terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sigo o rumo mais prudente

É pátio apático em que fervilha o som e a fumaça.

É sem rumo, mas segue os trilhos.
É mergulho seco na seca do sertão,
Pois da seca há de brotar por algo novo.

Café quente e pés descalços:
A linha prende, mas nunca aprende.
Corta meio pelo, corta pelo inteiro.

A cidade até que nasce, mas é cega e surda.

E então ela que se sobe,
então ela que se desce,
Faz-se em nó, mas coronel desata.

Inflexível, ferrenha, dura e cruel.
Se afasta do mar, mas se engrandece.
Vão dizer que foi a Alta.

Nego e falo na lata:
tenho 20, foi em 20 e dou mais 20.
É o prazo pra tudo se acabar.



S.

Tenho medo de você.

Risco, rabisco, desvirtuo e continuo tentando.

Mas o que importa é seu abraço.
Me encaixo, me preencho, me afago e me acho.

Faz tempo, muito tempo, não há tempo.
E não há necessidade de dar em nada.
Há necessidade de ser.

Sumi seu nome!
Virou letra,
Pra que eu possa carregar comigo.


Assis

Sinto meus pés descolarem. Aqui eu não consigo andar. Nunca consegui fazê-lo sozinha. Ele não percebe, pede sempre pra eu falar. Minha boca também descola. E eu que não reparo então. Vou sendo tomada de impulsos de sacada, que me fazem querer saltar. Cair no abismo que eu mesma cavei. Estou aqui e sei que queria estar lá. Mas não. Não o que?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu e eu

Faz tempo que não nos encontramos. Eu e mim mesma. Pés descalços, luz de velas, palavras soltas, óculos e um vestido. Tudo paira no ar. Tudo pára meu ar. Me encontro loucamente comigo mesma sempre. Mas não na sobriedade. Antes quando dizia que faltava aos outros, hoje é a mim que falta. Tanta coisa que faz falta. Sinto falta da liberdade. Sempre buscando mais as nuvens. Tenho algumas, mas elas mudam. Tenho quase todas, mas perco-as mais rápido do que obtive. Ele não é o certo. Mas é o bom. E Zélia Ducan já me disse: FAÇA O QUE É BOM. Nunca disse que era pra ser o certo. E tudo bem. Eu me vejo justificando tudo. As palavras, as não palavras, as ditas, as pensadas, as sussurradas, as berradas, as lacrimejadas. Mas justifico. Em texto, em prosa, em rima, em voz alta. Mas sempre perco o compasso. Perco o controle. Não querendo perder. Perco a razão. Querendo perder menos ainda. Acho que realmente o que fiz foi esquecer meu nome. Foi perder ele no meio de todas as palavras que eu descrevo. Sabe? Eu e eu. Tudo ao mesmo tempo. Tudo sempre dos outros. Como eu e eu buscando o ponto de equilibrio. Dera eu. Dera eu. Dera eu ele existisse. Dera eu cem vezes. Dera eu mil coisas. Um dia vou ler tudo isso, eu sei, com outra cabeça, com outros problemas, gostaria de dizer a mim mesma que estou em paz. No exato momento eu sinto paz. Uma felicidade plena, com a certeza de que tudo sempre, e sempre, e sempre, dará, porque dá, certo no final. Sempre, certo, final. Sempre. Certo. Sempre certo. Qual final? Qual é o final? Qual é? São vários finais, todos sempre dando certo. Para vários começos certos. E meios errados. Essa é a questão! Não tenho medo de viver o meio errado. Porque é nele que eu acho o fim certo. Obrigada a mim, por esse encontro. Por nós. Eu e mim mesma. Podermos sempre nos acertar. :)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fruta cítrica seca

Ah... Meu amor em frutas secas.
Elas já vieram assim.
Prontas em vela:
Pra acender sua chama,
e reafirmar que é paixão.

Eu quero me queimar em seu perfume doce.
Eu quero lacrimejar quando tudo apaziguar.

Mas não apazígua.

O tempo é outro.
E por isso não apazígua.
A vela que queima hoje é laranja.

Cítrico em tudo,
Para azedar limão.

O verde pára o mundo.
Contra tudo, contrato do não.

Fábrica


Me faltam os pés descalços.
Sentir o mundo, mudar os passos.
Sair do encalço.

Deixe que o tempo me siga.
Pra que eu possa me perder.

Perder as horas, perdê-las inteiras.
Pra viver sem um sapato.

Pés descalços.
Ritmo febril.
A lavoura eu desconheço.

Mas por querer voltar, eu paro.
E é só parar que eu desço.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Feliz por mim

Eu já não sei o que quero. Quero tudo que tive e que tenho, num momento agora. Quero também que me deixem só. Quero poder ter ser eu quiser. E poder dizer a falta que faz. Eu quero 3 anos pra poder viver os últimos três anos inteiros novamente, e ainda adicionar umas outras coisas do passado. Se chegar ao 23 e eu quiser viver de novo, é porque continuei tendo uma vida feliz. Estou muito feliz por toda minha vida.