(Título retirado do poema Ausência, de Vinícius de Moraes. Poema que inspirou este aqui)
É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
domingo, 26 de junho de 2011
"Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir"
Tenho em minha alma o pedaço livre da alma que lhe pertence. E se respiro por uma noite por entre a sua barba, no aconchego dos seus braços, no aperto da minha cama, é porque sei que ainda sou quando não estou ao seu lado. Tenho em minha boca a repetição do seu nome, mas é só para gastá-lo, e deixar que o vento o possua. Porque vou partir, porque quero partir, porque tenho que partir. Nas poucas e intensas vezes que o amei e não falei, foi por ter essa única certeza, de que não o amaria para sofrer. E me dilacerei horas e mais horas na vontade sua que se fez minha, e nos une em nossa, e evapora. Mas é no inverno que clichê eu mais me aqueço. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas não há de demorar. Só não consigo lamentar, porque ainda é bom.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Eu hoje andei a pé...
Me libertei, me senti viva. Eram meus pés tocando o chão úmido depois de um dia chuvoso. O caminho que parecia longo foi suficiente para eu conseguir voar ao longe e voltar. Estava me sentindo um pássaro preso, enjaulado. Acorrentada às rodas que eu mesma inventei de comprar. Eu pude deixar de olhar os carros, olhar o semáforo, olhar a lombada, olhar o retrovisor. Reparei então na grama, que mudou de cor com a chuva; reparei nos muros, com novos grafites; reparei nas pessoas, talvez as de sempre, mas que me pareciam muito diferentes; reparei o cheiro do mundo, que é outro quando não estou cercada pela fumaça dos carros; senti o frio me cerrar a pele, de uma maneira muito agradável. E então cheguei em casa. O mais triste é saber que minha libertação foi momentânea, que amanhã volto a ter rodas, e não pés. Mas é o preço que se paga pela compressão do tempo-espaço. E ainda me questiono se vivo mais por economizar tempo, ou se vivo menos, por perder tanto do meu tempo que teimei em economizar...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Ancoro-me na calmaria
À parte a bela poética das minhas histórias de coração livre, sinto agora a amargura na boca que me vem do coração. Não são saudades, são lamentos dos amores que tive. Tão intensos... Tão fugazes... Não sei se eu que petrifico os momentos em que o sangue me vinha mais quente. Seja pela beleza, seja pela feiúra. Fato que sinto uma fadiga ao lembrar de todos e de cada um deles. E dessa fadiga vem-me a preguiça, de novas intensidades, novas fugacidades. Permito-me, então, permanecer perene. É sempre a minha solução. Depois da tormenta a calmaria. Mas ancoro-me, num mar intrínseco, longínquo e particular. Não espero que me entendam. Bastar-me-á se respeitarem...
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