sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quem?

Quem é ela? Se é ela e não sou eu.
E se antes era ela, e agora que sou eu?

Quem é ela? E quem sou eu?

Quem era ela? Quem não era eu?

Quem é ela? E quem sou eu?

E nós duas juntas?
Eu prefiro sem o nós.

E eu e ela juntas?
Eu prefiro separadas.

E eu? E ela?
Eu prefiro mais longe ainda.

E eu?

E ela?

Ela, eu não posso saber.

Mas e eu?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Eu que...

Eu que te estudei. Que por deleite vivi horas ao teu nome. Eu que continuo sem que você me conheça, fico ao léu. Ao amargor que resta aos que esperam. Ao silêncio que todas as minhas palavras não foram capazes de preencher. Do tempo que gastei bebendo tua vida como minha, e querendo teu viver inteiro como nosso. Num frutífero amor que não há de florescer. Eu que caminhei em relvas antes descalça e agora dilacerada, desprevenida e mal-amada. Ah céus. Eu que fui mal-amada. De todo amor que te dei, fui assim recebida. Flor do campo desabrochada. Pairo no vão da sua e da minha existência, sem saber qual realmente me pertence. Agora que sou você, quem há de ser eu?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ai de mim

Ele sabe. Eu sei que sabe. E se não souber, é melhor eu fingir que sabe. É melhor pra mim. É mais seguro. Só pra manter o cuidado. E todas as vezes que eu quiser esvair de mim um sentimento preso, uma vontade solta e uma palavra louca, poderei ser livre. Livre pra devanear todos os quereres que me pertencem. Do meu pensamento só eu tenho certeza. Mas preciso deles fora de mim pra ter certeza que existem. E por isso escrevo. E por isso me dilacero lentamente todas as vezes. Porque eu o amo agora. E vou continuar amando. Porque o amo em paz. Mas todos os outros me são tormentas. E sou feita disso, calmarias e tormentas. Só não quero me afogar em nenhuma delas. Porque nos teus mares eu nado e me solto. Minha alma é também uma parte sua em mim agora. Mas o prazer, quando não compartilhado, é a minha parte egoísta que eu preciso ter.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Minha Deusa do Ébano

É você.
És tu!

E eu sempre soube.
Queria lamentar o não saber.
Mas soube.

Por saber,
Justamente,
Por saber,
Que sofro.

Ó santidade corrupta!
Esvai-te da minha presença por que?
Queria controlar teu viver.

Do controle que pensei em ter,
Tua soberania prevaleceu.
E agora parte.

Parte sem mim,
E me parte.

Espero teu sucesso,
Longe,
Necessário,
Certo.

Porque creio em ti,
como um dia pude crer em mim.

Minha metade.



- Para Lisie Abusada, minha melhor amiga e irmã

sábado, 31 de dezembro de 2011

À Marina Mello, minha amiga secreta.

(Para ler ao som de: Estela Cassilatti - Al)

Das águas ela surge em tons de vermelho, rosa e rubi. Destoa de tudo, combina com tudo. É mais que marinheira de várias viagens. Por ela mergulhe, por ela se afogue, e dela não se despeça. Limpidez não lhe cabe, ela é de água turva, de fervor, de sílabas, de calor. Arrebata os mares, as marés, as tormentas. Mas nunca quererá desvendar esse mundo sozinha. Então de proa à popa acompanhe-a, desvende-a, desmistifique-a. Será sim um desafio mas não a desafie. Seu olhar te jogará ao longe. Meio sol, meio lua, nada a define. Sereia indômita. De paixão inesgotável e vontade inquebrantável. Expressionista, impressionista, não importam os pés de profundidade, ela sempre surpreende. Se maquia, mas não se mascara, dona de uma só cara.


Revelação do Amigo Secreto, terceira edição

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Secaram-se todas as palavras que tinha dentro de mim.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sempre tem um dia

Hoje estou com raiva. Fazia tempo que não sentia isso de um jeito instalado na boca do estômago. Hoje sinto que não confio em ninguém, e nem quero confiar. A dúvida é o que me resta à cama. Estou com raiva do ser humano, das pessoas que eu conheço, da falta de honestidade, da falta de vontade, da falta de tempo. Estou com raiva de estar sentindo raiva, e isso vira um ciclo sem fim. Mas que agora eu não quero deixar de sentir. Estou com raiva de fazer questão das coisas, me esforçar pra não precisar que as pessoas sintam o mesmo, e continuar me frustrando com isso. Agora isso já é burrice. O ser humano não merece, e só. Ele é egoísta, insípido, usurpador, manipulador, compulsivo, sórdido, ignorante, ignóbil, insuficiente. E eu tenho raiva.