sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sufoco

Eu estaria sendo egoísta. E na verdade fui. Fingindo ser incapaz de fazê-lo. Acredite, é muito difícil. Há tempos deixei de umbiguismos. Mas hoje à noite era uma certeza. Ah, a volatilidade das coisas... E então me envergonhei. Porque cansei, sinceramente, desse pensamento, desse sentimento. Ao mesmo tempo já não consigo transformar em palavras tudo que precisava lhe dizer, porque tudo que eu precisava lhe dizer, não tem como ser dito. Eu não consigo transformar em palavras, porque não existem palavras. Quando eu fico grunhindo, são as palavras que não existem, mas que fazem todo o sentido assim, desconexas mesmo. Arranjo mil desculpas, teço mil discursos. Nada bom o suficiente. Quero mesmo dizer para você ir, mas dizer sem precisar pensar que te queria aqui. Porque agora que já perdi as palavras, seria um bom momento de permanecer quieta. Me sufoco, mas calo-me.

Só assim!

É um aceitar-te sem limites. É entender que a grama verde toca os pés pelo simples fato de eu me deixar pisar-lhe. É saber que o formato do meu rosto é oval, que minha testa é grande e que minha boca quase sempre sorri triste. É poder sentir as dores mais insustentáveis e extrair delas a poesia que inflama. É calar-me diante do absurdo de tua beleza inalcançável. É tanger a delicada exclusão da qual tu te incluis. É morrer por esperar os grunhidos que me escapam ao querer-te. É romper as delicadas expressões que se firmam para o infinito. É apertar, morder, puxar, querer, tentar, sofrer. É um aceitar-te sem fronteiras. É deixar-te viver. Porque só assim eu vivo também.

domingo, 21 de novembro de 2010

Crise poética.

Que merda.

Não consigo juntar nem duas palavras.

Porra.

domingo, 7 de novembro de 2010

Amargo

Me cansei da poesia. A poesia me cansou. Me cansei das palavras. As palavras me cansaram. O que sempre fiz de melhor, tornou-se algo que agora me faz mal. O fato de escrever de forma poética as coisas que me aconteciam, me fizeram amar minhas histórias. Independente do final que elas tenham tomado, ou de todo real desenrolar dos fatos. Porque então a poesia e as palavras transcendiam e pairavam e dançavam rodopiantes tecendo uma bela cena. Onde cada detalhe se cumpria com primazia. E então toda minha vida parecia aquela pausa na respiração, aquela fala que lhe falta deixando a boca aberta. Me tornando então uma poetisa enrustida que erguia o copo ao ar na alegria de ser une bonne vivent. Mas será que era? Será que fui? Continuarei sendo? Amargo. É isso que sinto agora.

"Vai rolar um adultério"

Ter estilo é segurar o copo com o energético embaixo. Torrar a grana toda em whisky e red bull. Fazer uma trip com uns bróder, ir nas baladas mais caras e chegar nas gatinhas. Não é preciso ter conversa, não é preciso ter cérebro. É preciso ter dinheiro, e isso basta. Mas eu tô cansada desse estilo. Tô cansada dessas baladinhas, dessas conversas vazias. Quero mesmo é continuar com as minhas saídas engraçadas e esquisitas. Onde eu possa ir a um show de metaleiros com sapatilha rosa e bolsa a tira a colo. Porque isso de fato não me incomoda. Onde eu possa sair de uma aula da faculdade e passar dez horas bebendo e conversando. Eu preciso falar do mundo para entedê-lo. Eu preciso contar e ouvir experiências. Quero saber da sua família, me fale de seus tios. Me conte uma história de sua quinta série. Vamos começar falando do passado. Pra então saber que posso confiar em ti minhas histórias idiotas do presente. Porque em algum momento essa conversa passa a ser sobre sexo. Ainda hoje são necessários alguns litros de cerveja pra que isso se torne um pouco mais sincero, mas não deixe de ser cômico. Só que eu quero assim, uma vida real. Quero conhecer pessoas reais, com histórias reais e tudo o mais. Se serão profundas ou não, vou deixando a conversa tomar seu rumo. Mas precisam ser suficientes...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Haicai

É inconstante
Pra quem é transeunte
Ficar é fugaz

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não sei se...

...estou errada por querer ter 25 anos. Porque sei, de um jeito tranquilo, que as coisas não serão sempre um tormento quando chegar à essa idade. Os ciclos da vida hão de passar de forma mais amena. Até porque, eu mesma já terei vivido bem mais do que apenas "dois aninhos de faculdade numa cidade longe de onde sempre morei". Não que eu queira reduzir essa experiência, mas minha mente sempre avança uns anos a mais do que a idade que eu tenho. Minha mente hoje tá com 22 anos, porque quero agora o que poderei ter nessa idade. E com 22 anos, minha mente terá vontade de ter 25. Mas vou parar por aí, porque senão já penso em aposentadoria e nunca conseguirei viver. Se terei tudo que planejo ter aos 25 anos, aí eu já não penso. Só que no exato momento quero ter 25 anos!