quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A falta de vontade

Nos últimos tempos virei uma criança mimada. Que vive pedindo as coisas, falando: EU QUERO MUITO. Que fica fazendo beicinho, falando: NÃO QUERO MAIS BRINCAR DISSO. E sinceramente eu estava achando tudo muito normal. Mas percebi que eu tava fazendo isso (como sempre eu demoro, mas descubro o porquê) por medo (e sempre é por medo...). Tô com muito medo de crescer. De ter que virar gente, estudar pra valer, morar sozinha. Agora toda a minha vontade de ser independente se condensou em medo. Acho que ter que escrever o discurso pra oradora, me faz ficar pensando em como vai ser ler o texto, o que eu vou sentir, e que realmente tudo o que eu escrevi é verdade. Não sou mais do colégio, não tenho inspetores pra cuidar de mim, nem 'aconteceu...' pra me fazer entrar na linha. Fico dividida entre o desejo de voltar no tempo pra curtir mais, e o medo de passar por todas as dificuldades de terceiro ano de novo. Foi um ano muito díficil pra mim. Não só pela escola, pelo vestibular. Mas por tudo o que me aconteceu. Caminhei a trilha de 2008 com uma venda. E as coisas foram acontecendo sem eu ver, sem eu realmente querer. Poderia ter falado menos, ter pensado menos, ter agido menos. O meu lado impulsiva se apoderou de mim assim que entrou 2008. Meu lado egoísta também. Não nego que fui extremamente egoísta. E sinceramente, enquanto eu não chegar onde eu quero, vou ser assim. Mas me faz falta as tardes de sol na praia, andando de longboard e jogando papo furado. Me faz falta as descobertas do mundo dos meninos. Me faz falta a descoberta da boemia. Não que eu conheça tudo, óbvio que não é isso. Mas a magia do novo, se perdeu. Tô cansada de toda hora ter que vir digitar pra fingir que alguém vai ler, me entender, me ajudar. Porque na realidade nem sei se preciso de ajuda. Tá na hora do meu clássico praia, mar, som, eu. E quem quiser me achar, quem fizer questão. É disso que eu preciso. Pessoas que façam questão de estar comigo, sem achar que eu sou perfeitinha, lindinha. Mas que vejam em mim, apenas eu. A Pétilin. Que gosta de pisar em folhas secas, que gosta de ler poesia, ouvir músicas do filme da Amélie Poulain, que gosta de deitar na grama, que gosta de sentar de perna de índio pra comer, que gosta de se alongar, que gosta de cheirinho de comida da vó, que gosta de fazer e receber chamego, que gosta de rir de coisas idiotas, que gosta de fechar os olhos e correr na praia, que gosta de sentar e ouvir o mar até o barulho do mar se misturar com os pensamentos, e os pensamentos não passarem de ser simplesmente o barulho do mar, que gosta de tinta, que gosta do cheiro da tinta, que gosta de ir ao cinema e ficar quietinha, que gosta de olhar, que gosta de dançar no meio de muita gente desconhecida, que gosta de fingir que tá em um filme, que gosta de gostar, de não gostar, de ter medo, de chorar, de se apaixonar, que gosta de deixar marcas, que gosta, gosta, gosta muito, de tudo, de nada. Só queria fugir pra outro mundo, e explodir esse daqui.

2 comentários:

Nathalie Cobain disse...

Muito bom o texto! Acho que você precisaria, não sei se é exatamente precisar, mas de alguém que desse valor e reconhecesse essas coisas que torna você o que você é né. É foda, poucas pessoas nos enxergam além de um rostinho bonito, e isso é ruim. Mas eu admiro você, e o valor que você dá pras coisas simples, eu também dou valor. E eu adoro vir aqui ler seus posts! Escreve muito bem, parabéns! E faça do ano que vem, melhor do que esse! Porque nós sempre vamos cheias de planos pro ano e acabamos não fazendo nada do que queriamos, então se quer algo se concentre nisso e consiga :D

Beijão!

Marques! disse...

Oi =D

HAHAHAHAHAHA