quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sal a gosto

Ele fumaça, ele riso, ele perdido. Eu querer, eu areia, eu perdida. É sal a gosto o tempero que em nós fervilha. Tenho para ele o sorriso escancarado, o passo requebrado e a brincadeira espirituosa. Ele tem pra mim nossos segredos e lembranças, o imaginário chapéu branco e uma pétala de rosa. Da rosa que eu despetalei e joguei em nossos corpos e copos sempre cheios. Eu cerveja, ele wiskhy, nós cigarros. Ah madrugadas... Essas passam tantas e se perdem. Ele eu reencontro sempre, e sempre me garanto. Agora aguardo, o encontro desencontrado que marcamos juntos. O mar, a cidade e toda música que nos cercará, tem a responsabilidade de nos silenciar...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Obrigada

Eu esperei nada de hoje. Nada é ainda pouco. Eu esperei absolutamente nada de hoje. E foi sincero, e não foi por medo, e foi maduro. E então eu me surpreendi. Eu, me surpreendi. Eu, que taxo o ser humano como mediocremente previsível. Errei na mediocridade, errei na previsibilidade. Ainda bem... Porque então eu descobri amigos. Foi justamente esse "mas é um outro nível de amizade" que eu conquistei. Eles, vocês, que estavam hoje lá comigo, são meus amigos. Muito obrigada. Tudo o que eu faço, tudo o que eu fiz, tudo o que eu ainda sou capaz de fazer, consigo porque fui, sou e espero continuar sendo amiga de vocês. Faço hoje 20 anos, choro como quem faz 10, e amo como quem faz 30. Obrigada.

domingo, 26 de junho de 2011

"Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir"

Tenho em minha alma o pedaço livre da alma que lhe pertence. E se respiro por uma noite por entre a sua barba, no aconchego dos seus braços, no aperto da minha cama, é porque sei que ainda sou quando não estou ao seu lado. Tenho em minha boca a repetição do seu nome, mas é só para gastá-lo, e deixar que o vento o possua. Porque vou partir, porque quero partir, porque tenho que partir. Nas poucas e intensas vezes que o amei e não falei, foi por ter essa única certeza, de que não o amaria para sofrer. E me dilacerei horas e mais horas na vontade sua que se fez minha, e nos une em nossa, e evapora. Mas é no inverno que clichê eu mais me aqueço. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas não há de demorar. Só não consigo lamentar, porque ainda é bom.



(Título retirado do poema Ausência, de Vinícius de Moraes. Poema que inspirou este aqui)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eu hoje andei a pé...

Me libertei, me senti viva. Eram meus pés tocando o chão úmido depois de um dia chuvoso. O caminho que parecia longo foi suficiente para eu conseguir voar ao longe e voltar. Estava me sentindo um pássaro preso, enjaulado. Acorrentada às rodas que eu mesma inventei de comprar. Eu pude deixar de olhar os carros, olhar o semáforo, olhar a lombada, olhar o retrovisor. Reparei então na grama, que mudou de cor com a chuva; reparei nos muros, com novos grafites; reparei nas pessoas, talvez as de sempre, mas que me pareciam muito diferentes; reparei o cheiro do mundo, que é outro quando não estou cercada pela fumaça dos carros; senti o frio me cerrar a pele, de uma maneira muito agradável. E então cheguei em casa. O mais triste é saber que minha libertação foi momentânea, que amanhã volto a ter rodas, e não pés. Mas é o preço que se paga pela compressão do tempo-espaço. E ainda me questiono se vivo mais por economizar tempo, ou se vivo menos, por perder tanto do meu tempo que teimei em economizar...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ancoro-me na calmaria

À parte a bela poética das minhas histórias de coração livre, sinto agora a amargura na boca que me vem do coração. Não são saudades, são lamentos dos amores que tive. Tão intensos... Tão fugazes... Não sei se eu que petrifico os momentos em que o sangue me vinha mais quente. Seja pela beleza, seja pela feiúra. Fato que sinto uma fadiga ao lembrar de todos e de cada um deles. E dessa fadiga vem-me a preguiça, de novas intensidades, novas fugacidades. Permito-me, então, permanecer perene. É sempre a minha solução. Depois da tormenta a calmaria. Mas ancoro-me, num mar intrínseco, longínquo e particular. Não espero que me entendam. Bastar-me-á se respeitarem...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Faz falta o que falta

Ele foi muito do meu sorriso. E até agora invejo a mim mesma por ter tido tanto daquele sentimento. Continuo sem saber quando foi, como foi, e porque foi que tudo se esvaiu. Eu não perdi o controle, mas eu o perdi. Nossas trocas de olhares antes tão afetuosas hoje são carregadas de lamento. Meu sorriso agora é um forçado meia boca que se perde no passo seguinte. Minha maçaneta já não acha graça. Minha chave já não vacila. Minha porta se mantém fechada. E eu tentei novamente. Mas ainda lhe falta sobriedade, me falta admiração, nos falta carinho.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Nego alvo




Ele tem todo um gingado.
Meu baiano alvo.

Brancura com o pé na terra,
com a mão na terra,
com a alma livre.

Ginga valsada, suada, risada.
E solta a magia quando joga na praça.
Meu baiano alvo.

Enxerga o mundo virado,
mas se vira e encaixa no mundo.
No samba eu me junto e sorrio.
Fazemos o mundo girar.

O frio já não é nosso amigo.
Eu giro e me encaixo,
porque é de samba e gingado que vou me esquentar.