terça-feira, 25 de novembro de 2008

Se eu pudesse me entender...

Só vou ter certeza, quando tudo acabar. Quando eu estiver sozinha. Mais sozinha do que eu me sinto agora. Não há certezas para nenhum lado que eu olhe. O mundo parece tão difícil de ser encarado. Eu só queria uma certeza. Uma. Eu fico perdida, vagando com o vazio que se instalou dentro de mim. Não sou triste. Mas me falta alguma coisa. Algum pedaço meu que eu perdi e nunca mais achei. E não achei ninguém que pudesse completá-lo. Se achei, não consigo pegar de volta pra mim. Minha incapacidade me revolta. Eu queria ser capaz de gritar. Mas ao invés disso permaneço calada e olhando. Já não admiro, apenas observo. Observo e não absorvo. Não há quem tenha mais paciência comigo, quem me aguente telefonar durante a madrugada, quem aguente ler os meus desabafos. Acho que ninguém me aguenta, porque nem eu faço isso. Me sinto presa ao estereótipo que eu criei de forte, inabalável e profunda. Da parte do profunda eu não nego. Guardo nos meus olhos os oceanos, e afogo qualquer um que tente nadar neles. Oceanos com tormentas e calmarias inexplicáveis. O céu se encobre inesperadamente, e da mesma forma o sol desponta no horizonte. Ouço o barulho do mar dentro de mim, as ondas quebrarem e o vento soprar no meu peito. Não há rochas, nem praias, nem veraneio. Mas tudo junto se une numa música inacabada.

Nenhum comentário: