Fazia tanto tempo que eu não ficava sozinha, aproveitando um pouco dos meus pensamentos aleatórios, de minhas lembranças, que até me surpreendi com a súbita vontade de enfim escrever no blog. Vontade essa que tinha passado. Realmente é necessário um pouco disso mesmo. Um pouco de mim em cada palavra. Aquele ser tão pensante e errante que eu julgava ter sumido, apenas estava escondido, encoberto pela atual vida louca universitária que tenho levado. Essa coisa de ficar longe de Santos me fez esquecer um pouco toda vida que eu tive e até suponho que ainda tenho na cidade litorânea a qual eu pertenço. São 2h34 e acabo de passar no mínimo uma hora lembrando de inúmeras situações, até mesmo de dois anos atrás, com pessoas marcantes ou nem tanto na minha vida. Mas antes dessa uma hora eu estava absorvendo sons.
Ah não adianta, algo me liga muito a todo tipo de som ambiente. E eu descobri o som que mais me incomoda: TIC-TAC. Que aliás, ao meu ver deveria ser TAC-TIC. Porque o tac me soa tão mais sonoro e forte que o tic, que sempre que começo a querer a acompanhar o som, começo pelo tac. Talvez nunca tivesse reparado tanto. Mas acontece que nesse final de semana, a tela do meu celular pifou, e com essa mudança do horário, para o de verão, meus despertadores estão fora de sincronia... Isso me levou a comprar um despertador. Você já tentou ler com o barulho de um relógio entoando ao pé do seu ouvido? Horrível. Eu sabia que tic-tacs (ou tac-tics) me irritavam completamente, até porque n vezes levantei para guardar na gaveta algum relógio de pulso que estava do outro lado do quarto. Mas o que fazer com um despertador? Não posso jogá-lo numa gaveta. A intenção é ouvi-lo para "despertar". Mas convenhamos, tudo que me faz é "despertar dor" (ham? ham?) no ouvido com esse sonzinho infernal. A solução foi ligar o ventilador para o barulho do ventilador cobrir o do despertador. Tive também que pegar um edredon mais quentinho. Não dá pra querer dormir no frio com o ventilador ligado.
Mas à parte essa confusão do celular, despertador, tac-tic, ventilador e edredon, ainda estou descobrindo ou redescobrindo os prazeres de digitar. Quando digo que eu escrevo, é tudo mentira. As palavras fluem da minha cabeça, para os dedos, e dos dedos para o teclado, não para uma caneta. (Pelo menos posso concluir que na vida passada não fui escritora). Minha letra é um garrancho e minha vontade de escrever é nula. Mas viajo, numa imensa estrada de palavras, frases e pensamentos...
Chega, 6h30 eu acordo com um despertador barato, anunciando meu atraso para aula de Topografia...