Deixou-se levar pelas conversas longas, quase monólogos egoístas seus. Ninguém haveria de culpá-la, tentava ao máximo se exibir. Se era necessário ou não, impossível prever. O conde conversava ainda tímido, Poliana percebeu. Mas isso tornava-o cada vez mais encantador diante dos olhos de Poliana. A cada palavra, cada final de assunto, ela lembrava-se de ter imaginado mil coisas do conde. E ele mostrou-se perfeitamente agradável.
Quando o álcool já lhe parecia quase intragável, Poliana foi surpreendida por um beijo. Ele, ela, a música, as vozes, o mundo: silenciaram-se. Então, tudo meio insustentável, deixaram-se levar pela dança. E divertiram-se, e apaixonaram-se. Ninguém ali era conhecido de Poliana. Era justamente isso que a fascinava, porque não importava. Contemplava o fato de querer ser só ele e ela. E foram juntos por uma noite desconhecida. Noite que arrastou-se pelo amanhecer. Amanhecer que veio acompanhado de revelações. Inúmeras. Secretas. Suas. Compartilhavam agora uma história particular, só deles. E então a boca amarga de Poliana que chegou em companhia do amanhecer, deixou o conde ir embora numa despedida incompleta.
Poliana, apaixonada, insaciável, não deixaria o conde se perder pela cidade. Voltaria a procurá-lo.
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