É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Furtacor
Ele é assim, um sonho em furtacor. Cintila, mistura e às vezes perde o brilho. Vago. Rápido. Esguio. Por vezes opaco, dessaturado, desconcentrado, desbotado. Me é paixão que fervilha, mas certa hora esfria. Congela. Amanhece o dia, mas só vive quando é céu alaranjado. Ama, irrita, encanta, incomoda. É um vai-e-vem que quase cansa, é preguiça. Depois quem samba?
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Eu estaria mentindo...
...pra mim mesma se dissesse que não sinto a sua falta. Eu sinto falta da sensação de te amar enlouquecidamente e errar mil vezes por amar tanto. Eu sinto falta das horas em que me atravessei em pensamentos e planejamentos para ir te encontrar. Momentos em que fiz as contas da cerveja pra poder comprar uma passagem. Ou das horas que quase vendi minha alma por uma conta de celular. Era o único jeito de tê-lo mais perto de mim. Das horas que gastamos sentados à varanda, depois do almoço, antes da minha partida, tragando a sensação de estarmos juntos e não podendo acreditar nisso. Ou quando à primeira vez deixamos que o MASP guardasse nosso segredo de intensa vontade e paixão. E então quando dançamos enlouquecidamente pelas noites da Gambiarra, variando junto do samba ao rock. Ou então quando te esperei sentada no chão do seu quarto, tocando melancolicamente seu violão, só porque você me pediu pra esperar. Mas foi por ter te amado tanto, por querer tanto, que não te pude ter. E é por isso que hoje eu acerto ao amar, por que eu amo muito e não deixo a loucura me levar. Mas agora, só agora, eu me sinto enlouquecer de novo.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O silêncio que eu não guardo
Meus lábios secos, entreabertos, se fecham rapidamente ao mínimo vacilo de vibração das minhas sofridas cordas vocais. Estas estão arranhadas, fadigadas, e agora já aceitam o silêncio. É o samba que as silencia. O samba diz tudo que precisa sem precisar falar nada. O samba começa no sorriso, balança o pescoço, encolhe o ombro, movimenta as mãos, instiga a cintura, agita o quadril, balança o joelho e descontrola os pés. Mas a boca, a boca o samba cala. E o silêncio que eu guardo é música que entoa dentro de mim. Porque o samba cala e silencia a boca, mas minha paixão é bossa nova. Porque vibra o coração que canta e se mistura com minha voz. Que é nova e revoluciona, e me faz cantar. E então, o silêncio eu já não guardo.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Liberdade do eu
O meu mundo hoje nublou. Mas sei que era por respeito ao que eu sentia muito lá no fundo. Porque o meu mundo real, este, abriu o sol pela tarde, quando eu vi que amor rima com dor só quando eu quero a poesia melancólica. Porque o meu amor de hoje rima só com amor, e assim me é suficiente. A nebulosidade respeitosa aquietou a tempestade da noite anterior, e sei que a vida é assim: Tormentas e calmarias. Hoje, eu amo e assumo. E sofro, assumo também. Mas nego ser sofrimento de amor... "Que seja bom enquanto dure porque eu estou amando." É exatamente isso. Ele sublimou uma sensação. E com ele eu sambo, eu não minto, eu verdadeiro, eu o que eu quiser. Com ele nós, com ele nós e outros, com ele eu, com ele ele. "É o amor do nós com a liberdade do eu." E a liberdade do eu, é minha busca de agora...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Sensação
Meu coração hoje veio na boca. E eu senti aquela sensação que andei ziguezagueando por entre as nuvens para escapar dela. Mas a sensação me consumiu. Eu já não a quero faz tempo, e continuo não querendo, mas não tenho controle. É por isso que eu fujo, é por isso que eu corro, é por isso que eu poetizo. Para sempre levar para fora de mim as histórias que me consomem. É isto, basta. Se não a quero, não vou tê-la. E não tente me fazer pertencer. Não serei escrava, prisioneira ou serva. Se fugir este tempo todo, não adiantou, vou mesmo é encarar. Que me venham as consequências...
Candy
Era uma vez, Candy e Dan. As coisas estavam quentes naquele ano. A seiva derretia nas árvores. Ele escalava sacadas. Ele escalava tudo, fazia qualquer coisa por ela. Ah, Danny querido. Milhares de pássaros minúsculos enfeitavam o cabelo dela. Tudo era dourado. Uma noite, a cama pegou fogo. Ele era lindo e ótimo criminoso. A gente vivia de luz e de chocolate. Era tarde de extravagante deleite. Danny, o aventureiro. Candy desapareceu. Os últimos raios de sol do dia passeiam feito tubarões. Eu queria tentar do seu jeito desta vez. Você entrou na minha vida rapidinho, e eu gostei. A gente se retorcia na lama de nossa alegria. Minhas coxas ficaram molhadas com liberdade. Então, houve um intervalo. E toda a Terra estremeceu. É o que interessa, é o que a gente quer. Com você dentro de mim, reconheço minha morte. Talvez a gente nunca mais durma. O monstro da piscina. É da natureza do cão... Com gatos, galinhas e feijão. Onde quer que eu olhasse... Às vezes, eu te odeio. Sexta-feira. Eu não falei para valer. Mãe do azul, anjo da tempestade. Você apontou para o céu. Demanda. Oferta. Aquela se chama Sirius, ou Estrela do Cão. Ha ha! Maldito, Ha! Você é maldito Dan. Um vaso de flores ao lado da cama. Machuquei sua cabeça na cabeceira da cama. Mas o bebê morreu pela manhã. Nós demos um nome a ele. O nome dele era Thomas. Coitado desse pequeno deus. O coração dele bate feito um tambor de vudu.
- do filme "Candy"
sexta-feira, 8 de julho de 2011
É diferente.
A diferença é que eu sempre vou te perdoar.
Mas não só você. Eu vou acreditar que esqueci. E que você esqueceu.
E esse perdão vai me silenciar. Porque é assim.
Porque eu não sou daqui. Porque eu não sou de lá.
E é isso que vai te confortar. Porque a vontade foi maior, e a festa se fez jus.
Ela será como eu com o meu ele. Meu ele sempre foi certo. Meu ele nunca a quis. Meu ele é meu, é por isso que eu volto.
É por isso que voltamos. Porque mentimos e acreditamos.
E a verdade, é que foi a sua mão que eu segurei, é que foi a sua mão que eu quis segurar, é que foi o seu nome que eu falei que esperava enquanto escorava no poste. E agora aqui, sou eu que faz direito, é você que faz direito, e somos todos de uma turma só. Mas sou que faço arquitetura, é você que faz medicina. E a diferença, é que eu sempre vou te perdoar.
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