sábado, 23 de janeiro de 2010

Um dia ele me descobriu pelo cheiro

Foi até engraçado, entrei em seu quarto sem avisar. Ele estava no banheiro tomando um banho. Deixei a luz apagada, mas não decidia onde me esconder. Acabei andando de um lado para o outro do quarto. Decidi que ficaria na porta mesmo. A porta do banheiro não abria para a parte do quarto que eu estava. E fiquei ali, respirando lento. Ele saiu, cantarolando alguma música que não me lembro bem, e parou, de andar e de cantarolar. Respirou rápido, como um animal selvagem. Vi pela sombra que olhou para os lados. Deu um passo, e olhou para o canto onde eu estava. Na penumbra pela luz que vinha do banheiro vi seu sorriso ao me ver, e sua felicidade não contida na voz que dizia: Senti seu cheiro. Ainda molhado me abraçou. Mas minha memória desse dia se dissipa nesse momento: O momento em que ele me descobriu pelo cheiro.

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