É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O silêncio que eu não guardo
Meus lábios secos, entreabertos, se fecham rapidamente ao mínimo vacilo de vibração das minhas sofridas cordas vocais. Estas estão arranhadas, fadigadas, e agora já aceitam o silêncio. É o samba que as silencia. O samba diz tudo que precisa sem precisar falar nada. O samba começa no sorriso, balança o pescoço, encolhe o ombro, movimenta as mãos, instiga a cintura, agita o quadril, balança o joelho e descontrola os pés. Mas a boca, a boca o samba cala. E o silêncio que eu guardo é música que entoa dentro de mim. Porque o samba cala e silencia a boca, mas minha paixão é bossa nova. Porque vibra o coração que canta e se mistura com minha voz. Que é nova e revoluciona, e me faz cantar. E então, o silêncio eu já não guardo.
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