quarta-feira, 29 de abril de 2009

Galatea de Esferas

Dalí amou Gala, pintou Gala, deu movimento à Gala.

Nesta obra de Dalí (Galetea de Esferas), nota-se o movimento exatamente pelas esferas e os rastros contínuos marcados. É possível notar também pela profundidade das esferas ao meio, que remetem à idéia de que todas as esferas estão se unindo, e formando o rosto da mulher; além do traçado dos cabelos que torna o movimento perceptível.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Os, as.

Pontuo calmamente.
Quase seco.
Faço longas pausas.
Mudas.
MUDA. Não MUDA. Quieta.
A ausência de som. A imagem em preto e branco. A foto rasgada. As palavras mortas na garganta. O cansaço. A dor corporal. A exaustidão. O olho ardido. A boca amarga. O abraço, vazio. O nó. O estômago. Os pés longe da terra firme. A brisa. O farfalhar. O horizonte longínqüo.

O trabalho de História da Arte por fazer.

domingo, 26 de abril de 2009

Claves

O Ré menor se volta em Dó. E, se cansa, passeia pela pauta sem ter pauta pra cantar. Se contorce, se distorce e vira Rock. Já não quer mais compor. Quer sair da folha, virar nota e viajar. Transformar-se em melodia, pra que um dia o belo Sol venha com Si pra Mi juntar.

domingo, 19 de abril de 2009

A estrada

Uma época na minha vida eu achava que precisava de estrada pra colocar as idéias no lugar, e isso realmente funcionava. Era só passar algumas horas dentro de um ônibus, e ir pra algum lugar diferente, ver a estrada passar, que todos os meus pensamentos se esclareciam. Agora passo tanto tempo nesse vai-e-vem, que a estrada só ajuda a embaralhar mais ainda minhas idéias. São dez horas que enfrento quando estou no ônibus, e nesse meio-tempo acho tanta coisa pra pensar, e tenho tempo suficiente pra ficar mudando de opinião inúmeras vezes. Achei que ia pirar com isso, como assim não ter uma válvula de escape pra desembaralhar a mente? Pois é. Ainda bem que não demorou muito e encontrei no mar o meu remédio. Aliás, reencontrei né. Porque por uma época ele também me ajudava muito. Ouvir as ondas, o vento leve, o burburinho, e olhar o horizonte. Nada mais apaziguador. Recomendo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sinestesia

Como começar um texto sem inspiração alguma? Engraçado: eu só vim digitar. Nossa, posso falar que "Marisa Monte - Não vá embora" é deveras uma música muito boa. Vou até ouvir de novo enquanto pego o link pra colocar aqui. Interessante a sensação que certas músicas passam para nós né? Hoje depois do almoço deitei no sofá e na TV tava a MTV. Não sou master fã do canal, mas como aqui as opções são poucas... Enfim. Então começaram a tocar umas músicas tão agradáveis, que ao invés de eu cochilar como de costume, meu cérebro simplesmente foi viajando nas palavras, de súbito eu sentei e falei pras meninas daqui de casa o quanto a música era boa. Mas sabe eu meio que imaginava as palavras, e elas me davam uma sensação de cor, e quente e frio, claro e escuro. Foi um experiência bem sinestética.

Sei lá, vou ouvir música.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Miopia

Sempre que tenho um lapso de inspiração o computador está desligado. E sabe como é, as coisas fluem de mim com mais facilidade quando digito. Porém enquanto o computador liga esse lapso se desliga da minha cabeça. E então eu começo a digitar esbaforida no bloco de notas antes que as idéias se dispersem por completo. Só sei que vim pensando naquela história de miopia moral. Mas na verdade, é a pura miopia física mesmo. Enquanto tantos enxergam muito bem sem óculos, eu sou quase cega sem, e com óculos as coisas não mudam muito. Tenho a certeza de que enxergo só porque estou com meus óculos a la Clodovil, mas na verdade eu nada vejo. O mundo continua sendo um borrão confuso e indistinto. Mas será que isso na verdade é a materialização de uma miopia moral? Não quero ver o mundo por temer o que posso enxergar?
Uma vez criei a teoria de que "não posso temer o que eu não enxergo". E é engraçado parar pra pensar nisso porque de fato: como temer algo desconhecido? Ou só o fato de ser DESCONHECIDO é o que assusta?

Affe, o CQC me desconcentrou.
Tchau!

terça-feira, 31 de março de 2009