quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

2012 de pouca inspiração, sugada pela rotina, sugada pelo não!

Às vezes...

...é apenas deixar-se perceber que tudo o que você precisa dizer cabe na pausa do silêncio...

Resolvi...

Resolvi me abrir de novo. Luz apagada, pés pro alto, janela aberta, poltrona nova, cortinas leves. Brisa leve que me suga noite a fora, me carrega além das esquadrias frias. E é só assim que as coisas fluem. O farfalhar quase mudo, soturno que se perde com o cheiro doce, oleoso, flutuante. É um prazer contido, entravado, escondido, quase que perdido. Mas é porque se acha quando a vista já se cansa. Sabe como é, é maré. É essa maresia ondulada que vai, e vem, e rodopia. Nem é preciso banho, o suor que se instale. Deixe que grude pelas paredes, que se misture. O sorriso não se desapercebe, ele existe. O caminho é longo, a estrada é pista simples, mas ele há de chegar... Pois se foi, há de voltar!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sigo o rumo mais prudente

É pátio apático em que fervilha o som e a fumaça.

É sem rumo, mas segue os trilhos.
É mergulho seco na seca do sertão,
Pois da seca há de brotar por algo novo.

Café quente e pés descalços:
A linha prende, mas nunca aprende.
Corta meio pelo, corta pelo inteiro.

A cidade até que nasce, mas é cega e surda.

E então ela que se sobe,
então ela que se desce,
Faz-se em nó, mas coronel desata.

Inflexível, ferrenha, dura e cruel.
Se afasta do mar, mas se engrandece.
Vão dizer que foi a Alta.

Nego e falo na lata:
tenho 20, foi em 20 e dou mais 20.
É o prazo pra tudo se acabar.



S.

Tenho medo de você.

Risco, rabisco, desvirtuo e continuo tentando.

Mas o que importa é seu abraço.
Me encaixo, me preencho, me afago e me acho.

Faz tempo, muito tempo, não há tempo.
E não há necessidade de dar em nada.
Há necessidade de ser.

Sumi seu nome!
Virou letra,
Pra que eu possa carregar comigo.


Assis

Sinto meus pés descolarem. Aqui eu não consigo andar. Nunca consegui fazê-lo sozinha. Ele não percebe, pede sempre pra eu falar. Minha boca também descola. E eu que não reparo então. Vou sendo tomada de impulsos de sacada, que me fazem querer saltar. Cair no abismo que eu mesma cavei. Estou aqui e sei que queria estar lá. Mas não. Não o que?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu e eu

Faz tempo que não nos encontramos. Eu e mim mesma. Pés descalços, luz de velas, palavras soltas, óculos e um vestido. Tudo paira no ar. Tudo pára meu ar. Me encontro loucamente comigo mesma sempre. Mas não na sobriedade. Antes quando dizia que faltava aos outros, hoje é a mim que falta. Tanta coisa que faz falta. Sinto falta da liberdade. Sempre buscando mais as nuvens. Tenho algumas, mas elas mudam. Tenho quase todas, mas perco-as mais rápido do que obtive. Ele não é o certo. Mas é o bom. E Zélia Ducan já me disse: FAÇA O QUE É BOM. Nunca disse que era pra ser o certo. E tudo bem. Eu me vejo justificando tudo. As palavras, as não palavras, as ditas, as pensadas, as sussurradas, as berradas, as lacrimejadas. Mas justifico. Em texto, em prosa, em rima, em voz alta. Mas sempre perco o compasso. Perco o controle. Não querendo perder. Perco a razão. Querendo perder menos ainda. Acho que realmente o que fiz foi esquecer meu nome. Foi perder ele no meio de todas as palavras que eu descrevo. Sabe? Eu e eu. Tudo ao mesmo tempo. Tudo sempre dos outros. Como eu e eu buscando o ponto de equilibrio. Dera eu. Dera eu. Dera eu ele existisse. Dera eu cem vezes. Dera eu mil coisas. Um dia vou ler tudo isso, eu sei, com outra cabeça, com outros problemas, gostaria de dizer a mim mesma que estou em paz. No exato momento eu sinto paz. Uma felicidade plena, com a certeza de que tudo sempre, e sempre, e sempre, dará, porque dá, certo no final. Sempre, certo, final. Sempre. Certo. Sempre certo. Qual final? Qual é o final? Qual é? São vários finais, todos sempre dando certo. Para vários começos certos. E meios errados. Essa é a questão! Não tenho medo de viver o meio errado. Porque é nele que eu acho o fim certo. Obrigada a mim, por esse encontro. Por nós. Eu e mim mesma. Podermos sempre nos acertar. :)