segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Daniel

Uma coisa não se perdeu em mim Daniel:

A memória irreparável dos amores.


Não guardo em mim todos os fins. Mas muitos dos processos. Lembro do seu afeto e de quando você me trouxe um presente. 

Um batom verde. Que não era nada um batom. 


E todas as vezes que eu tinha esse batom entre meus lábios pensava em ti. E eu o guardei por anos. 


E foi graças ao teu presente que um dia contei pros meus pais minhas loucuras. Anos mais tarde. Já era eu mestre em engenharia. E nada dessas loucuras passavam apenas de arranjos banais. 


Afinal quem é normal num mundo desse? 


E eu preciso quase sempre ser um pouco banal pra seguir me levando a sério!


Obrigada por tanto. 


Com amor,

Pétilin

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Sete anos de Portugal

 Foi preciso viver sete anos num país que eu nunca tinha visitado antes, para começar a entender a minha humanidade.

E isto só foi possível, porque também perdi essa humanidade pelo caminho - como todo bom clichê.


Virei bicho aqui, essencialmente bicho.


Faz menos de uma semana me contaram que as ostras se enterram quando vão produzir suas pérolas.


Portugal foi meu buraco, e eu agradeço Portugal por isso.

Não fosse Portugal ser meu buraco, eu nunca teria sido capaz de encontrar a pérola que tenho em mim, e que sou.


Meu buraco porque me levou ao mais profundo do meu ser.

Enfrentei minhas sombras, aprendi a conviver com elas, e percebi que as sombras me pertencem, mas não são a pessoa que eu sou.


A pessoa que eu sou, é luz.


E poderia falar de todas as descobertas que fiz de mim mesma, mas a impermanência a que me proponho viver - e aqui atenção, não tem a ver com inconstância - materializa caminhos que não me são racionais.


Antes pelo contrário, Portugal virou do avesso tudo que eu tinha como razão. E portanto, também deixei de acreditar em verdades absolutas. O engraçado disso, é que também deixo espaço para voltar a acreditar nelas.


Também foi aqui que eu aprendi que eu sou você, e você sou eu.

Em função disso, decidi me cercar de pessoas que eu quero que sejam parte de mim. Aí então, também consolidei em mim a noção de família.

Família não são os outros que me cercam, sou eu mesma, onde todas as pessoas "você" - que eu escolho - habitam.


E por você me habitar, e estar aqui e agora no meu pensamento, sou capaz de seguir. 


Portugal é agora um capítulo da minha vida.


Que venha o próximo.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Sobre março de 2017

Às vezes a gente sente que tudo nosso é meio quebrado. 
Que todas as nossas conquistas não são por inteiro.
Que todos os nossos méritos talvez não sejam assim tão honrados.

Tenho medo de não viver e desfrutar no seu melhor os louros das minhas realizações. 

Somos sempre em alguma parte,  mesmo que profunda e quase escondida de nós, vaidosos.

E ponho no plural por saber que não estou só, nem na vaidade e, principalmente, nem no egoísmo. 

Nós, seres quase iluminados, que enxergamos nossas capacidades e extraímos delas nosso melhor e por vezes nosso pior - por vontade própria - nos iludimos com a perfeita sintonia e passividade com que aparentemente segue a vida alheia.

Nós, seres quase iluminados, tentamos não olhar para o lado, não cobiçar a grama alheia e principalmente não lamentar os próprios erros.

E convencemos bem, convencemo-nos - e outros - que o sol ainda brilhará na manhã seguinte.

A parte mais irônica disso tudo é quando nos libertamos da vergonha e assumimos essa nossa libertinagem pseudo maquiavélica e somos ainda, quase que iluminadamente, chamados de seres humanos.

Risos.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Eu não fui pra longe

Eu não fui pra longe
Fui pra mais perto de mim

Saí do lado dos outros pra me ouvir um pouco,
Ouvir as minhas preces

Posso parecer egoísta
Mas meu corpo, minha alma
Sentiam falta do meu cuidado,
Da minha atenção

Todo mundo sempre falou de independência
Enquanto eu sentia na pele só o peso da insatisfação

Cigana, bruxa, ...
Tanto faz agora que voltei pra casa

Hoje fiz minha comida
Hoje lavei minha roupa
Hoje cortei minhas unhas

As pessoas já fazem isso, eu sei

Mas eu hoje fiz com prazer
Aquele prazer simples
Que quase parece sem compromisso
Mas que sela minha melhor relação

Aquela entre mim e eu mesma

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Eu sou o suficiente

Pode até ser que eu seja
Mas não estou sendo no momento

O problema não é eu tentar te esquecer
O problema é eu nunca parar de lembrar de você

Vai fazer um ano

Mas o que é um ano em três, ou quatro, te amando?

Faz um mês que eu jurei pra mim mesma que tinha te tirado da minha vida de uma vez por todas.
Eu estava viajando, em todos os sentidos. E no momento me pareceu a coisa mais sensata.
E realmente deu certo.

Por quatro semanas. Como transformo isso em quatro anos? Ou como faço compensar?

E amor lá se compensa? Sinceramente, não sei. Nunca passei por isso.

E hoje eu preciso falar de você como se ainda existisse somente eu e você
No quarto
Ouvindo Bob Marley
E transando
E gozando
E rindo
E se amando

Ou eu te levando na minha biz
Ou você me levando na sua twister

Nenhuma das duas existe mais
A gente não existe mais

Mas será que EU acredito nisso?
Estou começando a ter dúvidas. E acho que agora já não está mais ao meu alcance.

Já tentei falar que te amo, já tentei falar que te odeio mas em todas as vezes você foi o mesmo de sempre. Aquele que pouco fala e tudo sente, me deixando confusa.

Sinto muito se não consegui me cuidar, como você me falou inúmeras vezes.
A questão é que agora eu tenho quem cuide de mim. E por ele saber fazer isso tão bem, também quero saber cuidar dele.

Mas será que EU acredito nisso?

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Julgue-me

E se antes eu pedi
Ame-me

Hoje afirmo
Julgue-me

Julgue-me porque é nisso que me apoio
Onde cravo o meu ódio imaturo
E cresço

Julgue-me porque eu te julgo!
Sem precedentes

Se você não deve nada à ninguém
Eu devo a mim mesma e carrego este como meu maior fardo

Por fim
Julgue-me

Às vezes me esqueço...

E tenho certeza que é comum. Mas parece que faz tanto tempo... E se foram anos nisso tudo, nessa brincadeira de querer ser uma pessoa melhor. Sempre falo que no fundo é puro egoísmo. Mas ninguém entende assim, já que estou me dispondo ao outro. Ontem foi um dos momentos em que me senti igual a 3 anos atrás, mas não cheguei a lembrar. Hoje, agora, nesse momento, eu me lembro. E pra evitar de esquecer muito rápido, porque vou esquecer, escrevo.

Por que eu faço parte do TETO? Por que no meio da rotina maluca eu ainda acho duas ou três horas por dia para me dedicar à esse trabalho voluntário?

Quem sou eu? Ninguém, não preciso ser. Só quero estar ali, perto, vendo, ouvindo, aprendendo. E às vezes, falando aqui, mexendo ali. Fato é que em 2010 eu não fazia ideia para onde eu tava indo, e para ser bem sincera, ainda não sei. É o clássico clichê do não importa o destino, mas sim o percurso.

Mas ontem, ontem lá fui eu, me apertando, pedindo socorro para as pessoas, querendo chamar atenção de todo mundo, para ir à uma reunião que na verdade, nem eu sabia direito do que se tratava. Mas chegar de falar entrelinhas. Vamos aos fatos.

Em Março comecei a trabalhar como Coordenadora de Habilitação Social¹, junto com minha dupla². Na mesma comunidade que estávamos introduzindo esse trabalho, fui convidada para ser Chefe de Escola na Detecção Massiva de Julho³.
Recusei.

Porque eu trabalho.

Mas, sou ou não sou Coordenadora, também não trabalho aqui?

Aceitei. Não sabia onde estava me metendo. Ainda não sei.

Entre muito vai-e-vem, reuniões formais e informais, encontros e desencontros, chegamos ao último e derradeiro domingo dia 20, para aplicar Enquetes-Teste para nos preparar para o final de semana seguinte. Esse final de semana, de amanhã.
Tudo certo e caminhando. Realizamos as enquetes, após a aplicação  fizemos uma reunião com os moradores e uma agente externa da ONG Amora⁴ para validar os trabalhos da Detecção Massiva. A reunião se acalorou, os moradores se mostraram hesitantes em responder algumas questões (nome, número de documento...), uma vez que a comunidade passa por um processo de reintegração de posse.
No meio da discussão, eles falaram que seria necessário apresentar a Enquete ao advogado deles, que daria o aval para seguirmos com o trabalho.

Sério, e agora? Zilhares de capacitações, busco no fundo da mente o melhor caminho, mas nada institucional me vem. Mas confio, confio em mim, confio no trabalho do TETO, confio sem precedentes. Entrego a Enquete, com o acordo de que eu também iria à reunião com advogado.

Penso, fico tensa, sou Arquiteta não Advogada, meu conhecimento legislativo pífio pode não adiantar. Toda a mobilização será vã. Num movimento focado me agarro a outro voluntário interessado em ir à essa reunião, ele enquanto estudante de Direito, me ajudaria!

Fomos.

Fui parar para lá de não sei aonde. Desculpa, pode não ser tão longe. Mas não sou de São Paulo. A caminho da reunião, pensava: eu, o voluntário, o advogado, o morador com a Enquete. Preciso explicar, preciso me fazer entender.

...

Cheguei ao local. Um público de cerca de 30 pessoas, todos lideranças comunitárias, de diversas comunidades. A Spama era mais uma. Mais uma que luta, que tenta, que vai atrás. Atrás de um pedaço de terra, atrás de uma dignidade. Enfim. Eles podem falar melhor pra você, mas só sei que estou junto com eles!

Começo a entender. A reunião se trata da Reunião de Ocupações. É uma rede de trabalhadores, essa é a da Zona Oeste Noroeste.

O advogado à frente, orienta os moradores, trabalha em conjunto. Mas prefiro não me ater à essa parte, tenho muito a entender ainda...

Fato é, somos convidados a explicar porque estamos lá. Respiro. Nem eu sei direito, fui achando que era uma coisa, cheguei era outra. Sou sincera, explico da Spama, explicamos do TETO. Falamos da Enquete, as lideranças se alvoroçam positivamente. Entendem nosso trabalho, nossa missão, nossos valores. E querem nosso contato, e querem nos ver novamente, querem que a gente visite as comunidades. Respiro tensa. Foco na missão da vez. Pergunto solenemente se o advogado libera os moradores da Spama para responderem à Enquete. Era essa resposta que eu precisava. Era essa resposta que a Detecção Massiva precisava.

O advogado conhece a ONG, entende o que fazemos, e diz que é válido. Dou um sorriso largo. Agradeço imensamente. Olho para lado, compartilho a felicidade. Trocamos contatos com os moradores. Nós voltaremos!

Mas continuo esquecida.

O trabalho continua, a rotina ainda suga, e tudo me vai corroendo.
Até que sou questionada do trabalho voluntário novamente. Volto às minhas recordações, ao meu saudoso julho de 2010, acesso minhas fotos, lembro de outros tantos moradores, de outros tanto sorrisos, das crianças, das dificuldades, das chuvas e dos sóis.

E se às vezes me esqueço, hoje me lembro o porque de estar aqui.
Eles não precisam de mim. Eu que preciso deles.
Por isso me desespero, me perco, corro, me aperto, pulo, sorrio e grito: COMEÇOU NÃO PÁRA!



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¹ Sobre Habilitação Social: http://www.techo.org/paises/brasil/informate/saiba-mais-informacoes-sobre-o-trabalho-de-habilitacao-social/

² Julia Polli, voluntária do TETO

³ Evento no Facebook sobre a Detecção Massiva: https://www.facebook.com/events/1508475609388852/?fref=ts

⁴ Aida, diretora da ONG Amora. Facebook da Amora: https://www.facebook.com/amorainclusaosocial?fref=ts

⁵ Lucas Mauro, voluntário do TETO

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A seco

Me desculpe por isso. Não era nem pra eu estar aqui, mas estou. E se estou é porque escolhi assim. Mas só escolhi assim porque você me jogou de canto sem perceber. Clamando seu vão amor ao vento mais esquecendo de vivê-lo intensamente e na realidade que me era necessária. Você poetizou e tirou de mim a poesia. E hoje caminho só. Mas era pra ser assim, não era? Eu só, carregando as minhas asas quebradas. Hoje vou, pelos caminhos que fiz questão que rumar pra longe de você. Não me leve a mal. Mas já não sabia dividir eu e você dentro de mim, e isso me fez mal, e me fazendo mal te fiz mal. Juro que serei melhor. Não pra você. Pra mim mesma. E desculpa por isso, mas vou te esquecer. Porque tenho um "grito pronto pra saltar das paredes da garganta"¹. Ele é assim:

"EU NÃO VOU SEPARAR MINHAS VITÓRIAS DOS MEUS FRACASSOS, EU NÃO VOU RENUNCIAR A MIM, NENHUMA PARTE, NENHUM PEDAÇO DO MEU SER, VIBRANTE, ERRANTE, SUJO, LIVRE, QUENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"²


¹ Trecho da música Tempo Morto - Cinco a Seco
² Trecho do poema Te olho nos olhos - Ana Carolina

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Depressão

Faz menos de uma semana eu estava conversando sobre isso. Sobre o quanto as pessoas às vezes acham que depressão é sinônimo de frescura. Inconscientemente eu achava isso. Não por preconceito, mas porque era uma forma minha de evitar aceitar o que crescia em mim.
Hoje eu tive meu primeiro surto de depressão. Simplesmente sentei na cama e me senti sem forças pra viver. Me senti perdida. E comecei a chorar. Não sei dizer por quanto tempo. Porque ainda sinto o choro dentro de mim. Soquei armário, porta, janela. E fiquei andando de um lado para o outro tentando dissipar essa energia negativa. Até que fui lavar o rosto e me encarei no espelho.
Eu nunca tinha me visto com aquela expressão de derrota, de dor. E me pus a chorar novamente. Incontrolavelmente. Soluçando os gritos que nem pra isso eu tinha mais força. Conversei comigo mesma.
E chorava.
Tentei implementar posturas de poder. Uma vez vi uma palestra que isso ajuda o inconsciente a se fortalecer.
Mas quando me via me esforçando muito para sentir essa sensação. Via meu reflexo se empertigando mas nos olhos a mais profunda melancolia. Eu senti dó de mim mesma. Pena. Me sentia um ser derrotado.
Derrotado.

Pensava em quem poderia ligar. Mas o medo de ser chamada de fresca me impossibilitou.
E por isso resolvi postar. Porque se alguém ler, saberá de tudo, mas não precisarei repetir.
É difícil ouvir-se dizendo: Eu estou deprimida.
Até eu mesmo achei que fosse brincadeira.
Mas repetia mais alto: Eu não quero ficar assim. Eu não quero ser assim.

Mas eu mesma esquecia da minha crença. De que o mundo não ouve o "não" das frases.
Preciso saber e acreditar no que quero ser.

Se você ler isso, me ajude.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mais do mesmo

Me sinto jogando flores transparentes para o alto e fico aqui olhando perdida, tentando achar as que reluzem translúcidas pelo raio solar que recebem. Queria ser uma flor transparente, queria ter um raio solar só pra mim. É como achar um lugar ao sol, pode ser por entre as folhas de uma árvore opaca... Mas penso quando o farfalhar floral vai acalmar novamente meu coração. Essas fases da vida são ciclos que me perco muito rápido. Me perco nos caminhos de 22 anos sem ascensão. Quais são os momentos da minha vida que eu gostaria que nunca tivessem acabado? A gente diz que não sabe listar simplesmente porque não quer gastar tempo achando os momentos em que o sol nos encontrou, por que a maior parte do tempo ele ficou retido na folha opaca que às vezes pra outra pessoa brilhava de uma forma especial... Hoje me peguei pensando que não faço mais nada em coletivo, num movimento. Será que isso é a materialização do meu egoísmo? Será que eu quero ser essa pessoa? Meu momento que eu não queria que acabasse, mas que devem sempre acabar, eram as construções do Teto... Mas da última vez nem isso me tocou de novo! É isso, NOVO. Tô precisando me reinventar, como sempre. SEMPRE. É de novo aquela sensação de 5 anos atrás, quando não sabia para que faculdade iria, para que cidade iria, que rumo eu seguiria. E depois de 5 anos as angústias que me pegam são as mesmas. Sempre querendo me metamorfosear, transformar em algo que eu nunca fui antes. E desses meus singelos 22 anos, tenho certeza que o período que mais cheguei perto de uma grande transformação foi aqui, em Presidente Prudente, com os amigos que viraram minha família... Acho que preciso silenciar, só isso... Digerir essa fase que se encerra, e encerrá-la ao melhor estilo!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

2012 de pouca inspiração, sugada pela rotina, sugada pelo não!

Às vezes...

...é apenas deixar-se perceber que tudo o que você precisa dizer cabe na pausa do silêncio...

Resolvi...

Resolvi me abrir de novo. Luz apagada, pés pro alto, janela aberta, poltrona nova, cortinas leves. Brisa leve que me suga noite a fora, me carrega além das esquadrias frias. E é só assim que as coisas fluem. O farfalhar quase mudo, soturno que se perde com o cheiro doce, oleoso, flutuante. É um prazer contido, entravado, escondido, quase que perdido. Mas é porque se acha quando a vista já se cansa. Sabe como é, é maré. É essa maresia ondulada que vai, e vem, e rodopia. Nem é preciso banho, o suor que se instale. Deixe que grude pelas paredes, que se misture. O sorriso não se desapercebe, ele existe. O caminho é longo, a estrada é pista simples, mas ele há de chegar... Pois se foi, há de voltar!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sigo o rumo mais prudente

É pátio apático em que fervilha o som e a fumaça.

É sem rumo, mas segue os trilhos.
É mergulho seco na seca do sertão,
Pois da seca há de brotar por algo novo.

Café quente e pés descalços:
A linha prende, mas nunca aprende.
Corta meio pelo, corta pelo inteiro.

A cidade até que nasce, mas é cega e surda.

E então ela que se sobe,
então ela que se desce,
Faz-se em nó, mas coronel desata.

Inflexível, ferrenha, dura e cruel.
Se afasta do mar, mas se engrandece.
Vão dizer que foi a Alta.

Nego e falo na lata:
tenho 20, foi em 20 e dou mais 20.
É o prazo pra tudo se acabar.



S.

Tenho medo de você.

Risco, rabisco, desvirtuo e continuo tentando.

Mas o que importa é seu abraço.
Me encaixo, me preencho, me afago e me acho.

Faz tempo, muito tempo, não há tempo.
E não há necessidade de dar em nada.
Há necessidade de ser.

Sumi seu nome!
Virou letra,
Pra que eu possa carregar comigo.


Assis

Sinto meus pés descolarem. Aqui eu não consigo andar. Nunca consegui fazê-lo sozinha. Ele não percebe, pede sempre pra eu falar. Minha boca também descola. E eu que não reparo então. Vou sendo tomada de impulsos de sacada, que me fazem querer saltar. Cair no abismo que eu mesma cavei. Estou aqui e sei que queria estar lá. Mas não. Não o que?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu e eu

Faz tempo que não nos encontramos. Eu e mim mesma. Pés descalços, luz de velas, palavras soltas, óculos e um vestido. Tudo paira no ar. Tudo pára meu ar. Me encontro loucamente comigo mesma sempre. Mas não na sobriedade. Antes quando dizia que faltava aos outros, hoje é a mim que falta. Tanta coisa que faz falta. Sinto falta da liberdade. Sempre buscando mais as nuvens. Tenho algumas, mas elas mudam. Tenho quase todas, mas perco-as mais rápido do que obtive. Ele não é o certo. Mas é o bom. E Zélia Ducan já me disse: FAÇA O QUE É BOM. Nunca disse que era pra ser o certo. E tudo bem. Eu me vejo justificando tudo. As palavras, as não palavras, as ditas, as pensadas, as sussurradas, as berradas, as lacrimejadas. Mas justifico. Em texto, em prosa, em rima, em voz alta. Mas sempre perco o compasso. Perco o controle. Não querendo perder. Perco a razão. Querendo perder menos ainda. Acho que realmente o que fiz foi esquecer meu nome. Foi perder ele no meio de todas as palavras que eu descrevo. Sabe? Eu e eu. Tudo ao mesmo tempo. Tudo sempre dos outros. Como eu e eu buscando o ponto de equilibrio. Dera eu. Dera eu. Dera eu ele existisse. Dera eu cem vezes. Dera eu mil coisas. Um dia vou ler tudo isso, eu sei, com outra cabeça, com outros problemas, gostaria de dizer a mim mesma que estou em paz. No exato momento eu sinto paz. Uma felicidade plena, com a certeza de que tudo sempre, e sempre, e sempre, dará, porque dá, certo no final. Sempre, certo, final. Sempre. Certo. Sempre certo. Qual final? Qual é o final? Qual é? São vários finais, todos sempre dando certo. Para vários começos certos. E meios errados. Essa é a questão! Não tenho medo de viver o meio errado. Porque é nele que eu acho o fim certo. Obrigada a mim, por esse encontro. Por nós. Eu e mim mesma. Podermos sempre nos acertar. :)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fruta cítrica seca

Ah... Meu amor em frutas secas.
Elas já vieram assim.
Prontas em vela:
Pra acender sua chama,
e reafirmar que é paixão.

Eu quero me queimar em seu perfume doce.
Eu quero lacrimejar quando tudo apaziguar.

Mas não apazígua.

O tempo é outro.
E por isso não apazígua.
A vela que queima hoje é laranja.

Cítrico em tudo,
Para azedar limão.

O verde pára o mundo.
Contra tudo, contrato do não.

Fábrica


Me faltam os pés descalços.
Sentir o mundo, mudar os passos.
Sair do encalço.

Deixe que o tempo me siga.
Pra que eu possa me perder.

Perder as horas, perdê-las inteiras.
Pra viver sem um sapato.

Pés descalços.
Ritmo febril.
A lavoura eu desconheço.

Mas por querer voltar, eu paro.
E é só parar que eu desço.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Feliz por mim

Eu já não sei o que quero. Quero tudo que tive e que tenho, num momento agora. Quero também que me deixem só. Quero poder ter ser eu quiser. E poder dizer a falta que faz. Eu quero 3 anos pra poder viver os últimos três anos inteiros novamente, e ainda adicionar umas outras coisas do passado. Se chegar ao 23 e eu quiser viver de novo, é porque continuei tendo uma vida feliz. Estou muito feliz por toda minha vida.