terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ele por mim

Ele é um sorriso perene que custei a memorizar o nome. Ele é sempre um conhecimento longínquo, na verdade como muitos outros, mas esse ele me encanta. Ele é aquele que não sabe de mim, e eu não me faço saber. Me delicio nas horas em que estamos juntos sem estar. Estamos juntos porque eu estou com ele, mas sei que nunca ao contrário. Ele que trilhou três dias por caminhos tortuosos foi parar no meu mesmo fim. E dele arranquei mais um sorriso perene, depois de um olhar assustado que foi dado em vão. Deleite foi passar mera hora com ele gastando meu sorriso abobalhado em troca de seu sorriso perene, mesmo sabendo que esses sorrisos nunca vão verdadeiramente se encontrar.

Ela por mim

Ela. Não tenho palavra mais sublime para descrevê-la, simplesmente ela. Ela guarda consigo todos os nossos segredos, todas as nossas cartas, todas as nossas confissões. Ficaram guardadas na cortina empoeirada que nos impedia de saber se era dia ou noite. E assim ficamos mais do que três dias, depois também me perdi nas contas. O tempo que parecia imutável, na verdade se desenrolou por entre os lençóis e os papéis que largamos pelo apartamento. As fundações nós que construímos. Arduamente. E então, tudo aquilo nos pertencia. Foi por isso que nos perdemos. Uma a outra. Há quem saiba melhor que tínhamos tudo que desejávamos, apenas não nos demos conta disso. Ela, era tudo o que eu desejava, disso eu tenho certeza até hoje. Aquele perfume carérrimo e todo fresco dela não sai de mim, não sai das minhas roupas, antes dela. Sua voz falha nunca me falhou na memória. O seu estilo de gargalhar depois de tragar fumaça pelo nariz, nunca vira fumaça nas minhas lembranças. Ela é ela. E sumiu por uns tempos. Mas eu fui atrás...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eu não quero

Eu não quero. Não por você mas por mim. Na verdade por mim. Por você também. Mas muito por mim. Eu não quero. Na verdade não quero por você. Não quero por você porque não você por mim. E não quero muito por mim. É bastante por mim. Porque eu até quero por você. Talvez é você quem não queira por mim. Ou eu que quero que você não queira. Mas não por mim. Não queira por você. Não queira por outra pessoa é só o que eu não quero. Então é por mim que não quero. Porque eu não quero. Mas se você não quisesse, eu com certeza não ia querer. E mesmo se eu quisesse, quando você não quisesse, eu passaria a não querer. Eu quero ainda. Mas não quero tanto assim. Eu quero ainda por você e queria poder não querer por você. Eu não quero, e é por mim. Ponto.

Se você vai por muito tempo

Tenho eu medo de quando partir, que as pessoas nunca saibam a absoluta e sincera verdade da minha alma.
Eu, quando decido ou não o momento de partir, nunca fico feliz por completo. Sempre se instala em mim, uma vontade enorme em ficar. Mas por fim, eu não costumo me incomodar com a partida. Não me é inteiramente dolorosa nem triste.
E desejo, única e exclusivamente, que sintam o mesmo, que não sejam inteiros dor nem tristeza. Porque eu, Pétilin, sou um ser que borbulha, que cintila. E só sei disso, porque todos que me viram ou não partir, já me disseram.
Pois então, quando não puderem mais compartilhar comigo horas de sorriso e de risadas, nunca lamentem por inteiro. Pois eu não estarei fazendo isso.
Em minha memória e em minha alma sempre borbulhará e cintilará todos os sorrisos que sorriram comigo. E então, quando o vento me soprar pro alto, tenha certeza que lembro sim de você, que lembro sim de nós, e que nunca esquecerei.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu gosto

Das coisas que pairam no ar
Da paixão que avassala
Do perfume que inebria
Da sua barba nada rala

Do ruído do seu sono
Do momento inesgotado
De sentir suar as mãos
De amar e por de lado

De valsar à meia noite
De sambar em noite e meia
De perder a direção
De querer a alma cheia

Furtacor

Ele é assim, um sonho em furtacor. Cintila, mistura e às vezes perde o brilho. Vago. Rápido. Esguio. Por vezes opaco, dessaturado, desconcentrado, desbotado. Me é paixão que fervilha, mas certa hora esfria. Congela. Amanhece o dia, mas só vive quando é céu alaranjado. Ama, irrita, encanta, incomoda. É um vai-e-vem que quase cansa, é preguiça. Depois quem samba?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu estaria mentindo...

...pra mim mesma se dissesse que não sinto a sua falta. Eu sinto falta da sensação de te amar enlouquecidamente e errar mil vezes por amar tanto. Eu sinto falta das horas em que me atravessei em pensamentos e planejamentos para ir te encontrar. Momentos em que fiz as contas da cerveja pra poder comprar uma passagem. Ou das horas que quase vendi minha alma por uma conta de celular. Era o único jeito de tê-lo mais perto de mim. Das horas que gastamos sentados à varanda, depois do almoço, antes da minha partida, tragando a sensação de estarmos juntos e não podendo acreditar nisso. Ou quando à primeira vez deixamos que o MASP guardasse nosso segredo de intensa vontade e paixão. E então quando dançamos enlouquecidamente pelas noites da Gambiarra, variando junto do samba ao rock. Ou então quando te esperei sentada no chão do seu quarto, tocando melancolicamente seu violão, só porque você me pediu pra esperar. Mas foi por ter te amado tanto, por querer tanto, que não te pude ter. E é por isso que hoje eu acerto ao amar, por que eu amo muito e não deixo a loucura me levar. Mas agora, só agora, eu me sinto enlouquecer de novo.