é transeunte
Ficar é fugaz

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não sei se...

...estou errada por querer ter 25 anos. Porque sei, de um jeito tranquilo, que as coisas não serão sempre um tormento quando chegar à essa idade. Os ciclos da vida hão de passar de forma mais amena. Até porque, eu mesma já terei vivido bem mais do que apenas "dois aninhos de faculdade numa cidade longe de onde sempre morei". Não que eu queira reduzir essa experiência, mas minha mente sempre avança uns anos a mais do que a idade que eu tenho. Minha mente hoje tá com 22 anos, porque quero agora o que poderei ter nessa idade. E com 22 anos, minha mente terá vontade de ter 25. Mas vou parar por aí, porque senão já penso em aposentadoria e nunca conseguirei viver. Se terei tudo que planejo ter aos 25 anos, aí eu já não penso. Só que no exato momento quero ter 25 anos!

domingo, 31 de outubro de 2010

Haicai

Casa madeira
Para alma que é vã
Um teto, um lar

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mudei a forma


De repente o sorriso meia boca congelado na foto fez tudo perder o sentido. Aquele olhar cansado também congelado me cansou por inteira. Dissipou todos os pensamentos lógicos que eram meus até quase cinco minutos atrás. Não sei se a roupa que usava, não sei se o abraço encaixado, não sei se o corpo sujo. Mas aquela foto fez cessar o que eu sentia de concreto, e se dissolveu ao longo de curtos dias. Não faz-se mais necessário eu correr tanto, não vou mesmo chegar em lugar algum. O sentimento de vê-los assim em "dever cumprido" me tranquilizou. Agora sei que posso me esvair sem fazer tanta falta. Não precisei ter aquele conflito interno de quereres. O querer se perdeu, ruiu aos poucos. Espero que isso não se transforme em problema, já que por ora transformei em nada...

domingo, 17 de outubro de 2010

Preciso mesmo é...

...exorcizar meu corpo. Preciso mesmo é de uma boa transa que me faça gemer horrores, puxar os lençóis, suar a alma. Preciso de novo daquela noite alcoolizada, com pressa, sem regra, mas cheia de paixão. Porque o meu querer por ele não é só corpo, apesar de lhe dizer que sim. O meu querer por ele é do nosso silêncio que se quebra quando a luz das ruas invade o meu quarto. Porque é sempre o meu quarto e sua luz amarelada e boêmia. Nunca o terei sóbria, não faço questão. Quero mesmo o ardor das fugas após as festas com sabor de cerveja. Quando eu e ele nos tornamos nós apenas nas escadarias eternas do meu prédio. Mas espero a próxima festa, a próxima fuga, a próxima cerveja, mas a mesma luz amarelada.

O tempo negativo

Eu fico vivendo em contagem regressiva. É sempre quanto tempo falta pra alguma coisa, e não o tempo que elas duram de verdade. Cheguei em Santos hoje pensando que só faltavam dois dias, e nem eles inteiros, para eu voltar pra Prudente. Não consegui focar em passar dois dias, mesmo que não inteiros, em Santos. O tempo pra mim é sempre ao contrário, meio que negativo. As horas que faltam. Importa sempre o que vem depois. E o pior: sempre foi (e fui) assim. Na oitava série faltava um ano para o ensino médio, no primeiro colegial faltavam três anos para a faculdade, na faculdade me faltam três anos para a minha próxima etapa (que não sei ao certo qual é). Quando o presente me será suficiente? Talvez quando alcançar o meu querer de dois anos atrás. E de novo o pior: falta muito! Contagem regressiva!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

E eu quando olhei pro quarto,...


...vaguei em pensamentos olhando pro meu all star. Um all star verde com a ponta um pouco suja. E essa imagem à meia luz me deu um vontade de calçá-los, assim mesmo de pijama, jogar uma mochila nas costas e ir viajar. Achei que meu destino era óbvio. Até que percebi que não sabia pra onde eu queria ir. Mas estou com a sensação que deveria simplesmente fazer isso: ir. Pra onde? Ainda não sei... Talvez seja mais a nostalgia que um all star me causa, talvez seu desconforto também. Como se eu precisasse andar, gastá-los. A simplicidade desse tênis é muito engraçada. E ele é carregado de lembranças. Acho que o lugar que eu quero ir é pro passado. Voltar a viver o que vivi quando usei esse all star. Os shows que fui, as baterias que toquei, os amigos que fiz, os roles que eu dei. Até as chuvas que o molharam consigo lembrar de algumas boas... A ironia é ter um megafone do lado dele. E eu, por incrível que pareça, não sinto a menor vontade de falar. Estou precisando mesmo é gastar esse all star pra ouvir o mundo!

(Gastar esse all star pra ouvir o mundo!)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Uma palavra:

INTERUNESP

(Aglutinada, mas uma palavra...)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ela continua sem saber de mim

Não, não, não, não, não!!! Não acredito que a perdi! Como isso? Como viverei sem suas palavras, sua poética, sua sensualidade avassaladora, sua ironia sempre pertinente, sua valsa ritmada, sua voz imaginada? Como a perdi? Como a deixei partir sem avisar? Por que me escondi de assumir que amava cada palavra sua? E desde quando ela se foi? Para onde fora? Não deixou recado, não deixou ao abandono... Simplesmente partiu e sumiu. Como fico sem suas reticências? Continuo sem coragem de escrever seu nome... Raios! Eu a admirava! Como foi capaz? Não sei quanto ao mundo, mas eu precisava disso, precisava dela. Sem ela saber. Sem nem eu saber ao certo. Só sei que precisava. Ela era minha gigante, e como Newton, me apoiava sobre seus ombros para enxergar longe. E agora longe é onde ela está...

Às vezes...

...eu preciso lembrar que já fui criança. Porque é fato que me perco e esqueço. E sempre que vejo meus vídeos quando pequena (sim, fui pequena em algum momento - risos), me fascino. Assim num narcisismo ingênuo. Rio das minhas bobagens, eternas bobagens. E fico pensando se um dia eu parei pra pensar que chegaria onde cheguei. Se pensei que faria tudo que fiz, ou conquistaria tudo que conquistei. Mas acho engraçado porque sou eu ali, com manias que tenho até hoje, com caras e bocas bastante peculiares. Para elucidar o que falo, segue o link de um vídeo que fiz juntando fragmentos de alguns vídeos que tenho. Sinto que preciso completá-lo, algumas cenas bastante louváveis deixei de lado. Mas por ora faz jus...


Façam bom proveito!

(Preciso lembrar que já fui criança...)

domingo, 3 de outubro de 2010

VAI CASA UM!

Não poderia deixar distanciar mais a escrita do fato. A data da construção! Sim! Construí novamente com a ong Um Teto Para Meu País. Foi uma experiência deveras diferente da primeira. A começar pelo fato de eu ter sido líder. Ou como preferi dizer: cheerleader (risos). Novamente conheci pessoas extraordinárias. E pretendo de verdade poder acumular isso de uma forma relevante. Essa oportunidade que tenho de crescer com pessoas que se tornam quase íntimas em um pequeno período. A família que para qual eu e minha equipe construímos me encantou. Não queria parar de abraçá-las. A dona da casa, Ana Lúcia, e sua irmã protetora, Ana Maria, são pessoas incríveis. Não ouso escrever o que conversei com as famílias, não por ora, e não sei o porquê. Acho que deixo para cada um a vontade de vivenciar essa experiência, e saber o que eles têm a dizer. Em termos de construção, foi bem fácil. Dessa vez não tenho como reclamar da logística ou dizer que eram poucos voluntários em minha equipe. Foi uma construção corporativa, o que me fez conhecer os funcionários da Prosegur. Não sei quanto aos outros, mas posso repetir uma coisa: VAI CASA UM! (risos). E garanto que isso já diz muito a poucos. Não vejo a hora de encontrar essas pessoas novamente. Cada um determinado de uma forma, encantador de uma forma. Eu e minha eterna mania de me apaixonar pelas pessoas, coisas e acontecimentos. Mas de fato minha equipe foi bastante acolhedora. E não poderia esquecer meu parceiro na liderança... Ele sim foi o líder, mas sinto que de algum jeito, demos muito certo juntos. Ainda não sei como é uma construção convencional do Teto, mas não tenho pressa. Foram dois dias excepcionais de construção. Mais ainda na entrega da casa, que (por incrível que pareça) me faltaram palavras. Ah! COMEÇOU NÃO PÁRA! Fato!

(VAI CASA UM!!!)

Enfim...

...consigo enxergar de forma clara o meu querer. As coisas parecem estar se encaixando. Minhas certezas hão de se firmar no decorrer desse mês. Ah Outubro... Parece tentar me soprar para o infinito de possibilidades... Incertas, por ora, de fato. Mas suficientes. Sinto que as noites têm clareado minha vida. Assim mesmo, num paradoxo poético. Tudo parece tão simples que quase me assusto. Sorrio, perene... Vou vagando pelas idéias, pelos desejos, pelas lembranças. Engraçado ver que no geral, meu desejo continua estável. Talvez adaptado, rearranjado. Mas ainda segue uma mesma linha de determinação. Me sinto esperançosa e bem. "Não é porque poderia ser melhor, que isso exclui o fato de ser bom". Exatamente isso. É... Exatamente isso!

("Não é porque poderia ser melhor, que isso exclui o fato de ser bom" - G.M.)

sábado, 2 de outubro de 2010

Sublime

Eu prefiro dizer que é agonia, não saudade. Porque não chega a ser saudade. É um tipo de aperto que me dá... Me dá no peito, me dá na garganta. Tudo isso porque sei que cheguei em um nível de felicidade tão sincera, que me envergonho verdadeiramente de sentir. Vergonha minha de mim mesma. Quase irônico, mas não chega a ser. E entro em sonhos e nostalgias deliciosas, de acontecimentos mais deliciosos ainda. Deliciosos por serem verdadeiros. E essa palavra agora me pertence. Não caibo mais em mentiras, desacertos e enrolações. Mas também, ainda não caibo em Carpe Diem. Quero poder sentir o que sinto, sabe? Eu preciso, eu quero, eu posso. Sentir minhas sensações e deixá-las serem minhas. Confuso ou óbvio? Pra mim, sublime!

(Deixar minhas sensações serem minhas...)

Foi bom!

Abraçar, apertar a mão, encostar na perna, apoiar as pernas, tocar o rosto, passar a mão pelos cabelos, olhar nos olhos, apertar as costas, massagear as costas, apertar o braço, agarrar a cintura, tocar o peito, encostar os pés, dançar abraçado, dançar separado, sentar junto, sentar separado, enrolar as pernas, abraçar as costas, apertar o pulso, sentir a respiração, sentir o hálito morno, sentir cair em sonho, rir da mesma coisa, beijar a boca, beijar a bochecha, beijar a testa, beijar os olhos, beijar o beijo! Ah! Como foi bom!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Hoje...

...eu errei seu nome. E isso acho que era pra ter me dado um certo tipo de tristeza. Mas não... Minha alma permaneceu tranquila, numa quase felicidade envergonhada. E hoje, enfim, me sinto verdadeiramente livre. Assim mesmo, como se tivesse estado presa anteriormente. Presa à uma idéia, triste idéia. Mas ainda me falta exata uma semana para me libertar por completo. E eu sei que dessa vez não quero mentiras, e consigo viver bem sem elas. Permaneço com um tipo de felicidade sublime, e bastante emocionante. Resta-me agora o arrastar de uma sexta-feira à noite monótona, mas (risos) extremamente necessária...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Incondicionalmente

Que sincera vontade de gritar. Mas que saco de insônia!!!!!!!!!!!!!!!!! Que saco! Odeio todos meus amigos que me fazem virar morcego, trocar os horários! Odeio todos meus amigos por me fazer viver! Por me fazer sentir! Por me fazer rir sempre e ter a certeza de que no final tudo dá certo! Odeio todos eles, todos nós, toda essa nossa certeza! Odeio saber que sem eles eu não viveria! Odeio saber que posso contar com eles pra tudo! E falo isso quase rindo, ou quase chorando (depende da tpm)... Odeio poder contar-lhes minha vida, sem omitir fatos! Odeio ter a maior vontade de beber cerveja, e ter deles a melhor das companhias! Odeio amá-los de uma forma que não cabe em mim! E odeio mais ainda, saber que todas às vezes que disse "odeio" quis dizer "AMO INCONDICIONALMENTE". Saco de insônia...

(Amo incondicionalmente todos os meus amigos...)

Bom pra você

De repente cada parte do meu corpo quer "ele". Minhas mãos querem as mãos dele. Meu sorriso quer o sorriso dele. Meu ouvido pede por sua voz. E até meus pés se perdem, procurando o caminho que os pés dele têm seguido. Isso me é estranho. Até porque hoje, estranho, ganhou mais de mil definições na minha cabeça. Até porque hoje, me libertei e pude voar, e voei. Suas palavras afastaram lentamente meus fantasmas. Aqueles mesmos fantasmas. Aqueles meus fantasmas. Deixo então de me desesperar, e com isso vivo. Vivo cada emoção que não sei definir. Não sei, e não quero. Mas quero senti-las da forma mais intensa e sincera que eu puder. Se caio no clichê me levanto sem perceber. E dói, me dói a bochecha por não parar de sorrir. Sei que não posso, e não vou transformar numa coisa ruim, algo que me é tão bom. Quero fazê-lo, senti-lo e pensá-lo ser bom para tentar, descobrir e permitir que me seja bom.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Luz, câmera, AÇÃO! [7]

http://www.youtube.com/watch?v=KDv3jyWrW9U

Meu coração dispara!

Ele não era meu. E nunca fora de verdade. Até porque algo assim tão possessivo nunca é tão válido. Eu só queria que ele estivesse comigo. Até porque sinto de novo o medo de deixar a cidade que é próxima, por uma outra muito distante. Eu lhe confessei me ser uma inspiração. Atitudes, gestos, palavras. Tudo me era reconhecível, antes mesmo de tornar-se amável. E quando tornou-se amável? Eu também não sei. Mas esqueci, é claro, de que nunca é tão fácil... Não diante da escolha que tomei ao querer partir pra longe. E quase esqueci seu rosto. E quase esqueci sua voz. Mas os dias que passamos juntos compensaram os dias que não o vi. Passamos mais dias, outros dias, juntos e separados. Não pelo querer, querer não nos faltou. E que me padece a alma. Eu me perdi no beco, eu me perdi em Gaudí, eu me perdi na chuva. Mas eu já sabia que seria assim... Encontrá-lo para perdê-lo, e me perder junto, ou separado...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Hoje eu fui julgada.

Confesso que me senti revoltada, inquieta, inconformada. Me julgaram de uma maneira tão natural, e sei que na verdade quem me julgava não era quem eu pensava. Me julgaram por expor minha opinião, por defendê-la. E disseram, novamente, que eu falo demais. E isso me entristece de uma maneira que não sei colocar em palavras. Então da mesma forma que me revoltei, me inquietei, me inconformei, agora calo-me. Não quero tomar as rédeas e ser julgada. Minha vontade pra isso é zero. Zero. No exato momento, a mesma intensidade que senti ao querer vir, quero ir. E vou.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Encontrá-lo para perdê-lo

Eu leio seu nome sem ler e arrepio. Todas aquelas letras juntas me causam um tipo de ciúme não enciumado. Mas elas sempre se embaralham... E acabo me perdendo nos pensamentos que elas juntas ou separadas, tanto faz, me causam. Aquele quarto não era meu, aquelas palavras não eram minhas. Mas meu corpo e minha vontade estavam lá. O que o não-término daquela noite me causa é inexplicável. Ficou entalada em minha garganta o querer falar do quanto eu te queria... E lá vou eu de novo. Lá vai ela de novo. Lá vamos nós: encontrá-lo para perdê-lo mais um pouco.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

E dá-lhe recomeços

Que felicidade esquisita. Me sinto MUITO feliz. Talvez a certeza de participar tão cedo de outra construção do Teto me dá uma alegria que não sei dimensionar. E não por mim, mas pelos outros. Novamente as famílias e os voluntários. Dá vontade de viver fazendo isso... E é fato que estou cheia de amor, animação, vontade, força, esperança e alegria para distribuir a quem os quiser. Mesmo tendo mil coisas pra fazer na faculdade, sei que no final tudo dará certo. É uma questão de escolha! Eu escolhi ser voluntária de corpo e alma! Que venha outro líder, outra equipe, outra família, outra construção. Não adianta... COMEÇOU NÃO PÁRA!!!!!!!!!!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Let it be


Me sinto tentando amar o mundo todo de uma vez só. Digo amar, porque tudo que amo, prezo de forma inimaginável. E atualmente, venho tentando tomar conta do mundo. O que me faz esquecer de mim. Não que seja ruim, mas tenho pensado mais nos outros, do que nas obrigações que tenho. E mesmo vivendo sempre mais o agora, do que o depois, ou do que o antes, sinto que estou deixando alguma coisa de lado. Esse turbilhão de pensamentos se deu pelo fato de ter revisto ontem o filme "Across The Universe". De fato, ele tem um poder sobre mim que não explicar. É um filme que me faz sentir todas as sensações possíveis. E me fecho numa nostalgia inigualável em seguida. Querendo corrigir uma realidade que não vivi, e nem poderia. Mas fico assim, amando histórias, coisas que fiz, pessoas que conheci, e me estranhando cada vez mais com a vida, com a verdade, com a arquitetura. Sinto que começo a conhecer tanto as coisas, e gostar tanto, que passo a estranhá-lhas. Não sei se isso tem sentido, mas é isso que estou passando. Ando sem assunto com as pessoas, mas me sinto cheia de opinião para coisas que as pessoas já não têm mais paciência pra conversar. Acho que enfim, e por incrível que isso pareça, começo a sentir falta das noites que passava bebendo no Jutas, lá em Santos, e falando sobre a vida, e falando sobre nada, tudo, e qualquer coisa que passasse pela minha cabeça, mas que não tinham nenhum embasamento acadêmico, não seguia nenhuma pesquisa universitária, ou um conceito aprendido em sala de aula. Não encontro uma solução pro que vivo, e também não sei se isso faz-se assim tão necessário, encontrar. Quero mesmo é perder-me across the universe!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O farei

Enquanto eu puder não fazer nada, o farei
Permanecerei imóvel, estática, intacta

É tudo tão monótono, repetitivo
Esses cânticos enfadonhos me sufocam

Preciso viver
Porque enquanto não vivo, deixo de existir

E se não existir
Não vou poder fazer nada


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Frank O. Gehry

Dança arquitetônica
Quase que irônica

Formas disformes que inconformam
Formam frases cinemáticas, sinestésicas

E eu perco os sentidos
Os misturo, os confundo

Do papel ao mundo
Da linha ao fundo

Onde tudo pede experimentação
Exaltação, excitação, sensação

Num processo sem regra, sem régua, sem trégua
É um parto intrínseco das idéias

sábado, 31 de julho de 2010

Favela

Que eu vivi essa experiência, eu não posso negar. Ficaram em meu corpo as marcas desses cinco dias, ficaram em minha alma. Que eu me apaixonei fervorosamente por pessoas diversas, e agora elas me fazem uma falta que não sei como suprir, também não nego. E reconheço a dificuldade em largar minha cidade agora, por esta ser tão perto da cidade onde minhas atuais inspirações residem. Porque agora, enfim, encontrei inspirações. Porque agora, enfim, encontrei espelhos. Se um dia procurei ídolos, hoje os tenho, os conheço, e de algum jeito eles já fazem parte de mim, e talvez eu também faça um pouco parte deles. Não esperei, nenhum segundo sequer, reconhecimento. Acho, sinceramente, que pela primeira vez me dei por inteiro. E foi isso o notável. Lutei, literalmente, por uma causa. Lutei contra mim e com eles. Contra mim lutei nas dificuldades, nas quase-desistências, nas indecisões. Com eles lutei por uma casa, por um recomeço, por algo que não sei nomear. E se passado mais cinco dias, daqueles cinco dias, eu continuo gripada, é porque não saiu de mim, não saiu de meus pensamentos, tudo que aprendi, tudo que vi, tudo que senti. Desamparo é uma palavra que tomou forma. Somos uma sociedade desamparada. E não é preciso procurar na extrema pobreza esse desamparo. Basta olhar a lua, e ter certeza que é a mesma que ilumina, de forma igualmente esplendorosa, uma favela.

favela (é)
s. f.
1. Bras. Conjunto de casebres toscos e miseráveis, geralmente em morros e onde habita gente pobre.
2. Por ext. Lugar de má fama, sítio suspeito, frequentado por desordeiros.

Essa definição me parece vazia de sentido. Mas me sinto instigada o suficiente para assumir que desconheço uma definição mais apropriada. Talvez o que não faça sentido pra mim é "gente pobre". E isso me confunde. Porque sim, são pobres, mas não entendo, não concordo, não aceito. Em alguns aspectos, relevantes ou não, não sei, eles me parecem muito mais ricos do que eu. Porque querendo ou não, tudo que aprendi, foi me tomando como comparação. Me ensinaram valores, que moeda nenhuma compra, que nenhum outro valor que eu tinha, compensa. Então fui eu, a pobre, oferecendo minha vontade, para somar com a vontade restante deles, para juntos, lutarmos. Eu contra minha pobreza, eles contra a pobreza deles. Falta sentido também em "desordeiros". Aliás, isso carrega um preconceito que hoje me envergonho de antes ter me identificado. Que ordem há de se seguir numa "sociedade desamparada"? Que parâmetro uso para julgá-los (de longe) como desordeiros? Por que sempre caio da redundante hipocrisia? E quais são as indagações que posso me permitir fazer? E quais delas posso me permitir responder?

Às favas?
Às velas?
É ela,
FAVELA.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um teto para meu país

Nada mais me parece ter sentido, a não ser: CONSTRUIR, CONSTRUIR, CONSTRUIR. É alguma coisa, que eu não sei o que, que parece viciar. Os voluntários, as famílias, o mundo que conheci: tudo muito incrível, extraordinário e único. Essa tal ONG "Um Teto Para Meu País" é agora a parte mais intrínseca em mim. Num primeiro momento achei loucura aceitar passar 5 dias das minhas férias de julho de 2010, com pessoas desconhecidas, construindo casas para tantas outras pessoas também desconhecidas, sem tomar banho, numa favela. Mas então, aos poucos, todo preconceito foi se esvaindo. Toda a imagem implantada na minha cabeça, ruiu. É uma realidade muito pior do que parece. É uma realidade muito melhor do que parece. Assim mesmo, ambíguo. Isso porque existem necessidades mais extremas do que pensamos. Isso porque existem pessoas bem melhores do que pensamos. E dessas pessoas entenda-se voluntários e famílias. Ficamos todos juntos, vermelhos, laranjas, famílias, vizinhos, todos em prol de uma só meta: 100 casas. E se a viagem foi uma peleja, se a estrada foi estreita, tudo valeu a pena depois. Cada piloti, cada viga, cada caibro, cada tábua de piso, cada painel, cada viga mestre, cada viga secundária, cada caibro no teto, cada telha, cada cumeeira, cada prego, tudo valeu a pena, é fato. Se a mão doeu, se as costas doeram, se deu dor de cabeça, se a calça sujou, se a blusa rasgou, se perderam as luvas, se acabou o dorflex, se faltou água, se faltou boné, se fez calor de dia, se fez frio à noite, nada mais importa. Construímos tetos, reconstruímos vidas. Talvez se não fosse o terreno, talvez se não fosse a distância, talvez se não fosse o peso, talvez se não fosse a logística, talvez se não fosse o mundo, tudo teria sido mais fácil. Mais fácil? Qual a graça? O bom mesmo foi ter sido difícil, e ter sido muito mais difícil do que esperado. Porque desde o primeiro dia nos disseram a palavra chave dessa construção: SUPERAÇÃO. E quem não se superou, não esteve nesses cinco dias, ralando, sofrendo, trabalhando, chorando, gritando, amando. Porque é isso: VAMO TETO! É um grito que saiu da minha garganta tantas vezes, que mais nada agora sai dela. E pensar em segurar a lágrima na hora da inauguração das casas foi inútil, porque em contrapartida, todo trabalho para conseguir isso não o foi. E agora eu amo pessoas que convivi só cinco dias. Mas foram os cinco dias mais intensos e mais extensos que vivi. Foi de longe a melhor sensação. Força, vitória, união, superação, teto. Qualquer que seja a palavra. Fato que conquistamos cem tetos para meu país. Se alguém achou pouco, não tem o menor problema. Porque para todos os voluntários do Teto e para todas as famílias, agora é só um grito que nós podemos dar:
COMEÇOU NÃO PÁRA!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Poliana apaixonada (7)

Poliana ria-se da realidade de estar acompanhada pelo conde. Era quase irreal. Chegaram rapidamente à casa noturna. E logo na entrada Poliana sentiu-se feliz. O lugar era bastante bonito, diferente dos que ela costumava ir em sua pacata cidade. Mais feliz ainda ficou ao entrar na casa. Poliana podia sentir o quanto iria divertir-se ali. Claro que não sozinha, e não haveria companhia melhor para o momento.

Deixou-se levar pelas conversas longas, quase monólogos egoístas seus. Ninguém haveria de culpá-la, tentava ao máximo se exibir. Se era necessário ou não, impossível prever. O conde conversava ainda tímido, Poliana percebeu. Mas isso tornava-o cada vez mais encantador diante dos olhos de Poliana. A cada palavra, cada final de assunto, ela lembrava-se de ter imaginado mil coisas do conde. E ele mostrou-se perfeitamente agradável.

Quando o álcool já lhe parecia quase intragável, Poliana foi surpreendida por um beijo. Ele, ela, a música, as vozes, o mundo: silenciaram-se. Então, tudo meio insustentável, deixaram-se levar pela dança. E divertiram-se, e apaixonaram-se. Ninguém ali era conhecido de Poliana. Era justamente isso que a fascinava, porque não importava. Contemplava o fato de querer ser só ele e ela. E foram juntos por uma noite desconhecida. Noite que arrastou-se pelo amanhecer. Amanhecer que veio acompanhado de revelações. Inúmeras. Secretas. Suas. Compartilhavam agora uma história particular, só deles. E então a boca amarga de Poliana que chegou em companhia do amanhecer, deixou o conde ir embora numa despedida incompleta.

Poliana, apaixonada, insaciável, não deixaria o conde se perder pela cidade. Voltaria a procurá-lo.

Nunca existiu

Dessa vez foi diferente. Encontrei-os todos, de uma só vez. Fomos, em um momento passado, uma turma. E agora estávamos lá, novamente reunidos em uma sala. Não uma sala qualquer, estávamos numa sala que com certeza traçaria o rumo de nossas conversas. Sempre caindo no mesmo engodo enfadonho da nostalgia. E nesta noite, todos precisávamos um pouco disto. Mas antes de voltar à nostalgia, conversamos sobre o presente. Entrei numa conversa paralela, que me fez sentir estranha. Porque ele fora de minha turma também, mas nunca mantive contato, assim, direto, por mais de cinco minutos. Quem dirá tive conversa mesmo, só eu e ele. Exatamente isso, novamente isso. Eu e ele nunca existiu. Éramos nós, perdidos no meio dos outros. Foi diferente. Em determinado momento, nos lembramos da não existência de "eu e ele", e desconversamos. O que não me foi incômodo. Continuamos todos nós, juntamente com os outros, a conversar. Essa conversa estendeu-se deliciosamente por uma madrugada não-alcoólica. Chegou na nostalgia, como previsto, e foi se desenrolando suavemente, história após história. Corroborei a não existência de "eu e ele" em quaisquer dessas histórias nostálgicas. Quase lamentável. Dada uma hora qualquer, perdida da madrugada, fomos todos nós, juntamente com os outros, embora. Meu contato com ele prolongou-se por mais alguns instantes. Contato direto, meio confuso, cheio de hesitação. Um a um foi ficando pra trás no caminho até em casa. Até que, sentei-me mais longe. E rompi qualquer possível constrangimento. Tive medo, é fato. Porque encontrá-los é sempre meio confuso, sempre um ou outro se destaca, nunca ele, eu sei. Mas tive medo. Evitei. E ele se foi. Sorte que em Santos, posso sempre falar: Até logo!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não sei quando...

Mas em algum momento eu comecei a gostar muito de certas coisas, e ao mesmo tempo odiar muito outras certas coisas. Foram tantas idas e vindas que estão, enfim, por se dissipar. Dessa vez peço licença às pessoas que ainda leem meu blog, para tirar a poética da minha escrita, e declarar como desabafo. A decisão por vir escrever sobre isso, foi o fato de que me vi adorando as pessoas da minha faculdade. E antes de começar, me peguei achando engraçado (ainda) o fato de falar faculdade. Um ano e meio já passou e ainda me alegro em saber que faço f a c u l d a d e. Mais do que isso, faço A R Q U I T E T U R A E U R B A N I S M O (delicinha!). Então... É a primeira vez que tenho essa sensação de estar adorando algo completamente novo. Não foi como entrar em uma escola nova, entrar no escoteiro, entrar na dança de rua, entrar no francês, entrar na aula de bateria... Em todos, com absoluta certeza, fiz amigos sim. Mas não sei se agora sou de fato eu, e apenas isso, não sei se fui crescendo e mudando, não sei... Construí, com certa dificuldade eu sei, algo meu. Um universo completamente novo e amplo. E as vezes em que tudo isso soou estranho, agora me parecem mínimas. Porque ainda é sim diferente estar em Santos e estar em Presidente Prudente. É diferente, e eu não sei em que. Porque chego aqui em Santos, depois de um mês passado lá e penso: estou em casa. Ao passo que, chego lá em Prudente, depois de um mero feriado, ou até férias longas aqui e penso: estou em casa. Se estou em Santos, ligo para amigos, sinceros e amados, e quero vê-los. E agora, enfim, chego em Prudente e tenho também, amigos, sinceros e amados, e quero vê-los. E quero me divertir com todos. Ora quero Santos em Prudente, Prudente em Santos. Porque são cidades completamente opostas, com pessoas completamente opostas. Seja pela praia, pelo ar, pelo plano, pelo declive, pelo sol, pelo nublado, pela música, pelo vento, pelo cheiro. Eu sei que gosto das duas. O cheiro de Santos à noite é, simplesmente, o cheiro de Santos à noite. Não sei explicar. Cheira bem, cheira festa, cheira mar, cheira sal. Me envolvo com o cheiro dessa cidade que, não sei explicar. Agora o cheiro de Prudente é outro à noite. Igualmente inexplicável. No início me causava repúdio, não gostava. Mas, não sei quando, comecei a gostar muito...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uhuuu

Cidadã instigada! É fato! Que fato? Qual fato? Que falta de tato!!!!!!!

Leveza, leve-se, eleve-se!

Que nada! Tudo isso é BABOSEIRA...
Não há certezas, nada me pertence mais...

Talvez em algum momento eu me livre desses pensamentos.
E me sinta começando, e renascendo, solitária. Tendo em vista o novo momento.

Mas eu abri, abri as portas. Deixei tudo entrar.
Levem o que quiserem!!!











CIDADÃO INSTIGADO
Claro...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dos pés à cabeça

Ah! O prazer que senti... Transcendeu de fato! Meu corpo, minha imagem, minha dança, meu aperto e meu suor. É sempre assim: é a arte que me atinge, que me intriga alma. Viramos um só (e sempre faço-me virar) numa multidão. Foram falas confusas que se perderam no encontro com meus ouvidos. E as risadas misturaram-se: as minhas, as deles, as dos outros. Ninguém importava, nem ele, nem eu. Só prezava o prazer. Ah! O prazer que senti... Valeu a pena, de fato. Não importou o lugar, o preço, a música. Misturei tudo, e deixei ao bel prazer do corpo. Dancei com os pés, com os joelhos, com a cintura, com o ombro, com a cabeça. Minha mão na mão, minha mão nas costas, meu rosto no ombro, e o cheiro em mim. E que cheiro. Impregnou mais que na minha roupa, impregnou em meu corpo, impregnou na minha mente. Seu rosto desconheço, mas seu corpo, seu tato, sua dança e seu cheiro tornaram-se meus. Me custou caro, me custou um fígado, me custou um colar. Mas todos os risos que dei foram de graça.

domingo, 4 de julho de 2010

FÉRIAS

E nem acredito ser esse o título do post. Nada poético, mas tão libertador!
Viva as melhores amigas por perto, viva o ócio improdutivo, viva as melhores amigas do colégio, viva a cidade plana, viva o mar e o inverno juntos, viva a casinha dos pais, viva o almoço pronto, viva a cidade nóia que tanto faz falta, viva a ciclovia, viva aos bons bares, viva ao apartamento a duas quadras da praia, viva ao conhecido, viva viva!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

19

Um dia achei que nunca faria dezenove anos! E aí estão eles, escancarados em minha frente. Me sinto tão viva! Fazia tempo que não vivia e fazia tanta coisa em tão pouco tempo. Mas ainda lembro dos meus quinze. E esses quinze nunca mais serão meus.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nossa!!!!!!!!!!!!

Eu choro verdadeiramente, por ter que ser egoísta.
Minha parte egoísta chora, por ter que ser.

Esses versos me acompanharam repetidamente
Por todo um caminho tortuoso que percorri ao deixar pra trás
talvez pela última vez, talvez não,
um lugar que pensei não gostar.

De fato não gosto. Eu adoro.
Não chego a amar.
De fato não amo. Mas adoro,
e de forma igualmente verdadeira.

Paira a tristeza. Por não querer.
"Foco na sua graduação" - Foi o que ouvi.
Mas, e a graduação deles?
Mas, e a minha graduação?
Mas, e a graduação deles?
Mas, e a minha graduação?
MAS, E A GRADUAÇÃO DELES?

De fato não os gosto. Eu os adoro.
Não chego a amá-los.
De fato não os amo. Mas os adoro.

Choro, egoísta.
Mas aguardo, que a minha e a deles, tornem-se
NOSSA!!!!!!!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ela não sabe de mim

Ninguém nunca escreveu como ela. E não falo de Simone de Beauvoir. Falo de outra que me é mais real que esta já dita. Espero também que nunca ousem escrever. Ela ama, ela poesia, ela fumaça, ela intriga. Sigo seus passos sem nem citar o nome. Me escondo da verdade de amá-la de um jeito envergonhado. De amar suas palavras. De amar seu pensamento. Me envolve mais que no olhar. Me envolve mesmo o coração. Porque cada palavra sua me aquece, e simultaneamente, e desesperadamente, me isola. Vago num mundo em que eu e ela não existem quando postas juntas. Eu e ela nunca fomos. Eu e ela nunca seremos. É um fato. Tudo que nos conecta é um passado não conectado. É um mesmo sentimento que não existe em conjunto. É um mesmo sentimento diferente, e separado em tempo, espaço e pensamento. Eu não sou sem ela, mas ela não sabe de mim.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Arranquem as asas!

"Arranquem as asas!" Era mais fácil dizer isso do que nos iludir em frente à uma aprovação. Mais de dez anos deixando-as crescer, para quando enfim as abrimos, elas nos são podadas como meras gramíneas ultrapassadas. "E de que adianta viver sem minhas asas?" Viro bicho desumanizado e volto a ser enjaulado. Quanta hipocrisia! Ouso dizer que foi até falta de esperança. E depois tornam a se perguntar cadê os artistas contemporâneos? Eu respondo: FINITOS PELA ACADEMIA. Mais do que ela, finitos por todo esse universo intransigente de pessoas amargas e estritas. Às favas com esse preconceito que me cerca! Às favas!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Nunca...

...hesitei tanto para, por fim, deixar de fazer.

SACO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Não vou...

...me cobrir de probidade, não vou me cobrir de palavras cultas, nem curtas, não vou deixar de sentir a dor que dilacera a alma, ou todo resto, disso eu não vou mais fugir.

Apago a luz.
Acendo a alma.

E mesmo assim era tudo sombrio. Não pela penumbra. Mas era um tudo junto tão fragmentado que me assustava. Aqui crianças a brincar, ali crianças a se drogar. E o ônibus que não passa, e o frio não embaça.

É porque é, e eu já não sei responder. Vago vaga-lume.

E mesmo...

...que não seja belo,
é o meu amor.

Sei que não é o Tejo,
mas é rio e sente minha dor.

Quem sabe o velho ou a criança, já não sei.
Tudo nisso me surpreende.

E quero não querendo,
e sonho não sonhando,
e penso não pensando,
e vivo não vivendo.

E é essa a pior a parte.
A que dói e não é arte.

Se quer, eu fujo,
se foge, eu quero
Se some, um pulo,
o resto eu libero.

Mas que resto?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma...

...vez eu li que as coisas não existem lá fora se não estou presente para vê-las existir. Portanto o que existe agora sou eu, palavra e computador. Sempre achei esse um pensamento suficientemente bom. Até agora. Até agora que li esta frase: "Ainda existe sem que haja quem o veja!". E então parei de ler o texto, e voltei a divagar sobre a existência ou não-existência das coisas. Resolvi inverter a história. Se para mim existe agora "eu, palavra e computador", para os outros eu não existo. Ninguém está presente para me ver existir. Isso me deu um desespero tão grande. Normalmente eu seria auto-suficiente para não me importar, e até achar confortável a ideia de existir só pra mim. Mas agora todo meu pensamento se dissolveu, porque eu "Ainda existo sem que haja quem me veja", ou não?
"Não tenho mais pressa
Não quero correr
Vou em frente
Desato os nós calmamente"

- Música sem nome
Autoria: Biro e Pétilin

Parei

Como me esconder de mim mesma? Como me esconder de meus pensamentos? Eles são tão intrínsecos que quase me assustam. Não sou de me arrepender das coisas, mas nos últimos tempos ando questionando minhas ações. Tenho feito tanto... Tanta coisa que na verdade não resultou em nada. Será então que se eu não fizer nada, resultará em tanta coisa? Sinto-me irremediavelmente estagnada, novamente... Porque sim, essa sensação já me pertenceu outrora. Que saco! Achei que demoraria mais tempo para voltar a esse sentimento, e talvez as soluções passadas já não sejam eficazes, tendo em vista situações diferentes. Ah! Quem sabe... Enfim, parei. Novamente. Porque "enfim parar" nunca cansa, mas estagnar sim.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Hipocrisia

Ora me identifico e assumo. Ora repudio e assumo. E agora? Nego? Sinto que é mais que fingimento. E agora? Sigo junto? Viro enfim uma mesquinha capitalista classe média? Viro então uma estudiosa socialista revolucionária? Ou viro pássaro, tucano? Ou nem me viro. Falta de personalidade depois dos 60 anos é crise. É isso que me preocupa. Chegar aos vinte e poucos não sabendo se fico ou se vou até vá lá. Mas passar 60 anos me enrolando e enrolando os outros é mais do que cansativo, não é? Aos 18 já cansei dessa história toda. Quem dirá daqui pra frente? E dessa vez não é por dizer que mudei. Nisso, aliás, sempre fui a mesma. Mas que mesma que eu fui antes pra continuar sendo?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Texto e cara à tapa

Resolvi me expor. E essa frase não parece sair de mim. Quando que Pétilin Assis de Souza iria enfim assumir sua escrita? Que escrevo entrelinhas as pessoas já sabem, mas sobre quem escrevo costumo esconder até de mim. Pois é, entreguei meus textos aos seus verdadeiros donos. As palavras são minhas por completo, disso eu sei. E todo o conjunto? Será meu? Que critiquem então meu ponto de vista. Gostando ou não, que carreguem o fardo da minha opinião... Resolvi me livrar dele.

terça-feira, 13 de abril de 2010

E me pergunto:




Quem é ele?

Um violão?
Um saxofone?
Uma mesa de churrasco?
Uma piscina?
Um sofá-cama?
Uma mentira?
Um amanhecer?
Uns cigarros?
Umas cervejas?
Um música dos Beatles?
Um dvd do Djavan?
Um chapéu esquisito?
Uma boa foto?
Um duplex?
Uma boa vista de Santos?
Uma noite nas férias?
Um cajon?
Uma descoberta?
Um tiro ao alvo?

Muitas de minhas histórias são ele.
E quando as terei novamente?
E quando o terei novamente?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quem era

Quem era ela se não uma mera desconhecida? Vivia nas sombras dos grandes nomes, das grandes imagens, mas não de grandes pessoas. Suas falhas foram registradas de maneiras épicas e quase eternas. Talvez em algum momento se perdesse numa versão ultrapassada da música. Um LP, uma fita, um cd, um mp3, um mp4, ... O tempo passa e ultrapassa. Mas ficará sempre na memória de quem ainda ouve, de quem ainda conta, de quem ainda sabe. Ouve, conta e sabe que aquela era sua voz, aquele era seu pecado, aquele era seu prazer. Era tudo dela. Mas quem era ela?

sábado, 27 de março de 2010

Me encanta

Ah! Mas tem alguma coisa nele que me encanta, e eu não sei bem o quê. Talvez a voz grossa, talvez a risada rouca, talvez as palavras doces, talvez tudo. E eu ainda sinto aquele abraço úmido. E não sai de meus pés aquela dança confusa e rodopiante. E aquela vontade que veio não passou. E aquele beijo veio, e me calou, e ainda me cala.

Ah! Mas tem alguma coisa nele que me encanta. Talvez o beijo, talvez o abraço, talvez o aperto, talvez tudo. E eu ainda sinto aquela junção de cabelos. E não sai de mim o calor que veio dele. E fica um querer não querendo. E agora que me calo, vou só.

terça-feira, 23 de março de 2010

Aí sim! Fui surpreendida!

Hoje em dia eu tenho medo de escrever. Fico pensando em quem pode ler isso. Porque lendo meu blog é possível desvendar minha alma. Ê alma! Mais do que isso, podem saber ler entrelinhas. Que sou um livro aberto todos sabem, mas até que ponto sou capaz de permitir uma invasão que eu mesma abri a porta para que adentrassem? (Não sei!)

Enfim. Descobri o quanto eu posso crescer. Não que eu saiba limites. Mas vejo um horizonte distante para alcançar. Não de uma maneira cansativa, não mesmo. Na verdade isso me anima muito, MUITO, MUITO. São tantas coisas dando certo, e eu nem queria nada pra esse ano. Esperava mais um ano de faculdade, regado de um pouco de diversão. E nossa! Estou indo além das minhas próprias expectativas! Isso me orgulha, porque sei que orgulho meus pais também. Me sinto nada mais do que honrada em poder mostrar minhas conquistas para eles. Não quero mimos, quero retribuir.

Esse ano passei até a ser chamada de professora! Aos 18 anos, sendo chamada de professora? Nunca imaginaria. Repassar o que aprendi no cursinho, nada mais gratificante. Outra forma de retribuir. Não recebo para ministrar as aulas de Gramática. E, nossa! Que prazer!! É um constante superar de dificuldades: nunca aprendi a dar aula, mas passo o que sei, e acho bom (por ora é suficiente).

Tanta coisa pra fazer, e eu aqui... Querendo uma vida que já é minha, sonhando com coisas que já tenho.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Da sede eu trago...

Quando digo que tenho sede, não me falta água... ME FALTA MUNDO!
Ah que sede que tenho dessa imensidão.
Ou até, apenas da pequenas partes, das pequenas cidades.
Uma falta puxa outra. E fico querendo tudo,
mundo,
mudo.
Mas pra isso me transformo,
muto.
Rompo minhas barreiras, fragmento meus pensamentos.
Levo pouco. Mas trago muito.
Trago leve e solto. Como um trago num cigarro. Mas ainda trago muito...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Divagando...

Faço-me crer em poucas palavras. Mas às vezes nem eu mesma consigo acreditar em todas essas histórias, elas são quase surreais. O engraçado é que são minhas. E eu tenho esse jeito mais calculista. Eu sei o resultado das coisas. O ser humano é sim óbvio e previsível. E isso está voltando a me irritar, essa minha mania de entender o que vai acontecer. Gostaria de ficar tão surpresa com os fatos quanto os outros, não consigo. Não sei ler expressões, mas acho que sem querer estou atenta a tudo. Não gostaria de estar...

É... Deixa pra lá, vou tomar um bom banho e curtir minha sexta-feira à noite. O resto, é resto.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Se conheço, desconheço

Ele era diferente. Disso eu sabia. O rosto era incomum, mas já tornara-se parte de meu dia-a-dia. O nome, mais incomum ainda, mas haveria de tornar-se parte de meu dia-a-dia... Nunca tínhamos conversado. O xaveco estava meia-boca, mas me era suficiente. A cerveja esquentava enquanto uma rara conversa fluía entre nós. Na verdade, não éramos nós. Eram nossas almas embriagadas que mantinham-se sedentas por um pouco de romance. Mas foi intenso. Mas foi confuso. As lembranças me vêm em fragmentos. A festa, as pessoas e nossas almas embriagadas. Do primeiro beijo me lembro uma sensação de conquista. Sensação essa que me pareceu mesquinha demais depois. Ele não era mais um, merecia a sensação que viera logo a seguir: a de segurança. Sua mão pousava tranquila num aperto firme em minha cintura. E nada de machismos, mas ele tornara-se meu homem em poucos instantes. As brincadeiras alheias me divertiam. A embriaguez alheia fazia-se repetir em frases que quase nos constrangiam, mas que no fundo me confortavam, da parte dele não sei. Arrancava-lhe uns sorrisos e continuávamos juntos. A história alongou-se por festas e noites. E entre nós a cerveja ainda esquenta...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Umbiguismo

Desordenado, descontrolado, mas meu. Unicamente meu. As inconsequências, minhas. As festas, minhas. Nada é da noite se acendo uma luz. Nada é da música se não a escuto. Pra mim não existe conversa quando estou longe e calada. O mundo lá fora não existe pra mim que estou aqui dentro. E acho esplendoroso...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Poliana apaixonada (6)

Poliana sentia-se esplendorosa ao descer as escadarias da casa de seu conhecido. Sua respiração era agitada. Seu nervosismo era tal, que decidiu ir à pé até a estação onde estaria o conde a sua espera. Ficava repensando frases que diria ao encontrá-lo. Nenhuma parecia digna o suficiente para o momento. Sorte que saíra já com um drink à mão. Nada como um drink para descontrair.

Virou então a esquina que enfim chegava à estação, e o viu de longe. Era mais do que ela esperava. A cena quase se congelou como num filme. Pareceu a demora de uma eternidade para conseguir alcançá-lo. E lá estava: alto e lindo. Vestia-se bem, à altura de um conde. Cabelos encaracolados, mas ainda assim, curtos. Mas ah, nada disso importou tanto quanto seu perfume. No simples cumprimento, ela pôde sentir o perfume que exalava desse ser alto e imponente. Sentiu-se quase sem graça pelas suas sandálias baixas. Nada que fosse atrapalhar.

Ele então começou a falar, e Poliana percebendo seu nervosismo também, tratou logo de oferecer-lhe o drink. Ele era uma graça: envergonhado, mas isso de alguma forma a atraía. Propôs inúmeros lugares, e conversaram ali rapidamente antes de decidir onde iriam. Era uma casa noturna ali mesmo naquela região. À noite cabe o segredo do nome do lugar. À noite, e a eles. Chegaram à casa da noturna.

Poliana mal poderia esperar por esta noite.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fulano, o irmão de um amigo meu

Hoje fui acordada de um jeito estranho. Mas um jeito que me fez rir. Num primeiro momento me irritou, porque fui dormir com a intenção de acordar quando não aguentasse mais aproveitar o ar-condicionado e o conforto do colchão do quarto da minha mãe. Mas isso não foi possível. Lei de Murphy. Claro que alguém me telefonou... Não esperava a ligação dessa amiga, muito menos pude esperar o que ela tinha pra me dizer. Me senti novamente com 15 anos. Primeiramente ela perguntou meus planos pra noite de segunda-feira em pleno Carnaval. Até aí, nada de absurdo. Falei que já tinha o que fazer. Normalmente quando faço isso, a pessoa lança a proposta mas não bota uma fé. Hoje foi diferente. Ela lançou um lamento animado, sabe? Enfim. E disse que tinha uma festinha. Já comecei a achar estranho. Tudo bem, somos amigas. Mas me ligar pra uma festinha aleatória na casa de alguém completamente desconhecido? Não poderia ser só isso. E então ela falou: Sabe quem quer ficar com você? - Pronto, estava explicada a ligação cedo e iniciou-se a sensação de 15 anos... Antes mesmo de perguntar quem era, porque obviamente eu quis saber, já estava achando a maior graça. Mas perguntei: Quem?????? - Com muitas interrogações assim mesmo. E ela disse: Fulano. - Na hora, achei que não eu não conhecia ninguém chamado Fulano. Mas então conhecia. Sabe aquele irmão mais velho, daquele menino que estudou com a gente uns tempos e que a maioria das nossas amigas achavam ele superbonito, e eu não? Pois é. Fulano. Mas a imagem dele que veio na cabeça foi até de alguém bonito. Primeiramente pensei: Por que não? - Ah! Até parece que é tão simples um por que não... Foi então que eu realmente me indaguei, e logo fiz a pergunta, de um jeito bem pré-adolescente: Tipo, como assim? Da onde que ele quer ficar comigo? Como você soube? - Comecei a me sentir mesmo com 15 anos. Por que foi aí que caiu completamente a ficha de que tinha chegado mesmo em mim a informação de que um completo estranho queria ficar comigo. Concluí sozinha que devem ter sido as fotos no orkut, tem umas que estou bem fotogênica. Eu sempre aviso que é tudo falso, mas o povo insiste em acreditar. Mas é, eu não vou nessa festinha mesmo. Já tenho planos...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Contrato em desacordo

Ele não fala, eu não pergunto. Ficamos assim, num contrato silencioso. A noite de sábado será pra sempre um mistério. É necessário muito blefe pra deixar tudo acontecer. Talvez uma manha a mais no Truco me ajude a não querer ver as cartas que ele escondeu. Não que se trate de jogo. Mas é quase, só não temos vencedores, porque no final, todo mundo perde...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sinestesia é para os fracos

Pra que tanta sinestesia? Bastam-me os cheiros, e as cores, e os paladares separadamente. Abandonei esse vício poético de aromas coloridos ou palatais. Do pão me é suficiente o pão por si só, e findo a discussão.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Intensidade

Nunca mais serei tão intensa. Na verdade isso é mais uma dúvida do que uma afirmação. Ou é mais um medo? Não sei responder. Às vezes perco as palavras que queria dizer, às vezes perco as sensações que outrora senti. Isso me é quase incômodo. Talvez as experiências desse novo fevereiro, não sejam tão novas (ou intensas?) quanto as do velho fevereiro. Paira em mim a dúvida. Mas por que essa ansiedade pelo novo? Já não estou em um lugar suficientemente bom, por ora? Por ora? Mas quanto tempo dura esse "por ora"?

Nomes

Foi assim meio estranho. Ler seu nome em um livro que já havia lido, e que agora tornara-se um nome difícil de ler. Quase me senti uma cristã fervorosa lendo sobre satanás. Fechei o livro. Já sei o final da história. Vai saber quantas vezes esse personagem não vai aparecer e vou ter o mesmo "quase susto"... Não chega a ser repúdio, nem ódio, nem medo, nem asco. É um sentimento vazio, à primeira impressão de hesitação. Mas preferi evitar. Já é um nome muito carregado de lembranças que estão tornando-se falhas. Pra que revivê-las? Engraçado foi pensar que meu filho nunca terá esse nome. Não mais...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Um dia ele me descobriu pelo cheiro

Foi até engraçado, entrei em seu quarto sem avisar. Ele estava no banheiro tomando um banho. Deixei a luz apagada, mas não decidia onde me esconder. Acabei andando de um lado para o outro do quarto. Decidi que ficaria na porta mesmo. A porta do banheiro não abria para a parte do quarto que eu estava. E fiquei ali, respirando lento. Ele saiu, cantarolando alguma música que não me lembro bem, e parou, de andar e de cantarolar. Respirou rápido, como um animal selvagem. Vi pela sombra que olhou para os lados. Deu um passo, e olhou para o canto onde eu estava. Na penumbra pela luz que vinha do banheiro vi seu sorriso ao me ver, e sua felicidade não contida na voz que dizia: Senti seu cheiro. Ainda molhado me abraçou. Mas minha memória desse dia se dissipa nesse momento: O momento em que ele me descobriu pelo cheiro.

Descondicione-se! Desembale-se! Tire enfim suas amarras entranhadas. Ninguém além de você é capaz de te prender de tal maneira. Quebrar a rotina é pouco. Jogue logo às traças tudo ao seu redor. Deixe que definhe e que se esqueça e se embarace nas próprias lembranças. Certas coisas não merecem tanto prezo, tanta atenção. A dificuldade maior é enxergar, assumir que envelheceu. Passou sim, mediocremente, da validade. E se é velho: jogue fora. Deixe seu baú livre de velharias. Abandone se não tem mais o que extrair. Não se deixe sufocar pelos outros. Simplesmente vá embora.

Um reconhecimento, uma mudança

Ah, talvez eu não seja do tipo exemplar. Mas sou alguém que se esforça. Não acreditava que eu era assim, sempre tentei ser. Hoje descobri que de fato sou. De um jeito quase irritante, e bastante perfeccionista. Talvez na maioria das vezes não me falte vontade, mas sim tempo. Tenho muitos problemas com esse tal de tempo. Não sei me planejar pra fazer ele funcionar comigo, e parece que acabo me dividindo em tempos errados, e aproveitando muito pouco de muito. Hoje também descobri que isso já não me completa. Não quero mais ser um pouquinho pra muita gente. Quero ser muito pra pouca gente. Tá, já reconheci... Um passo dado.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Toda surdez será castigada

Já dizia Nação Zumbi... Até que ponto vai o absurdo? Um filho que mais parece um surdo, com um fone de ouvido tocando música no último volume para não ouvir o pai. O pai que ainda assim insiste em gritar para ver se o filho ouve. Geração de surdos... Mas fazer o que? Não se nasce sabendo ouvir, pode acreditar que não. Como pode-se ignorar tanta coisa? Como pode-se deixar enclausurar numa bolha sem informação? Desarmem-se! Calem-se! Parem para ouvir o mundo, apesar dele já não pedir ajuda ainda vale à pena parar pra escutar. E espero sim: que toda surdez seja castigada...

domingo, 17 de janeiro de 2010

R.I.P.

(Enfim, respirei fundo e decidi postar esse texto. Um dos poucos escritos a punho. Quis registrar, para não deixar que se perca nas folhas de um caderno velho...)



É como se ele não existisse, e nunca o tivesse sido além de minha imaginação, por vezes nem na imaginação... As lembranças são vagas. Seu tato me parece distante. Mas ainda assim tudo tem um quê de amargo. Falei tanto, pensei tão pouco, transformei em poesia. E logo dissipei algo que talvez se tornaria lágrimas. Estas foram sim derramadas, mas eram poucas: logo cessaram. Em uma semana, menos até, arranquei-o de minha vida. Pensando friamente: matei uma parte dele em mim. Resta ainda um quase nada às vezes muito intenso do que eu era e fui só pra ele. Talvez ele nem saiba disso, e nunca vá saber se não quiser, mas uma parte que era minha nascera dele. Se deixarei morrer? Por ora não tenho a resposta. É assim, uma carta impessoal. Acho que na verdade é de mim para parte dele em mim. Para que eu consiga gastar e definhar este pouco que resta. Fora uma morte lenta, mas nada dolorosa, confesso. É apenas uma questão de escolha...

05/01/2010
* Pétilin Assis de Souza
+ ...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poliana apaixonada (5)

Poliana depois de desapaixonar-se por um, apaixonou-se por tantos outros. E as paixões a levaram às mentiras, as mentiras a levaram ao caos. Tudo muito caótico e impreciso. Poliana precisava livrar-se desses grilhões. Viajar, era sempre uma solução. Abandonou então sua pequena cidade, e partiu enfim ao encontro de seu noivo.

Tentou.

Mas era sua essência: paixão. Não pôde mudar. Negar essa verdade tornara-se impossível. Enfim perdeu o controle. Resolveu descabelar-se. Mas sempre por pouco tempo: apaixonada sempre, paciente nunca. Passada uma semana, já era Poliana novamente. Aquela: Poliana apaixonada. E nada de mentiras, mas muito de caos. O noivo, satisfeito com as próprias loucuras, afastou-se e logo sumiu. Poliana mentirosa e orgulhosa resolveu enfim recomeçar.

Mas como? Se o então conde da Germânia não lhe saía da cabeça? Como se seu nome insistia em aparecer em jornais? Por quê? Não era tudo apenas uma idéia? Por que não esquecer? Poliana mal procurou a resposta, mas voltou a procurar o conde. E voltou à sua cidade. E voltou ao seu lugar no trem. Como sempre malas feitas às pressas. A cidade grande dessa vez não mudara. Mas Poliana resolveu variar: encontrou-se com outro conhecido, em outra parte da cidade. Talvez dessa vez não ficasse tão perdida. Soube então que o conde descobriu sua procura, e passou a esperá-la na estação. Ansiosa, mas nunca nervosa, Poliana arrumou-se, como se fosse sua única chance e saiu.

Poliana foi, enfim, encontrar o conde da Germânia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cuidar de mim

"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
- Clarice Lispector

Por quê? Como? É assim que eu ando, taxando interrogações. Não aos outros. Extremamente introspectiva e cansada de julgar. Sinto uma necessidade, temo que efêmera, de cuidar de mim. Não sei se egoísta ou não, mas quero meu bem. E que isso não seja entendido como uma forma de me destacar, brilhar ou enfim. Mas se o fizerem, pouco me importa. Temporariamente egocêntrica, mas de forma intensa. Se incomodar, não tenha pressa, dou a certeza de que passa, isso eu não temo.

Peço desculpas pelas pausas. Mas meus pensamentos estão vindo fragmentados.

Não sei dizer ao certo onde foi que terminou minha vontade do outro e se iniciou a vontade plena por mim. A vontade de viver sem compartilhar. Talvez as discussões em bar não tenham sido errôneas. Já que concordo que felicidade plena (dado que ela existe, não discutirei isso - por ora), só é real quando compartilhada. Mas ando (de forma inversa) plenamente feliz sem compartilhar tais felicidades. Sentimentos unicamente meus, sensações exclusivamente minhas, e pensamentos, redundantemente, meus também.

Se é sempre assim, não sei e também não acho. É só que agora isso me parece muito mais em destaque. Essa coisa de ser meu. Mas sem o sentimento de possessão, já que hora ou outra divido com o mundo minhas experiências (visto até que estou aqui, escrevendo - tudo bem que é preciso ter participado de tudo e saber ler entrelinhas...).

O ponto é só que preciso escrever como numa forma de registrar o início do meu egocentrismo descomedido. Para que não me venham com: Por quê? Como? - Já disse que não o estou fazendo com os outros, justamente para não fazerem comigo.

Se interessa, repito: Passa. Mas não me apresse.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Como não me apaixonar?

Ao invés de desprezar tudo e todos, passei a admirá-los de forma irreparável. Mesmo em seus maiores erros os seres humanos são esplendorosos. Até os 'chacais da pior espécie' hoje os observo com sincera reverência. Porque na verdade menos do que admirar: eu me impressiono. Ainda estamos numa geração cheia de impressionistas. Com tantos que querem se destacar, de diversas maneiras. Mas julgar essas maneiras como piores ou melhores, não é algo que me cabe. E então me pergunto: Como não me apaixonar? Sou assim, volúvel. Me impressiono, admiro. E passo a suspirar longamente por tudo e por todos. De fato uma vez me enganei achando que seria amor. Erro meu, já estou corrigindo. É, por assim dizer, apenas a pura e ardente paixão. Que vem, me arrasta e passa. E na maioria das vezes eu quero que fique me arrastando, eu quero que me leve, eu quero a poética da paixão que avassala. E é aí, que me apaixono mais. Pelo caráter éter dessas sensações. Pela incerteza que tento tornar certo, de forma talvez desnecessária, mas nunca desnecessária pra mim. E não me importo, me apaixono. Agora me pergunto: Por que não me apaixonar?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Circus - Britney Spears

Revoltada com a tradução da música: Circus - Britney Spears. Mas ela é como uma palhaça mesmo... Uma coisa é auto-estima a outra é prepotência. A segunda eu odeio. Sei lá, só me revoltei! RS.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Da poesia à verdade

Peço que desculpe minha intromissão. Entrei sem bater, sem pedir. Simplesmente invadi. Porta fechada ou não, pouco importa. Fato que entrei e agora dentro não penso em sair. Foi assim que ele se metou na minha vida: de supetão. Fazendo pouco vento, mas fazendo o suficiente para a brasa arder em chama. Irônico ou não, o modo de sair foi opostamente devastador. Vento pouco? Quem me dera. Fora embora em furacão. Já pediu mil desculpas. Já me perdi nos meus nãos. Deixo pra lá as rimas. Agora, passo a passo, tento me reclassificar. Coisa que tornou-se difícil depois dessa tal relação. Do erro à perfeição, da perfeição ao erro. Assim mesmo: confuso e ilógico. Até porque desisti da lógica. Mas não desisti das pessoas. Quando o fizer, estarei desistindo de mim. E minha meta de vida é me conhecer. Como? Erroneamente tento discernir: "decente ou cretino". E vou assim: história atrás de história alternando conforme a canção...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Agora sim: Feliz 2010!

Era 5h58 quando liguei o computador. Já havia perdido as garrafas, os amigos, e logo o ano novo. Enquanto todos corriam pra casa, pro calor, pros amores. Eu corri pro desespero, pro frio, pras lágrimas, e claro, para poesia. Elas (as lágrimas) me possuíam. Como se tivessem feito um pacto no qual eu não poderia me divertir. Mas que maldade estariam elas fazendo? Absolutamente. Fomos todos egoístas. Salvamos um, dois, NO MÁXIMO. Nunca mais que três amigos. E é assim. Sempre. Encontramo-nos na esquina: aquela, daquele ano novo. Rimos um pouco, brigamos um pouco, e logo desistimos. Reclamamos do frio, da hora, do ano, da chuva, do vento, das pessoas, das brigas. E nunca abrimos mão de tudo só para sentir a chuva vir como se zombasse de nós, e testasse nossa verdadeira vontade em estar lá. Não por mim, não por nós. Mas por todos que teríamos encontrado se não fosse o vento, a chuva e o frio. O único dia do ano que achamos que encontraríamos o mundo. Os amiguinhos de infância, as pessoas mais perdidas.

Desculpa, esse ano eu não encontrei nem a mim mesma...

Se me perdi em algum ano novo, eu duvido.

Mas talvez já tenha me perdido nas esquinas...