É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Dos pés à cabeça
Ah! O prazer que senti... Transcendeu de fato! Meu corpo, minha imagem, minha dança, meu aperto e meu suor. É sempre assim: é a arte que me atinge, que me intriga alma. Viramos um só (e sempre faço-me virar) numa multidão. Foram falas confusas que se perderam no encontro com meus ouvidos. E as risadas misturaram-se: as minhas, as deles, as dos outros. Ninguém importava, nem ele, nem eu. Só prezava o prazer. Ah! O prazer que senti... Valeu a pena, de fato. Não importou o lugar, o preço, a música. Misturei tudo, e deixei ao bel prazer do corpo. Dancei com os pés, com os joelhos, com a cintura, com o ombro, com a cabeça. Minha mão na mão, minha mão nas costas, meu rosto no ombro, e o cheiro em mim. E que cheiro. Impregnou mais que na minha roupa, impregnou em meu corpo, impregnou na minha mente. Seu rosto desconheço, mas seu corpo, seu tato, sua dança e seu cheiro tornaram-se meus. Me custou caro, me custou um fígado, me custou um colar. Mas todos os risos que dei foram de graça.
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