terça-feira, 27 de julho de 2010

Um teto para meu país

Nada mais me parece ter sentido, a não ser: CONSTRUIR, CONSTRUIR, CONSTRUIR. É alguma coisa, que eu não sei o que, que parece viciar. Os voluntários, as famílias, o mundo que conheci: tudo muito incrível, extraordinário e único. Essa tal ONG "Um Teto Para Meu País" é agora a parte mais intrínseca em mim. Num primeiro momento achei loucura aceitar passar 5 dias das minhas férias de julho de 2010, com pessoas desconhecidas, construindo casas para tantas outras pessoas também desconhecidas, sem tomar banho, numa favela. Mas então, aos poucos, todo preconceito foi se esvaindo. Toda a imagem implantada na minha cabeça, ruiu. É uma realidade muito pior do que parece. É uma realidade muito melhor do que parece. Assim mesmo, ambíguo. Isso porque existem necessidades mais extremas do que pensamos. Isso porque existem pessoas bem melhores do que pensamos. E dessas pessoas entenda-se voluntários e famílias. Ficamos todos juntos, vermelhos, laranjas, famílias, vizinhos, todos em prol de uma só meta: 100 casas. E se a viagem foi uma peleja, se a estrada foi estreita, tudo valeu a pena depois. Cada piloti, cada viga, cada caibro, cada tábua de piso, cada painel, cada viga mestre, cada viga secundária, cada caibro no teto, cada telha, cada cumeeira, cada prego, tudo valeu a pena, é fato. Se a mão doeu, se as costas doeram, se deu dor de cabeça, se a calça sujou, se a blusa rasgou, se perderam as luvas, se acabou o dorflex, se faltou água, se faltou boné, se fez calor de dia, se fez frio à noite, nada mais importa. Construímos tetos, reconstruímos vidas. Talvez se não fosse o terreno, talvez se não fosse a distância, talvez se não fosse o peso, talvez se não fosse a logística, talvez se não fosse o mundo, tudo teria sido mais fácil. Mais fácil? Qual a graça? O bom mesmo foi ter sido difícil, e ter sido muito mais difícil do que esperado. Porque desde o primeiro dia nos disseram a palavra chave dessa construção: SUPERAÇÃO. E quem não se superou, não esteve nesses cinco dias, ralando, sofrendo, trabalhando, chorando, gritando, amando. Porque é isso: VAMO TETO! É um grito que saiu da minha garganta tantas vezes, que mais nada agora sai dela. E pensar em segurar a lágrima na hora da inauguração das casas foi inútil, porque em contrapartida, todo trabalho para conseguir isso não o foi. E agora eu amo pessoas que convivi só cinco dias. Mas foram os cinco dias mais intensos e mais extensos que vivi. Foi de longe a melhor sensação. Força, vitória, união, superação, teto. Qualquer que seja a palavra. Fato que conquistamos cem tetos para meu país. Se alguém achou pouco, não tem o menor problema. Porque para todos os voluntários do Teto e para todas as famílias, agora é só um grito que nós podemos dar:
COMEÇOU NÃO PÁRA!

Um comentário:

Natália das Luzes disse...

nada mais importa.

é bem por aí.
eu contei para algumas pessoas a experiência (só algumas, porque depois da outra construção que eu participei, eu decidi não gastar saliva com pessoas que não exergam além de si), e eu contava toda alegre e eles só repetiam '5 dias sem tomar banho?', como se esse tivesse sido o ponto crucial.

depois que eu cheguei em casa eu achei esse fato tão insignificante! o que é não tomar banho por 5 dias diante de todas as outras mil coisas que estão acontecendo?

nunca pensei que eu fosse dizer uma coisa dessas, rs ;)

não pode parar. PET! não deixa parar! não se deixe esquecer de todas as coisas que a gente viu, ouviu e vivenciou. não esquece dos sorrisos, das crianças, da nossa união e da nossa força!

nós somos mais fortes agora, e por isso mesmo, a gente não pode parar! :DD