domingo, 6 de março de 2011

Um carnaval que há de ser inesquecível

Eu sentia a chuva batendo de leve em meus pés, mas continuei deitada com a janela aberta. Sentia um prazer com aquele quase formigamento. A brisa fria que entrava no quarto era compensada pelo calor que eu consegui manter dentro de mim. Eu já não combino, eu já não faço promessas e, principalmente, eu não minto, não mais. Com ele eu não consigo isso, não que eu já tenha tentado. Das folias que o carnaval se preza em prometer, essa anda sendo o auge de todas as noites. Vou encontrá-lo, e sei disso. Amélie Poulain e seu destino fabuloso podem ficar pra depois, eu já encontrei os meus melhores detalhes...

quarta-feira, 2 de março de 2011

O beijo que eu não dou

Talvez eu seja a mulher da vida dele, e ele não faça ideia disso. Ou talvez eu me conforte com esse pensamento por me ver sendo a mulher perfeita para o que ele precisa. Mas quem sou pra saber do que ele precisa? Quem sou, além da pessoa que escuta suas verdades quase sussurradas, ou por vezes, quase berradas quando a vontade lhe é incabível? Mais ainda, quem somos nós diante de todos nossos outros amores? Às vezes mais reais, às vezes mais profundos, às vezes mais sinceros. E por vezes nada disso. Nosso amor vai além da cama. Apesar de sermos muito nós mesmos quando resvalados num aconchego íntimo. Nosso amor vai além do fraterno. Cuidamos de nós numa reciprocidade silenciosa. E quem sabe eu não me torne mesmo a mulher da vida dele, quando descobrir até onde vai esse amor não amado, essa dor não doída, esse beijo não dado.

terça-feira, 1 de março de 2011

Voz e violão

Dessa vez não foi foto, riso imaginado ou voz nunca ouvida. Era justamente a voz que embalava todos os seus pensamentos vãos em melodias ritmadas. O balançar da composição, o frevo que batia em seu coração. Estava novamente apaixonada, dessa vez por voz e violão. Ele estava à pele seca sob uma luz amarelada. Sorria. Não a via. E bailava lentamente em cada canção de sua própria autoria. Seu nome era a sonoridade que enchia a boca vil. Seu olhar era clichê de imensidão. Mas sua voz, era clichê de indescritível. Não chega a ser veludo, não chega a ser suave, é e ponto. Apenas voz. E vós, acreditem, são incapazes de imaginar. Apaixonada não desfaço do mistério, mas me deleito no egoísmo do prazer. Aos amantes de mistério, deixe estar. Aos inimigos, também deixe, não há outra saída.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A lua hoje sorriu pra mim

Há tempos que ela não se exibia de forma tão exuberante. Foi como se concordasse perenemente com minhas escolhas e atitudes. Ela aquietou o desespero que se instalava na parte mais intrínseca do meu querer. Porque eu o queria cegamente, e agora eu o quero, ponto, e isso me basta. Já sei que tenho que esperar, e espero, ponto, e isso também me basta. Enquanto eu quiser, enquanto tudo isso me for suficiente, sorrirei de volta para ela. Ela que me aquieta na espera dele.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

É como...

...se da noite pro dia fôssemos amigos, irmãos, amantes, enamorados. Uma profusão de sensações que me enlouquecem. Só posso estar louca...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

À parte da poética

Andei procurando os porquês. Andei questionando meu passado. Encontrei diversas respostas, mas aumentei ainda mais o número de dúvidas. Nunca fui de olhar pra trás. Nunca fui de me arrepender. É só que para enfim acertar preciso peneirar minha história. - Aquela coisa de separar o joio do trigo. - É um trabalho cansativo, nostálgico, doloroso, pesado. Me pesa nas idéias, na mente, nas costas, nas verdades, no coração. Se é assim, realmente necessário, só saberei quando concluir o processo. Mas, concluir o quê? Acertar em quê? Não faço, sinceramente, a menor ideia. Sinto apenas que preciso, dessa introspecção, dessa meditação, desse silêncio e quase talvez de alguma lágrima. Estou precisada de calma, paz, serenidade, mar. Preciso deixar o mar me engolir. Preciso me revolver em sua maré raivosa, em sua ressaca dominical. Para enfim acabar com esses tormentos silenciosos que avassalam o meu âmago, e cansam o meu pensar. Preciso ser jogada à areia como peso morto, sem valor. Como flor pra Iemanjá. Preciso me despetalar, desabrochar. Preciso acordar ao sol, fadigada de mormaço. Preciso despertar ideias, soluções. Preciso disso tudo, nisso tudo, achar a palavra que me falta pra acabar com essa história.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Terra que a todos seduz

Eu me perdi nessa contagem de números. Poderia estar em um lugar, mas estava em outro. E estava enfim com aquele que eu quis anos atrás. Pela primeira vez me senti errando muito pra ter algo que sempre quis. A música, a luz, o lugar, nunca vão sair de minha mente, nunca se apagarão da minha história. Não consigo nem colocar em palavras o que senti. Mas sei que nunca o perderei...