domingo, 2 de novembro de 2008

Desatando os nós

Procuro a parte de mim que eu perdi no meio da estrada. Onde foi que deixei minha audição? É, eu tinha perdido. Eu falava, falava e falava. E nunca ouvia. Até que eu ouvi alguém quase gritar pra mim: PÉTILIN, SE OUVE! Não ouvir de acreditar em mim, mas era só parar pra ouvir o que eu falava. Falava demais, falava de tudo, falava de todos. E agora eu parei. Depois de inúmeras turbulências, vem a calmaria. Chega inesperada, mas não necessariamente te deixa parada. Talvez algumas marolas me levem tranqüila, pra longe. Pra longe. Pra que depois eu volte só de avião, sem turbulência e com muita história pra contar. Contar, ser ouvida, e me ouvir. A partir de hoje eu me ouço. Não achei a audição, eu aprendi a ouvir de outra forma. Só isso. Não são mais ruídos, são palavras. Eu quero clareza. Não quero mais o torpor. Quero lucidez. E pra isso abdico da miopia moral. E ponho óculos. Vou ouvir e ver tudo muito bem agora. Desato os nós calmamente. Não tenho mais pressa. Tempo ao tempo. E nada de esperar sentada. Mas nada de correr. Esses nós me prendiam vulgarmente ao passado. Me faziam pensar demais, e falar tudo o que eu não pensava, e fazer tudo o que eu não pensava. Minha sensibilidade estava perdida, essa eu reencontrei...