É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
E dá-lhe recomeços
Que felicidade esquisita. Me sinto MUITO feliz. Talvez a certeza de participar tão cedo de outra construção do Teto me dá uma alegria que não sei dimensionar. E não por mim, mas pelos outros. Novamente as famílias e os voluntários. Dá vontade de viver fazendo isso... E é fato que estou cheia de amor, animação, vontade, força, esperança e alegria para distribuir a quem os quiser. Mesmo tendo mil coisas pra fazer na faculdade, sei que no final tudo dará certo. É uma questão de escolha! Eu escolhi ser voluntária de corpo e alma! Que venha outro líder, outra equipe, outra família, outra construção. Não adianta... COMEÇOU NÃO PÁRA!!!!!!!!!!!
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Let it be

segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O farei
Enquanto eu puder não fazer nada, o farei
Permanecerei imóvel, estática, intacta
É tudo tão monótono, repetitivo
Esses cânticos enfadonhos me sufocam
Preciso viver
Porque enquanto não vivo, deixo de existir
E se não existir
Não vou poder fazer nada
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Frank O. Gehry
Dança arquitetônica
Quase que irônica
Formas disformes que inconformam
Formam frases cinemáticas, sinestésicas
E eu perco os sentidos
Os misturo, os confundo
Do papel ao mundo
Da linha ao fundo
Onde tudo pede experimentação
Exaltação, excitação, sensação
Num processo sem regra, sem régua, sem trégua
É um parto intrínseco das idéias
sábado, 31 de julho de 2010
Favela
Que eu vivi essa experiência, eu não posso negar. Ficaram em meu corpo as marcas desses cinco dias, ficaram em minha alma. Que eu me apaixonei fervorosamente por pessoas diversas, e agora elas me fazem uma falta que não sei como suprir, também não nego. E reconheço a dificuldade em largar minha cidade agora, por esta ser tão perto da cidade onde minhas atuais inspirações residem. Porque agora, enfim, encontrei inspirações. Porque agora, enfim, encontrei espelhos. Se um dia procurei ídolos, hoje os tenho, os conheço, e de algum jeito eles já fazem parte de mim, e talvez eu também faça um pouco parte deles. Não esperei, nenhum segundo sequer, reconhecimento. Acho, sinceramente, que pela primeira vez me dei por inteiro. E foi isso o notável. Lutei, literalmente, por uma causa. Lutei contra mim e com eles. Contra mim lutei nas dificuldades, nas quase-desistências, nas indecisões. Com eles lutei por uma casa, por um recomeço, por algo que não sei nomear. E se passado mais cinco dias, daqueles cinco dias, eu continuo gripada, é porque não saiu de mim, não saiu de meus pensamentos, tudo que aprendi, tudo que vi, tudo que senti. Desamparo é uma palavra que tomou forma. Somos uma sociedade desamparada. E não é preciso procurar na extrema pobreza esse desamparo. Basta olhar a lua, e ter certeza que é a mesma que ilumina, de forma igualmente esplendorosa, uma favela.
favela (é)s. f. 1.Bras. Conjunto de casebres toscos e miseráveis, geralmente em morros e onde habita gente pobre.2.Por ext. Lugar de má fama, sítio suspeito, frequentado por desordeiros.
Essa definição me parece vazia de sentido. Mas me sinto instigada o suficiente para assumir que desconheço uma definição mais apropriada. Talvez o que não faça sentido pra mim é "gente pobre". E isso me confunde. Porque sim, são pobres, mas não entendo, não concordo, não aceito. Em alguns aspectos, relevantes ou não, não sei, eles me parecem muito mais ricos do que eu. Porque querendo ou não, tudo que aprendi, foi me tomando como comparação. Me ensinaram valores, que moeda nenhuma compra, que nenhum outro valor que eu tinha, compensa. Então fui eu, a pobre, oferecendo minha vontade, para somar com a vontade restante deles, para juntos, lutarmos. Eu contra minha pobreza, eles contra a pobreza deles. Falta sentido também em "desordeiros". Aliás, isso carrega um preconceito que hoje me envergonho de antes ter me identificado. Que ordem há de se seguir numa "sociedade desamparada"? Que parâmetro uso para julgá-los (de longe) como desordeiros? Por que sempre caio da redundante hipocrisia? E quais são as indagações que posso me permitir fazer? E quais delas posso me permitir responder?
Às favas?Às velas?É ela,FAVELA.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Um teto para meu país
Nada mais me parece ter sentido, a não ser: CONSTRUIR, CONSTRUIR, CONSTRUIR. É alguma coisa, que eu não sei o que, que parece viciar. Os voluntários, as famílias, o mundo que conheci: tudo muito incrível, extraordinário e único. Essa tal ONG "Um Teto Para Meu País" é agora a parte mais intrínseca em mim. Num primeiro momento achei loucura aceitar passar 5 dias das minhas férias de julho de 2010, com pessoas desconhecidas, construindo casas para tantas outras pessoas também desconhecidas, sem tomar banho, numa favela. Mas então, aos poucos, todo preconceito foi se esvaindo. Toda a imagem implantada na minha cabeça, ruiu. É uma realidade muito pior do que parece. É uma realidade muito melhor do que parece. Assim mesmo, ambíguo. Isso porque existem necessidades mais extremas do que pensamos. Isso porque existem pessoas bem melhores do que pensamos. E dessas pessoas entenda-se voluntários e famílias. Ficamos todos juntos, vermelhos, laranjas, famílias, vizinhos, todos em prol de uma só meta: 100 casas. E se a viagem foi uma peleja, se a estrada foi estreita, tudo valeu a pena depois. Cada piloti, cada viga, cada caibro, cada tábua de piso, cada painel, cada viga mestre, cada viga secundária, cada caibro no teto, cada telha, cada cumeeira, cada prego, tudo valeu a pena, é fato. Se a mão doeu, se as costas doeram, se deu dor de cabeça, se a calça sujou, se a blusa rasgou, se perderam as luvas, se acabou o dorflex, se faltou água, se faltou boné, se fez calor de dia, se fez frio à noite, nada mais importa. Construímos tetos, reconstruímos vidas. Talvez se não fosse o terreno, talvez se não fosse a distância, talvez se não fosse o peso, talvez se não fosse a logística, talvez se não fosse o mundo, tudo teria sido mais fácil. Mais fácil? Qual a graça? O bom mesmo foi ter sido difícil, e ter sido muito mais difícil do que esperado. Porque desde o primeiro dia nos disseram a palavra chave dessa construção: SUPERAÇÃO. E quem não se superou, não esteve nesses cinco dias, ralando, sofrendo, trabalhando, chorando, gritando, amando. Porque é isso: VAMO TETO! É um grito que saiu da minha garganta tantas vezes, que mais nada agora sai dela. E pensar em segurar a lágrima na hora da inauguração das casas foi inútil, porque em contrapartida, todo trabalho para conseguir isso não o foi. E agora eu amo pessoas que convivi só cinco dias. Mas foram os cinco dias mais intensos e mais extensos que vivi. Foi de longe a melhor sensação. Força, vitória, união, superação, teto. Qualquer que seja a palavra. Fato que conquistamos cem tetos para meu país. Se alguém achou pouco, não tem o menor problema. Porque para todos os voluntários do Teto e para todas as famílias, agora é só um grito que nós podemos dar:
COMEÇOU NÃO PÁRA!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Poliana apaixonada (7)
Poliana ria-se da realidade de estar acompanhada pelo conde. Era quase irreal. Chegaram rapidamente à casa noturna. E logo na entrada Poliana sentiu-se feliz. O lugar era bastante bonito, diferente dos que ela costumava ir em sua pacata cidade. Mais feliz ainda ficou ao entrar na casa. Poliana podia sentir o quanto iria divertir-se ali. Claro que não sozinha, e não haveria companhia melhor para o momento.
Deixou-se levar pelas conversas longas, quase monólogos egoístas seus. Ninguém haveria de culpá-la, tentava ao máximo se exibir. Se era necessário ou não, impossível prever. O conde conversava ainda tímido, Poliana percebeu. Mas isso tornava-o cada vez mais encantador diante dos olhos de Poliana. A cada palavra, cada final de assunto, ela lembrava-se de ter imaginado mil coisas do conde. E ele mostrou-se perfeitamente agradável.
Quando o álcool já lhe parecia quase intragável, Poliana foi surpreendida por um beijo. Ele, ela, a música, as vozes, o mundo: silenciaram-se. Então, tudo meio insustentável, deixaram-se levar pela dança. E divertiram-se, e apaixonaram-se. Ninguém ali era conhecido de Poliana. Era justamente isso que a fascinava, porque não importava. Contemplava o fato de querer ser só ele e ela. E foram juntos por uma noite desconhecida. Noite que arrastou-se pelo amanhecer. Amanhecer que veio acompanhado de revelações. Inúmeras. Secretas. Suas. Compartilhavam agora uma história particular, só deles. E então a boca amarga de Poliana que chegou em companhia do amanhecer, deixou o conde ir embora numa despedida incompleta.
Poliana, apaixonada, insaciável, não deixaria o conde se perder pela cidade. Voltaria a procurá-lo.
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