sexta-feira, 16 de julho de 2010

Poliana apaixonada (7)

Poliana ria-se da realidade de estar acompanhada pelo conde. Era quase irreal. Chegaram rapidamente à casa noturna. E logo na entrada Poliana sentiu-se feliz. O lugar era bastante bonito, diferente dos que ela costumava ir em sua pacata cidade. Mais feliz ainda ficou ao entrar na casa. Poliana podia sentir o quanto iria divertir-se ali. Claro que não sozinha, e não haveria companhia melhor para o momento.

Deixou-se levar pelas conversas longas, quase monólogos egoístas seus. Ninguém haveria de culpá-la, tentava ao máximo se exibir. Se era necessário ou não, impossível prever. O conde conversava ainda tímido, Poliana percebeu. Mas isso tornava-o cada vez mais encantador diante dos olhos de Poliana. A cada palavra, cada final de assunto, ela lembrava-se de ter imaginado mil coisas do conde. E ele mostrou-se perfeitamente agradável.

Quando o álcool já lhe parecia quase intragável, Poliana foi surpreendida por um beijo. Ele, ela, a música, as vozes, o mundo: silenciaram-se. Então, tudo meio insustentável, deixaram-se levar pela dança. E divertiram-se, e apaixonaram-se. Ninguém ali era conhecido de Poliana. Era justamente isso que a fascinava, porque não importava. Contemplava o fato de querer ser só ele e ela. E foram juntos por uma noite desconhecida. Noite que arrastou-se pelo amanhecer. Amanhecer que veio acompanhado de revelações. Inúmeras. Secretas. Suas. Compartilhavam agora uma história particular, só deles. E então a boca amarga de Poliana que chegou em companhia do amanhecer, deixou o conde ir embora numa despedida incompleta.

Poliana, apaixonada, insaciável, não deixaria o conde se perder pela cidade. Voltaria a procurá-lo.

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