Faz tempo que não nos encontramos. Eu e mim mesma. Pés descalços, luz de velas, palavras soltas, óculos e um vestido. Tudo paira no ar. Tudo pára meu ar. Me encontro loucamente comigo mesma sempre. Mas não na sobriedade. Antes quando dizia que faltava aos outros, hoje é a mim que falta. Tanta coisa que faz falta. Sinto falta da liberdade. Sempre buscando mais as nuvens. Tenho algumas, mas elas mudam. Tenho quase todas, mas perco-as mais rápido do que obtive. Ele não é o certo. Mas é o bom. E Zélia Ducan já me disse: FAÇA O QUE É BOM. Nunca disse que era pra ser o certo. E tudo bem. Eu me vejo justificando tudo. As palavras, as não palavras, as ditas, as pensadas, as sussurradas, as berradas, as lacrimejadas. Mas justifico. Em texto, em prosa, em rima, em voz alta. Mas sempre perco o compasso. Perco o controle. Não querendo perder. Perco a razão. Querendo perder menos ainda. Acho que realmente o que fiz foi esquecer meu nome. Foi perder ele no meio de todas as palavras que eu descrevo. Sabe? Eu e eu. Tudo ao mesmo tempo. Tudo sempre dos outros. Como eu e eu buscando o ponto de equilibrio. Dera eu. Dera eu. Dera eu ele existisse. Dera eu cem vezes. Dera eu mil coisas. Um dia vou ler tudo isso, eu sei, com outra cabeça, com outros problemas, gostaria de dizer a mim mesma que estou em paz. No exato momento eu sinto paz. Uma felicidade plena, com a certeza de que tudo sempre, e sempre, e sempre, dará, porque dá, certo no final. Sempre, certo, final. Sempre. Certo. Sempre certo. Qual final? Qual é o final? Qual é? São vários finais, todos sempre dando certo. Para vários começos certos. E meios errados. Essa é a questão! Não tenho medo de viver o meio errado. Porque é nele que eu acho o fim certo. Obrigada a mim, por esse encontro. Por nós. Eu e mim mesma. Podermos sempre nos acertar. :)
É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Fruta cítrica seca
Ah... Meu amor em frutas secas.
Elas já vieram assim.
Prontas em vela:
Pra acender sua chama,
e reafirmar que é paixão.
Eu quero me queimar em seu perfume doce.
Eu quero lacrimejar quando tudo apaziguar.
Mas não apazígua.
O tempo é outro.
E por isso não apazígua.
A vela que queima hoje é laranja.
Cítrico em tudo,
Para azedar limão.
O verde pára o mundo.
Contra tudo, contrato do não.
Elas já vieram assim.
Prontas em vela:
Pra acender sua chama,
e reafirmar que é paixão.
Eu quero me queimar em seu perfume doce.
Eu quero lacrimejar quando tudo apaziguar.
Mas não apazígua.
O tempo é outro.
E por isso não apazígua.
A vela que queima hoje é laranja.
Cítrico em tudo,
Para azedar limão.
O verde pára o mundo.
Contra tudo, contrato do não.
Fábrica
Me faltam os pés descalços.
Sentir o mundo, mudar os passos.
Sair do encalço.
Deixe que o tempo me siga.
Pra que eu possa me perder.
Perder as horas, perdê-las inteiras.
Pra viver sem um sapato.
Pés descalços.
Ritmo febril.
A lavoura eu desconheço.
Mas por querer voltar, eu paro.
E é só parar que eu desço.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Feliz por mim
Eu já não sei o que quero. Quero tudo que tive e que tenho, num momento agora. Quero também que me deixem só. Quero poder ter ser eu quiser. E poder dizer a falta que faz. Eu quero 3 anos pra poder viver os últimos três anos inteiros novamente, e ainda adicionar umas outras coisas do passado. Se chegar ao 23 e eu quiser viver de novo, é porque continuei tendo uma vida feliz. Estou muito feliz por toda minha vida.
terça-feira, 13 de março de 2012
Sabe?
Aquela discussão que você não entrou porque era muita gente falando? Sabe aquela petição que você assinou porque não daria em nada? Sabe aquele link que você não divulgou pra não ser clichê? Sabe aquela opinião que você não deu por preguiça? Sabe aquela latinha que você não reciclou porque desistiu momentaneamente da causa? Sabe aquela construção que você não pôs a mão na massa porque muita gente se inscreveu? Sabe aquela reunião que você faltou porque não daria corum? Sabe aquela promessa que você fez e fingiu esquecer? Sabe aquela moeda que você deu no semáforo e se recusou a dar qualquer outro tipo de ajuda mesmo sabendo que aquilo não adianta? Sabe a louça que você fingiu não ver pra outra pessoa lavar? Sabe???????????????????
99 não é 100!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Seja 1, seja o 1.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Quem?
Quem é ela? Se é ela e não sou eu.
E se antes era ela, e agora que sou eu?
Quem é ela? E quem sou eu?
Quem era ela? Quem não era eu?
Quem é ela? E quem sou eu?
E nós duas juntas?
Eu prefiro sem o nós.
E eu e ela juntas?
Eu prefiro separadas.
E eu? E ela?
Eu prefiro mais longe ainda.
E eu?
E ela?
Ela, eu não posso saber.
Mas e eu?
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Eu que...
Eu que te estudei. Que por deleite vivi horas ao teu nome. Eu que continuo sem que você me conheça, fico ao léu. Ao amargor que resta aos que esperam. Ao silêncio que todas as minhas palavras não foram capazes de preencher. Do tempo que gastei bebendo tua vida como minha, e querendo teu viver inteiro como nosso. Num frutífero amor que não há de florescer. Eu que caminhei em relvas antes descalça e agora dilacerada, desprevenida e mal-amada. Ah céus. Eu que fui mal-amada. De todo amor que te dei, fui assim recebida. Flor do campo desabrochada. Pairo no vão da sua e da minha existência, sem saber qual realmente me pertence. Agora que sou você, quem há de ser eu?
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